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30/03/2021 | domtotal.com

Morre aos 72 anos o psicanalista e escritor Contardo Calligaris

Italiano radicado no Brasil é autor de livros sobre psicanálise, ficção e ensaios

Calligaris estudou com Roland Barthes e Michel Foucault em Paris
Calligaris estudou com Roland Barthes e Michel Foucault em Paris (Ares Soares/UFCE/Divulgação)

Contardo Calligaris, o italiano de olhar atento que levou a psicanálise para o cotidiano do brasileiro ao analisar, em seus textos publicados na Folha de S. Paulo e em seus livros de ficção e não ficção, temas ligados à existência humana, morreu aos 72 anos, em São Paulo. Ele estava internado no hospital Albert Einstein para o tratamento de um câncer. A informação da morte foi confirmada por seu filho Max Calligaris no Instagram.

Nascido em Milão, em 2 de junho de 1948, Contardo Calligaris cresceu cercado pelos escombros da Segunda Guerra Mundial. Ele iniciou sua formação pelas áreas de letras e filosofia, estudou na Suíça e na França e viveu também em Nova York. Para ele, a psicanálise surgiu primeiro como tratamento, e só depois como profissão. Calligaris se formou na Escola Freudiana de Paris, presidida por Jacques Lacan (1901-1981). Em sua formação, ele também teve aulas com Roland Barthes (1915-1980) e Michel Foucault (1926-1984).

Confira também:

Leia e ouça aqui a entrevista de Marco Lacerda com Contardo Calligaris publicada no Dom Total em 2009.

Contardo Calligaris veio ao Brasil pela primeira vez em meados dos anos 1980 para o lançamento de seu primeiro livro de psicanálise: Hipótese sobre o fantasma. Foi convidado a voltar periodicamente, para encontros com profissionais. Pouco tempo depois, em 1989, fixou residência aqui e viveu suas últimas décadas em São Paulo, onde se dividia entre o consultório e a atividade intelectual.

Em um de seus livros, Hello, Brasil! e Outros ensaios: Psicanálise da estranha civilização brasileira (Três Estrelas), lançado originalmente em 1991 e depois em 2017, o psicanalista parte de uma investigação pessoal - justamente o que o fez deixar a França no fim dos anos 1980 para se mudar para o Brasil - para fazer uma espécie de análise do país, passando pela persistência da herança escravocrata até a corrupção política.

Ele é autor de vários outros livros na área de psicanálise. Um de seus maiores sucessos é Cartas a um jovem terapeuta: Reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos, que ganhou uma edição ampliada da Planeta em 2019, uma década depois de seu lançamento.

Também recentemente, em 2019, pela Papirus, ele lançou Coisa de menina?: Uma conversa sobre gênero, sexualidade, maternidade e feminismo, com Maria Homem.

Desde 1999, Contardo Calligaris era colunista da Folha de S. Paulo. Pela coleção Folha Explica, da Publifolha, ele lançou um livro sobre a adolescência. Pelo selo Três Estrelas, saiu, em 2013, Todos os reis estão nus, com uma seleção de seus melhores textos publicados no jornal.

Sua estreia no romance foi em 2008, com O conto do amor, pela Companhia das Letras. Nele, o autor brinca com elementos biográficos - o protagonista, Carlo Antonini, é um psicanalista com consultório em Nova York e filho de um pai engajado na resistência antifascista italiana - e tem como tema central a busca da identidade.

Calligaris retoma seu personagem em A mulher de vermelho, lançado em 2011 também pela Companhia das Letras. O romance mistura investigação psicanalítica e policial, passado e presente. Em uma entrevista concedida em 2015, o psicanalista contou que se voltaria mais uma vez a Carlo Antonini, num terceiro romance que abordaria a infância do personagem numa obra ainda mais autobiográfica. Não há previsão de publicação.

Os dois romances deram origem à série Psi, produzida pela HBO e que teve quatro temporadas (a mais recente é de 2018) que estão disponíveis na HBO Go. Psi foi criada pelo próprio autor e dirigida por Max Calligaris, seu filho, e por Marcus Baldini.


Agência Estado/Dom Total



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