Brasil Política

31/03/2021 | domtotal.com

Bolsonaro nomeia novos comandantes das Forças Armadas

Presidente respeita critérios de antiguidade e escolhe Paulo Sérgio Nogueira para chefiar o Exército

Novo comando das Forças Armadas foi anunciado nesta quarta-feira
Novo comando das Forças Armadas foi anunciado nesta quarta-feira (Reprodução / Facebook)

O presidente Jair Bolsonaro nomeou os três novos comandantes militares, após a saída conjunta do Alto Comando Militar devido à demissão do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, na segunda-feira, e em ato de recusa às tentativas do presidente de politizar as Forças Armadas.

Os nomeados foram o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira como novo comandante do Exército, que substitui o general Edson Pujol, principal foco de tensão com o Planalto. Para a Marinha, o escolhido foi o almirante Almir Garnier, e na Aeronáutica, o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior.

O anúncio foi feito pelo novo ministro da Defesa, o general Braga Neto e foi bastante breve, mencionando o papel constitucional das Forças Armadas de defender o país e seu esforço em contribuir no combate à pandemia de Covid-19. Obrevediscurso se choca com a carta divulgada na véspera pelo mesmo general, na qual defendeu a importância história do golpe militar de 1964.

O general Paulo Sérgio é o terceiro no comando da força terrestre, a mais importante das três forças, pelo critério de antiguidade. Com isso, Bolsonaro repete a ex-presidente Dilma Rousseff ao quebrar a tradição de escolher o oficial mais antigo para comandar a tropa.

O general Paulo Sérgio ganhou notoriedade nas redes sociais no último domingo ao aparecer em reportagem do Correio Braziliense defendendo as medidas de segurança da Organização Mundial de Saúde (OMS) no combate à pandemia. "Todas as medidas sanitárias, diretrizes emanadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são rigorosamente cumpridas em nossos quartéis", declarou o general Paulo Sérgio, responsável pelo setor de Recursos Humanos do Exército. " Foi uma coisa muito disciplinada, no uso da máscara, no afastamento social nos refeitórios, nos dormitórios", disse ao jornal.

A entrevista do general, chefe do Departamento-Geral do Pessoal, foi apontada como uma das razões para Bolsonaro ter demitido o agora ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva. Ao Correio Braziliense, o militar apontou a possibilidade de uma 3ª onda da covid-19 no país nos próximos meses e defendeu lockdown, contrariando o que prega o presidente, crítico a medidas de isolamento social.

Dois generais ouvidos pela reportagem afirmaram que Bolsonaro defendeu uma punição ao oficial, mas Azevedo não concordou. O presidente, então, pediu a demissão do ministro. Outros fatores também contribuíram para a queda de Azevedo: 1) ter mandado o general Eduardo Pazuello de volta para o quartel, quando Bolsonaro queria alocá-lo na Esplanada; 2) se recusou a confrontar decisões do Supremo Tribunal Federal, como queria o presidente; 3) se recusou a trocar o comandante do Exército, Edson Pujol, com quem Bolsonaro nunca teve boas relações.

Com a decisão, porém, Bolsonaro tenta apaziguar os ânimos e passar para a tropa que vai manter a continuidade. O general Paulo Sérgio é próximo de Azevedo.

Preterido na escolha, o general mais antigo na cúpula do Exército, general José Luiz Freitas, elogiou a escolha pelas redes sociais. "Escolhido o novo Comandante do Exército, general Paulo Sérgio, excepcional figura humana e profissional exemplar. Como não poderia deixar de ser, continuaremos unidos e coesos, trabalhando incansavelmente pelo Exército de Caxias e pelo Brasil!", postou.

Na Marinha, o escolhido por Bolsonaro foi o almirante Almir Garnier. Neste caso, o presidente também ignorou a tradição e optou pelo segundo da lista de antiguidade. Na Aeronáutica, assumirá o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, que demonstra nas redes sociais ser afinado ao governo, compartilhando mensagens ligadas a grupos de direita. Ele era o primeiro no critério de antiguidade.

Mais cedo, antes das escolhas serem anunciadas, o vice-presidente Hamilton Mourão defendeu o respeito ao critério de antiguidade na escolha da nova cúpula militar. Os oficiais costumam pedir para deixar a ativa como forma de não serem comandados por um antigo subordinado, uma inversão na hierarquia.

O presidente também havia sido aconselhado a seguir a lista para não criar atritos com generais mais experientes. Isso porque os oficiais mais antigos passam à reserva se um militar mais "moderno", com menos tempo de Exército, for alçado ao comando. A aposentadoria não é uma regra compulsória, mas costuma ter força de norma não escrita nos quartéis.


Agência Estado/Dom Total



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