Mundo

29/03/2021 | domtotal.com

ONU e entidades multilaterais defendem prorrogar alívio à dívida de emergentes

Secretário-geral sugere criar 'novo mecanismo' para aliviar impacto da pandemia

Fila de salvadorenhos diante de banco para receber auxílio emergencial
Fila de salvadorenhos diante de banco para receber auxílio emergencial (Yuri Cortez/AFP)

Em sessão da Organização das Nações Unidas (ONU), lideranças de entidades multilaterais defenderam a extensão de programas que aliviam o serviço da dívida de países pobres e pediram às nações desenvolvidas que fortaleçam, junto a instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), seus empréstimos às economias mais reprimidas pela crise do coronavírus.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu à comunidade internacional que implemente "um novo mecanismo" para aliviar a dívida dos países mais pobres. Guterres lançou "um apelo por ações urgentes", no contexto da "pior recessão desde a Grande Depressão", em uma conferência sobre financiamento para o desenvolvimento organizada na sede das Nações Unidas, em Nova York.

Os países do G20 - grupo que inclui nações ricas e em desenvolvimento - gastaram cerca de US$ 16 trilhões para impulsionar suas economias, mas muitas nações com menos recursos não podem fazer o mesmo, lamentou Guterres. "Alívios adicionais e oportunos da dívida para países vulneráveis, incluindo países de renda média, serão definitivamente necessários", assinalou.

O mecanismo do G20 para a suspensão da dívida, que expira no fim de junho, deve ser prorrogado até 2022 e ser proposto aos países de renda média que dele necessitem, solicitou o chefe da ONU. "Estamos à beira de uma crise da dívida", alertou o secretário-geral da ONU, observando que "um terço das economias emergentes estão expostas a um alto risco de crise orçamentária" e há seis países inadimplentes, incluindo Zâmbia e Líbano pela primeira vez em sua história.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva disse que a perspectiva para a economia global melhorou nos últimos meses, com a vacinação contra a Covid-19 e o apoio fiscal de governos. A situação, porém, diverge entre os países mais desenvolvidos, emergentes e de baixa renda, notou a dirigente. De acordo com ela, as economias mais pobres e emergentes, com exceção da China devem acumular perdas de até 20% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2022 por conta da crise, contra até 11% em nações mais ricas.

A perspectiva não só expõe a fragilidade de alguns países, como também coloca em xeque a vacinação contra a Covid-19 e a subsequente recuperação da economia global, alertou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

Preocupada com o tema, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia dobrou sua contribuição à iniciativa Covax, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Diante deste cenário, o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, afirmou ser essencial dar maior alívio ao serviço da dívida de países de baixa renda, por meio ferramentas como a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI, na sigla em inglês), que deve ser estendida até o fim de 2021, segundo o primeiro-ministro da Itália e atual presidente do Grupo dos 20, Mario Draghi.

Gurría afirmou que a iniciativa ajudou a melhorar a liquidez de países emergentes e de baixo desenvolvimento, em apoio que pode ser estendido a mais US$ 7,3 bilhões, segundo o presidente do Banco Mundial, David Malpass, que também participou da sessão.

Malpass também apontou para a alocação de mais recursos para conceder empréstimos a nações pobres entre as necessidades para apoiar uma recuperação sustentável da economia. O instrumento também conta também com o apoio da UE, segundo Von der Leyen. Outra preocupação do presidente do Banco Mundial é a mudança climática, que pode limitar a recuperação da economia de países emergentes, segundo ele.


Agência Estado/AFP/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!