Religião

29/03/2021 | domtotal.com

Atentado suicida em catedral da Indonésia no Domingo de Ramos deixa vinte feridos

Autores de atentado contra catedral na Indonésia eram recém-casados

Polícia revista, em 29 de março de 2021, a residência de dois dos suicidas que cometeram o atentado contra a catedral de Makassar, na Indonésia
Polícia revista, em 29 de março de 2021, a residência de dois dos suicidas que cometeram o atentado contra a catedral de Makassar, na Indonésia (IRVAN ABDULLAH/AFP)

Ao menos 20 pessoas ficaram feridas neste domingo em um atentado suicida contra a catedral de Makassar, leste da Indonésia, após a missa do Domingo de Ramos, um novo ataque contra uma igreja neste país de maioria muçulmana.

Os dois criminosos morreram quando entraram com uma motocicleta no complexo da da catedral do Sagrado Coração de Jesus, no sul das ilhas Sulawesi, informaram as autoridades.  Segundo relataram, os agressores invadiram o recinto, onde detonaram um artefato de fabricação caseira.

Vinte pessoas ficaram feridas, segundo fontes das forças de segurança, que não revelaram detalhes sobre o estado de saúde das vítimas. O primeiro balanço mencionava 14 feridos. Contudo, nesta segunda, 15 pessoas continuavam hospitalizadas.

O ministro da Segurança, Mahfu MD, confirmou o novo balanço e o caráter suicida do atentado, com as mortes dos dois criminosos. O presidente indonésio, Joko Widodo, "condenou com veemência o ato terrorista". "O terrorismo é um crime contra a humanidade", afirmou o chefe de Estado. "Faço um apelo a todos para que lutem contra o terrorismo e o radicalismo, que são contrários aos valores religiosos", completou.

O atentado

A forte explosão aconteceu na catedral do Sagrado Coração de Jesus, sede da arquidiocese de Makassar, cidade portuária de 1,5 milhão de habitantes e capital da província de Sulawesi do Sul.

No lado de fora do templo era possível observar pedaços de corpos mutilados pela explosão, que aconteceu às 10h30 locais (0h30 de Brasília), após a missa do Domingo de Ramos. Essa celebração marca a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, de acordo com a tradição cristã, e representa o início da Semana Santa.

"Duas pessoas circulavam a bordo de uma motocicleta quando aconteceu a explosão perto da entrada. Os agressores tentavam entrar no complexo da catedral", declarou mais cedo o porta-voz da polícia, Argo Yuwono. "A moto ficou destruída e há restos mortais", completou. Imagens exibidas pela televisão indonésia mostram veículos atingidos pelos destroços nas proximidades da catedral, que foi isolada pela polícia.

"A missa havia terminado e as pessoas estavam retornando para casa quando aconteceu a explosão", declarou ao canal Metro TV o padre Willem Tulak. Ele disse que um paroquiano tentou impedir um "homem-bomba" de entrar na igreja.

Uma testemunha citou uma explosão "muito forte". "Havia muitas pessoas feridas em plena rua. Eu ajudei uma mulher ferida e coberta de sangue. O neto dela também ficou ferido".

De acordo com a polícia, um agente das forças de segurança impediu que a moto entrasse no complexo da catedral.

Autores

Os autores do atentado suicida contra a catedral eram um jovem casal recém-casado que pertencia a um grupo extremista pró-Estado Islâmico (EI) – informou a polícia nesta segunda-feira (29).

"Os agressores eram um casal casado há apenas seis meses", e o homem tinha cerca de 20 anos, disse o porta-voz da polícia nacional, Argo Yuwono. "A investigação continua para buscar outras pessoas envolvidas no ataque", acrescentou.

A polícia antiterrorismo revistou sua casa e outros locais em Makassar, uma cidade portuária de 1,5 milhão de habitantes, em busca de explosivos, armas e outras provas.

Perseguição contra cristãos

No Vaticano, o papa Francisco afirmou que rezou por todas as vítimas da violência, "particularmente pelas do ataque desta manhã na Indonésia, diante da catedral de Makassar".

As igrejas cristãs são alvos de ataques dos extremistas na Indonésia, país de maioria muçulmana mais populoso do mundo. Em maio de 2018, uma família de seis pessoas – incluindo duas meninas de 9 e 12 anos e dois adolescentes de 16 e 18 – detonaram bombas contra três igrejas de Surabaya, a segunda maior cidade do arquipélago.

No mesmo dia, uma segunda família detonou, aparentemente por acidente, uma bomba em um apartamento. No dia seguinte uma terceira família cometeu um ataque suicida contra uma delegacia. Os atentados, que deixaram 15 vítimas fatais e 13 mortos entre os criminosos – incluindo cinco crianças – foram os mais violentos executados no arquipélago em uma década.

As três famílias radicalizadas estavam vinculadas ao movimento extremista Jamaah Ansharut Daulah (JAD), que apoia o grupo Estado islâmico (EI). Os ataques foram reivindicados pelo EI.

Mais de 200 pessoas morreram em 2002 em atentados na ilha de Bali atribuídos ao grupo islamita indonésio Jemaah Islamiyah (JI). Após o atentado, a polícia indonésia informou que a dupla fazia parte do grupo radical Jamaah Ansharut Daulah (JAD).

Essa organização é acusada de estar por trás de vários ataques contra igrejas em Surabaya, a segunda maior cidade da Indonésia, em 2018. O resultado foram 15 mortos. Também está envolvida, de acordo com a polícia indonésia, em um ataque suicida de 2019 na catedral de Jolo, nas Filipinas. Neste, morreram 21 pessoas.


AFP/Dom Total



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