Ciência e Tecnologia

19/04/2021 | domtotal.com

Enriquecimento de urânio, uma tecnologia para uso civil e militar

O urânio natural, conforme extraído do solo, é 99,3% urânio 238, não físsil

Vista aérea do complexo nuclear de Natanz, no centro do Irã, em 28 de janeiro de 2020, obtida  por Maxar Technologies
Vista aérea do complexo nuclear de Natanz, no centro do Irã, em 28 de janeiro de 2020, obtida por Maxar Technologies (AFP)

O enriquecimento de urânio é o aspecto mais sensível do programa nuclear do Irã, que poderia, graças a essa tecnologia, fabricar a bomba atômica, embora sempre tenha negado ter esse objetivo.

Esse processo consiste em aumentar os isótopos físseis do urânio 235, que é inicialmente convertido em hexafluoreto de urânio (UF6) e depois enriquecido, principalmente em centrífugas.

O urânio natural, conforme extraído do solo, é 99,3% urânio 238, não físsil. A parte físsil, o urânio 235, corresponde a apenas 0,7%.

Enriquecido entre 3% e 5%, esse urânio é usado para abastecer usinas nucleares para a produção de eletricidade.

Até 20%, é usado para produzir isótopos médicos, usados principalmente no diagnóstico de alguns tipos de câncer.

Para fazer uma bomba, o enriquecimento deve ser elevado até 90%.

De 3,67% a 20%

De acordo com os acordos alcançados em Viena em 2015 com as grandes potências (Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, China e Rússia), o Irã concordou em limitar o nível de enriquecimento a 3,67% para um limite de 202,8 quilos (ou 300 quilos equivalente de UF6).

Mas em resposta à decisão de Donald Trump em 2018 de se retirar do acordo, o país progressivamente voltou atrás em seus compromissos.

O Irã enriqueceu, em um primeiro momento, até 5%. Segundo o último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pelo monitoramento das atividades nucleares do país, a quantidade desse urânio levemente enriquecido ultrapassou o limite autorizado em 14 vezes em meados de fevereiro: chegou a 2.967,8 quilos na época.

Em janeiro, o Irã iniciou o processo para subir para 20%. Suas reservas enriquecidas nessa taxa agora sobem para 55 kg, de acordo com dados recentes da Organização Iraniana de Energia Atômica.

60%, um limite inédito

Na terça-feira, a República Islâmica anunciou sua intenção de chegar a 60%, um limite sem precedentes de acordo com especialistas.

Os iranianos "nunca passaram dos 20%", disse Robert Kelley, ex-diretor de inspeções da AIEA.

E também, em paralelo, aumentaram muito o número e os resultados de suas centrífugas para "produzir mais, melhor e mais rápido". No total, o número de máquinas passou de 5.060 antes do acordo de 2015 para mais de 6.400 em fevereiro.

No entanto, Kelley pediu prudência. "É um grande passo à frente", "uma provocação", mas não é "suficiente" para fazer uma bomba atômica, afirmou.

Se o Irã talvez será capaz de produzir muito urânio nos próximos anos, precisará depois transformá-lo em em arma e adaptá-lo a um míssil, o que "exige muitas etapas" (compostos químicos, explosivos, aspecto eletrônico...), diz o especialista.


AFP



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