Coronavírus

14/04/2021 | domtotal.com

Vacinas não podem interromper pandemia agora na maioria dos países, diz Opas

Imunização deve ser reforçada por medidas de distanciamento social

Vacinação continua lenta no Brasil
Vacinação continua lenta no Brasil (João Viana / Semcom)

A diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne alertou, durante entrevista coletiva virtual nesta quarta-feira (14), para o fato de que as vacinas contra a Covid-19 não podem interromper a crise de saúde agora, na maioria dos países. Em um quadro ainda de dificuldades para obtenção dos imunizantes, a entidade reforçou a importância de se adotar medidas já sabidas para conter as transmissões, como o uso de máscaras e o distanciamento social. "Precisamos lembrar o que já aprendemos sobre os riscos do vírus e como pará-lo", alertou.

Etienne informou que, na última semana, 1,3 milhão de pessoas tiveram diagnóstico de Covid-19 nas Américas, com quase 36 mil mortes. "A América do Sul continua a ser o epicentro da pandemia", disse ela. A autoridade destacou o aumento no número de casos em países da Bacia Amazônica, entre eles o Brasil. Etienne também afirmou que cepas mais contagiosas da covid-19 têm se disseminado pelas Américas.

A diretora da Opas lembrou o fato de que a vacina da Johnson & Johnson teve recomendação de suspensão do uso nos EUA nesta semana. Segundo Etienne, em breve autoridades devem emitir "recomendações adicionais" sobre esse tema.

Ela notou, de qualquer modo, que os efeitos adversos nas vacinas são "muito raros". Enquanto isso, recomendou que continuem a ser aplicadas as vacinas da AstraZeneca - que tiveram também alguns registros raros de coágulos.

Etienne pediu ainda que os líderes mostrem união para combater a pandemia, no quadro atual. E comentou sobre a Iniciativa Covax de distribuição de imunizantes.

Segundo ela, nas últimas semanas fornecedores das vacinas enfrentaram dificuldades, por isso houve uma desaceleração nas entregas. Mas Etienne afirmou que nas próximas semanas a expectativa é de normalização dessas entregas.

Acesso

Diretor assistente da Opas, Jarbas Barbosa afirmou que, até o mês de junho, o acesso a vacinas contra a Covid-19 na América Latina será "muito limitado". Ele fez a declaração ao tratar da Iniciativa Covax de distribuição de imunizantes, durante entrevista coletiva virtual da entidade.

Barbosa disse que cerca de 70% das entregas previstas de vacinas na Iniciativa Covax devem ocorrer de junho em diante. Segundo ele, na América do Sul apenas 9,4% da população recebeu ao menos uma dose da vacina contra o vírus. Nesse contexto, alertou para o fato de que, a fim de se evitar novas cepas da Covid-19, é importante que exista um acesso balanceado às vacinas pelo mundo.

A autoridade de saúde pediu que as empresas não concentrem suas entregas apenas para os países desenvolvidos, com os quais já têm contratos. Barbosa comentou que existe o risco de que, se houver muitas transmissões, possam surgir cepas não cobertas pelas vacinas atuais, o que seria um revés global importante para conter a crise de saúde.

Também presente na coletiva, o gerente de Incidentes da Opas, Sylvain Aldighieri, comentou sobre a variante do vírus encontrada inicialmente no Brasil. Segundo ele, essa cepa "pode ser mais transmissível, mas não mais agressiva" do que a original.

Além disso, Aldighieri lembrou que há estudos em andamento para se saber se a cepa encontrada originalmente no país afeta um pouco a imunidade ao vírus.



Agência Estado/DomTotal



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