Brasil Política

06/04/2021 | domtotal.com

Novo ministro da Justiça vai trocar comando da Polícia Federal após aval de Bolsonaro

Mudança ocorre onze meses após polêmica indicação de Alexandre Ramagem

Nome do novo chefe da PF ainda não anunciado
Nome do novo chefe da PF ainda não anunciado (Carolina Antunes/PR)

O novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na semana passada, irá substituir o diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Souza. Será a segunda troca na Diretoria-Geral do órgão, que no início do governo Bolsonaro foi chefiado pelo delegado Maurício Valeixo, indicado pelo ex-ministro Sergio Moro. Também será trocado o chefe da Polícia Rodoviária Federal, Eduardo Aggio. Os novos chefes da PF e da PRF devem ser anunciados até o fim da semana.

Durante a gestão Rolando de Souza, a PF abriu inquéritos que incomodaram Bolsonaro. O mais recente deles, iniciado em março, investiga negócios envolvendo Jair Renan Bolsonaro, o filho “Zero Quatro” do presidente. Segundo a procuradoria da República no Distrito Federal, o objetivo é saber se houve crime de tráfico de influência e lavagem de dinheiro envolvendo um grupo empresarial do setor de mineração e o filho de Bolsonaro.

Também foi aberto inquérito contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para apurar se ele cometeu crimes na gestão da pandemia. Outras duas apurações em andamento na PF que interessam indiretamente o presidente são as que tratam dos atos antidemocráticos e o chamado inquérito das fake news.

A definição sobre a mudança na PF foi feita após uma conversa entre Bolsonaro e o ministro, empossado na semana passada. Delegado de carreira, Torres mantém relação próxima com o presidente desde o tempo em que os dois trabalhavam na Câmara dos Deputados — enquanto Bolsonaro foi deputado federal, o agora ministro foi assessor legislativo de uma associação de delegados Polícia Federal e também foi chefe de gabinete do deputado Fernando Francischini (PSL-PR).

O discurso no governo é o de que Bolsonaro deu liberdade total para o novo ministro da Justiça montar sua equipe com as indicações que ele achar pertinente para os cargos — daí a escolha de um novo diretor geral para a PF. No entanto, a mudança não fazia parte dos planos de Torres, quando havia sido convidado, segundo um interlocutor.

Polêmica

A troca na diretoria-geral da PF vem onze meses após a polêmica substituição de Maurício Valeixo, que levou ao pedido de demissão de Moro, sob alegação de interferência indevida no órgão. Na época, o plano de Bolsonaro era nomear para o comando da PF o delegado Alexandre Ramagem, de quem é amigo, mas a indicação foi barrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Rolando, que trabalhava com Ramagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi a alternativa encontrada.

A PF ainda conduz o inquérito aberto pelo STF para apurar se Bolsonaro interferiu indevidamente no órgão, alegação que foi feita por Moro.

Um dos episódios sob investigação, nesse caso, é a reunião interministerial de abril de 2020, em que Bolsonaro se queixou da Polícia Federal por, supostamente, não lhe dar “informações”.

“Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não têm informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento, etc. A gente não pode viver sem informação”, disse Bolsonaro na reunião, que foi gravada em vídeo posteriormente divulgado.

“E me desculpe o serviço de informação nosso — todos -— é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade”, afirmou também Bolsonaro.

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f… minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, afirmou também Bolsonaro naquela reunião.


Agência Estado



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