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29/03/2021 | domtotal.com

PM é 'neutralizado' após surtar e disparar tiros no Farol da Barra; bolsonaristas fazem uso político do caso

Negociação com a PM da Bahia durou mais de três horas; Secretaria de Segurança Pública diz que homem teve 'crise psicológica'. Radicais bolsonaristas divulgam fake news pela internet

SSP afirmou que o homem atirou contra as equipes e que alternava entre 'momentos de lucidez e acessos de raiva'
SSP afirmou que o homem atirou contra as equipes e que alternava entre 'momentos de lucidez e acessos de raiva' (Alberto Maraux/SSP-BA)

O soldado da Polícia Militar da Bahia Wesley Soares acabou baleado por outros militares depois de gritar palavras de ordem e disparar dezenas de vezes para o alto, no início da tarde desse domingo (28), no Farol da Barra, em Salvador. Ele acabou atingido por disparos após quase quatro horas de negociação com equipes especializadas da PM. O militar foi socorrido ao hospital, mas morreu no final da noite de domingo. Seguidores de Bolsonaro usam o caso para atacar o governador Rui Costa.

Wesley era lotado na 72º Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Itacaré), no sul do estado. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 

Por volta das 14h, o soldado chegou ao ponto turístico em carro próprio, fardado e armado com um fuzil, além de uma pistola. Um vídeo publicado nas redes sociais mostra que ele desce do carro, com o rosto pintado com as cores da bandeira do Brasil, e anda de um lado para o outro. Nas imagens, também é possível ouvir ele gritar: "Venham testemunhar a honra ou desonra do policial militar da Bahia". E efetua mais de dez disparos.

Em nota enviada à imprensa no início da ação, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA) informou que o militar enfrentava uma "crise psicológica". Às 15h, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), CRP Atlântico, além de equipes da SSP e a Superintendência de Inteligência (SI) iniciaram a negociação, que terminou por volta das 18h35, com o soldado baleado.

Em novas imagens divulgadas, é possível ver a troca de tiros entre os militares e também o momento em que o soldado em crise cai ferido. Os tiros continuam até a imagem ser interrompida. Após a ação, em novo comunicado, a SSP afirmou que o homem atirou contra as equipes e que alternava entre "momentos de lucidez e acessos de raiva".

"Aproximadamente às 18h35, o soldado verbalizou que havia chegado o momento, fez uma contagem regressiva e iniciou os disparos contra as equipes do Bope. Após pelo menos dez tiros, o soldado foi neutralizado e socorrido", diz a nota.

Segundo o comandante do Bope, major Clédson Conceição, o objetivo era preservar a integridade física. "Buscamos, utilizando técnicas internacionais de negociação, impedir um confronto, mas o militar atacou as nossas equipes. Além de colocar em risco os militares, estávamos em uma área residencial, expondo também os moradores", afirmou.

Jornalistas ameaçados

No momento da troca de tiros entre Wesley e a polícia, um grupo de jornalistas que trabalhavam na cobertura do caso foi ameaçado por policiais, que chegaram a atirar para cima pelo menos três vezes. Em vídeo filmado por um dos profissionais da imprensa, a polícia tenta afastar os jornalistas - que pedem calma.

Por meio nota, o comandante-geral da PM, coronel Paulo Coutinho lamentou a ação. "O Bope adotou protocolos de segurança e o policial militar ferido foi socorrido imediatamente pelo SAMU. A corporação tomou conhecimento ainda de um vídeo do momento em que a imprensa acompanha o fato e é interpelada por um policial militar. A instituição ressalta o respeito à liberdade de expressão e ao trabalho dos jornalistas. O fato será devidamente apurado".

Bolsonaristas fazem uso político do caso

Após o desfecho da ação na Bahia, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro divulgaram diversas fake news sobre as intenções do soldado Wesley Soares. Nas postagens, o militar surtado teria feito o ato em protesto ao governador Rui Costa (PT).

Na madrugada e manhã desta segunda (29), milhares de mensagens davam outra versão do caso. "Eu não vou mais prender trabalhador, não entrei na polícia para prender pai de família", teria dito o militar segundo os bolonaristas.

Nesta segunda, as hashtags #RuiCostaGenocida e #WesleyHeroiNacional estão entre os termos mais pesquisados no trending topics. Contudo, as versões divulgadas não condizem com a versão oficial do governo e imprensa.
O coro dos radicais é estimulado por parlamentares bolsonaristas. Entre eles, a presidente  da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Bia Kicis.


O Estado de S. Paulo



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