Religião

13/04/2021 | domtotal.com

Muçulmanos iniciam Ramadã em meio aos riscos da pandemia

Mês do jejum tem suspensão ou redução das celebrações pelo temor do contágio do coronavírus

Muçulmanos em mesquita de Dacca, Bangladesh
Muçulmanos em mesquita de Dacca, Bangladesh (REHMAN ASAD/AFP)

Centenas de milhões de muçulmanos em todo o mundo iniciam, nesta terça-feira (13), o Ramadã, o tradicional mês do jejum, à sombra do coronavírus, que forçou a suspensão ou redução das celebrações pelo temor do contágio.

A Europa, continente mais afetado pela pandemia, superou um milhão de mortes desde o início da crise de saúde, enquanto o sul da Ásia registra recordes de contaminações, em especial a Índia, país de mais de 1,3 bilhão de habitantes.

A vacinação se tornou a única esperança para populações cansadas de restrições. A Índia autorizou nesta terça o uso da vacina russa Sputnik V, um dia depois de o país registrar 161 mil contágios adicionais, superando pelo sétimo dia consecutivo a marca de 100 mil novos casos diário.

O número de mortes provocadas pela Covid-19 em todo o mundo se aproxima de três milhões, segundo o balanço da AFP com base em fontes oficiais.

Neste contexto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a pandemia de Covid-19 entrou em uma fase "crítica" com as infecções se acelerando, apesar das restrições e das campanhas de vacinação.

Jejum em plena pandemia

Da Indonésia ao Egito, milhões de muçulmanos iniciam o jejum sagrado do Ramadã, um dos cinco pilares do Islã. A pandemia impõe, no entanto, restrições, que variam de país a país.

Em Jacarta, a mesquita de Istiqlal – a maior do sudeste asiático – recebeu os fiéis pela primeira vez na segunda-feira à noite após mais de um ano de fechamento devido ao coronavírus.

Mohamad Fathi, morador da capital indonésia, afirmou que este ano o Ramadã é mais feliz que o de 2020, quando os fiéis não foram autorizados a participar nas orações da tarde do 'tarawih'

"O ano passado foi muito triste, não fomos autorizados a frequentar a mesquita para a oração do tarawih", explicou.

"Mas este ano estou muito feliz porque podemos orar na mesquita, embora sob estritas medidas de controle sanitário", exclamou.

O governo da Indonésia – a maior nação de maioria muçulmana – determinou limites para as mesquitas, que podem receber apenas 50% de sua capacidade total. Além disso, os fiéis devem usar máscara e carregar os próprios tapetes de oração.

Muitas regiões indonésias proibiram as reuniões habituais ao final do jejum, e os líderes religiosos estimulam as pessoas a orar em suas casas nas regiões com altos níveis de contaminação.

Peregrinos imunizados

A Arábia Saudita, um dos países com o maior número de locais sagrados do islã, anunciou que apenas pessoas imunizadas contra a Covid-19 poderão participar na umrah, a pequena peregrinação à Meca, a partir do início do Ramadã.

No Egito, as restrições são muito menos rígidas que no ano passado e as pessoas celebraram nas ruas o início do mês de jejum.

No Paquistão, onde o jejum começa apenas na quarta-feira, a terceira onda do coronavírus é mais letal. O governo pediu às mesquitas que recebam os fiéis em áreas abertas e observem de maneira estrita o distanciamento social.

Na Europa, o governo da chanceler alemã Angela Merkel aprovou nesta terça-feira um endurecimento da lei de proteção contra as infecções, que permite, a partir de agora, impor restrições unificadas em todo o território para combater melhor a pandemia de Covid-19.

Além disso, várias organizações internacionais, incluindo a OMS, pediram nesta terça a suspensão no mundo inteiro da venda de mamíferos selvagens vivos em feiras e mercados de alimentos, devido aos riscos de transmissão ao ser humano de novas doenças infecciosas.

A transmissão ao ser humano do vírus da Covid-19 por esta via é uma das hipóteses preponderantes dos especialistas que trabalham para a OMS.

Em seu recente relatório sobre as origens da doença, os especialistas destacaram que um mercado de Wuhan – a metrópole chinesa em que foram registrados os primeiros casos – parece ter sido um dos pontos mais importantes de propagação da pandemia no fim de 2019.


AFP



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