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18/04/2021 | domtotal.com

Casamento de menores afeta independência de mulheres na América Latina e no Caribe

Em média, 26% das mulheres entre 15 e 49 anos não têm poder de decisão

Um relatório do UNFPA aborda a falta de autonomia de mulheres na América Latina e no Caribe
Um relatório do UNFPA aborda a falta de autonomia de mulheres na América Latina e no Caribe (Pexels)

Uma em cada quatro mulheres carece de autonomia para decidir sobre seu corpo na América Latina e no Caribe, principalmente devido ao alto índice de casamentos de menores de idade, alerta um relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) apresentado (14) no Panamá.

"Em nossa região, como no mundo, existem mulheres, meninas e jovens que não têm controle sobre seus corpos e suas vidas, apesar desse ser um direito fundamental", disse Harold Robinson, diretor regional do UNFPA para a América Latina e o Caribe, durante a apresentação do documento.

Segundo o estudo, em média, 26% das mulheres latino-americanas e caribenhas entre 15 e 49 anos não têm poder de decisão sobre questões de saúde sexual e reprodutiva, uso de anticoncepcionais ou manutenção de relações sexuais.

O relatório, intitulado "Meu corpo me pertence", afirma que, em nível global, apenas metade das mulheres pode tomar decisões relacionadas a seus cuidados médicos, suas relações sexuais e o uso de métodos contraceptivos.

"Todas essas são realidades que (também) ocorrem em nossas comunidades e países da região e ameaçam a autonomia corporal", afirmou Robinson à AFP.

"Não podemos nos conformar", frisou Neus Bernabeu, assessora de gênero e juventude do escritório regional do UNFPA, com sede no Panamá.

- Futuro "roubado" -

No caso da América Latina e do Caribe, um dos principais obstáculos à autonomia das mulheres é o alto índice de casamentos de menores: uma em cada quatro se casa ou inicia uma união antes dos 18 anos, de acordo com o relatório.

As consequências são "devastadoras" porque o futuro dessas menores é "roubado", lamentou Robinson.

Os especialistas consideram que esses casamentos precoces se devem a vários fatores, como desigualdade de gênero, violência, pobreza, evasão escolar, gravidez na adolescência e marcos legais inadequados.

Alertam, inclusive, que às vezes os casamentos de menores ocorrem como uma estratégia para escapar da pobreza. Porém, condicionam a saúde e o futuro da mulher, que tem que abandonar a escola e não pode tomar decisões por pressão social, cultural ou de seu parceiro.

Além disso, o fenômeno pode facilitar a violência de gênero devido à falta de oportunidades e de independência econômica.

"Na América Latina e no Caribe, pelo menos três em cada dez mulheres que se casaram durante a infância foram vítimas de violência por parte de seus parceiros", disse Robinson.

"A autonomia corporal é um conceito fundamental para o desfrute de todos os direitos humanos", no entanto, essa ainda é "apenas uma possibilidade remota para muitas pessoas na América Latina e no Caribe", apontou.


AFP



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