Economia

31/03/2021 | domtotal.com

Desemprego no Brasil volta a subir no trimestre e chega a 14,2% em janeiro

País tem 34,12 milhões de trabalhadores atuando informalmente, segundo o IBGE

Em janeiro, 9,8 milhões atuavam sem carteira assinada, 339 mil a mais que no trimestre anterior
Em janeiro, 9,8 milhões atuavam sem carteira assinada, 339 mil a mais que no trimestre anterior (Futura/Divulgação)

O desemprego no Brasil subiu em novembro-janeiro, no início da segunda onda da pandemia no país, para 14,2%, depois de quatro quedas sucessivas que levaram o índice a 13,9% em outubro-dezembro, de acordo com dados oficiais publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (31).

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostram que em novembro-janeiro de 2020, antes do registro do primeiro caso de coronavírus no Brasil, o índice de desemprego era de 11,2%, três pontos percentuais a menos que na atualidade.

O número de pessoas em busca de trabalho chegou a 14,2 milhões, 2,3 milhões a mais que um ano atrás, segundo as pesquisas com base em trimestres móveis. O IBGE explica que o último período analisado reflete ainda a influência positiva do fim de ano, já que "novembro e dezembro foram meses de crescimentos importantes" da ocupação.

A população inativa somou 76,377 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro, 817 mil a menos que no trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2020, a população inativa aumentou em 10,644 milhões de pessoas.

O nível da ocupação - porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar - subiu de 48,0% no trimestre encerrado em outubro para 48,7% no trimestre até janeiro. No trimestre terminado em janeiro de 2020, o nível da ocupação era de 54,8%.  A população ocupada somou 86,025 milhões de pessoas, 1,725 milhão de trabalhadores a mais em um trimestre. Em relação a um ano antes, 8,126 milhões de pessoas perderam seus empregos.

O total de desocupados cresceu 1,5% em relação a outubro, 211 mil pessoas a mais em busca de uma vaga. Em relação a janeiro de 2020, o número de desempregados aumentou 19,8%, o que significou 2,359 milhões de pessoas a mais procurando trabalho.

De acordo com o IBGE, o país alcançou uma taxa de informalidade de 39,7% no mercado de trabalho no trimestre até janeiro, com 34,118 milhões de trabalhadores atuando informalmente. Em apenas um trimestre, mais 1,404 milhão de pessoas passaram a atuar como trabalhadores informais. Segundo o IBGE, cerca de 81% das vagas geradas no trimestre até janeiro foram informais. No entanto, o contingente de informais ainda é 4,673 milhões inferior ao de outubro de 2019.

Setor privado

O trimestre encerrado em janeiro de 2021 mostrou uma abertura de 23 mil vagas com carteira assinada no setor privado em relação ao trimestre encerrado em outubro. No entanto, na comparação com o trimestre até janeiro de 2020, 3,918 milhões de vagas com carteira assinada foram perdidas no setor privado.

O total de pessoas trabalhando com carteira assinada no setor privado foi de 29,792 milhões no trimestre até janeiro, enquanto outras 9,809 milhões atuavam sem carteira assinada, 339 mil a mais que no trimestre anterior. Em relação ao trimestre até janeiro de 2020, foram extintas 1,864 milhão de vagas sem carteira no setor privado.

O trabalho por conta própria ganhou 1,047 milhão de pessoas a mais em um trimestre, mas ainda está 1,072 milhão menor em relação a um ano antes, totalizando 23,503 milhões de pessoas. O número de empregadores diminuiu em 7 mil pessoas em um trimestre. Em relação a janeiro de 2020, o total de empregadores é 548 mil inferior.

O país teve um aumento de 212 mil pessoas no trabalho doméstico em um trimestre, para 4,919 milhões de pessoas, mas esse contingente ainda é 1,341 milhão menor que no ano anterior. A única categoria da ocupação com aumento no número de trabalhadores em um ano foi o setor público, com 514 mil ocupados a mais no trimestre terminado em janeiro de 2021 ante o trimestre encerrado em janeiro de 2020. Na comparação com o trimestre até outubro de 2020, foram abertas 48 mil vagas.

O comércio abriu 206 mil vagas no trimestre. Na passagem do trimestre terminado em outubro para o trimestre encerrado em janeiro houve geração de vagas em todas as atividades: outros serviços (152 mil ocupados), indústria (33 mil), alojamento e alimentação (90 mil), transporte (58 mil), agricultura, pecuária, produção florestal pesca e aquicultura (225 mil), construção (178 mil), serviços domésticos (228 mil), informação, comunicação e atividades financeiras (313 mil) e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (225 mil).

Em relação ao patamar de um ano antes, a agricultura ganhou 257 mil trabalhadores, e a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais contratou 206 mil trabalhadores a mais.

Houve perdas em todas as demais atividades. A construção demitiu 693 mil, o comércio dispensou 1,964 milhão. Alojamento e alimentação fechou 1,585 milhão de vagas, e serviços domésticos perderam 1,308 milhão de trabalhadores. A indústria dispensou 1,251 milhão de funcionários, enquanto o setor de informação, comunicação e atividades financeiras demitiu 164 mil. Transporte perdeu 702 mil vagas, e outros serviços demitiram 938 mil pessoas.

A economia brasileira se contraiu 4,1% no ano passado, muito menos que o esperado no início da pandemia, graças ao auxílio emergencial pago a quase um terço da população para enfrentar os efeitos das medidas de confinamento.


Agência Estado/AFP/Dom Total



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