Religião

18/04/2021 | domtotal.com

Papa volta a rezar com peregrinos na Praça de São Pedro

Francisco pede gestos de paz na Ucrânia durante a oração do 'Regina Coeli', feita da janela do Palácio Apostólico

Francisco na janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça de São Pedro, no Vaticano, em 18 de abril de 2021
Francisco na janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça de São Pedro, no Vaticano, em 18 de abril de 2021 (VINCENZO PINTO/AFP)

O papa Francisco reapareceu neste domingo(18) na tradicional janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça de São Pedro para pronunciar em público sua tradicional oração semanal, que desde 21 de março vinha sendo transmitida de sua biblioteca, devido às restrições da pandemia.

"Uma cordial saudação a todos vocês, romanos e peregrinos brasileiros, poloneses e espanhóis (...). Graças a Deus, podemos nos encontrar novamente neste lugar para o nosso encontro dominical", lançou o papa, sorrindo, perante os fiéis na majestosa praça emoldurada pela famosa colunata de Gian Lorenzo Bernini, em frente à imponente Basílica de São Pedro.

"Devo confessar a vocês uma coisa: senti falta da praça. Quando tive que rezar na biblioteca, não estava contente. Graças a Deus, obrigada pela presença (...) desejo a todos um bom domingo!"

A oração do último domingo pronunciada pelo papa em público datava de 14 de março. As restrições contra o coronavírus adotadas na Itália, e portanto em Roma, onde está localizado o Vaticano, não permitiam a realização de reuniões e foi necessário suspender este evento popular entre fiéis, peregrinos e turistas.

Francisco expressou sua "preocupação" com o "aumento das atividades militares" na Ucrânia, onde a Rússia é acusada de implantar numerosas tropas na Crimeia (uma península anexada em 2014) e na fronteira, com novos combates, que quase acabaram com a trégua do verão (boreal) de 2020.

"Estou profundamente preocupado com os acontecimentos em algumas regiões da Ucrânia, onde nos últimos meses se multiplicaram as violações do cessar-fogo", disse ele em uma passagem de seu discurso aos fiéis.

Pregação

O papa disse durante o Regina Coeli – oração mariana que substitui o Ângelus durante o período pascal – que o Cristianismo exige a atenção ao próximo, a partir da "relação viva" com Jesus, superando visões que limitam a fé a questões de doutrina ou moral.

"Ser cristão não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é a relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado: vejamo-lo, toquemo-lo, alimentemo-nos dele e, transformados pelo seu amor, vejamos, toquemos e alimentemos os outros como irmãos e irmãs", sustentou.

A intervenção dominical sublinhou que ver o outro é "o primeiro passo contra a indiferença, contra a tentação de virar o rosto diante das dificuldades e sofrimentos dos outros".

Depois de ter visto, assinalou o papa, os cristãos são desafiados a "tocar" a vida de quem sofre. "Não existe um Cristianismo à distância. Não existe um cristianismo apenas no plano do olhar. Não: o amor pede que se veja, mas também a proximidade, pede contato, a partilha de vida", precisou.

No terceiro domingo do tempo pascal, Francisco refletiu sobre uma passagem do Evangelho que relata um encontro de Jesus com os seus discípulos, após a ressurreição, sublinhando que Cristo "não é um fantasma, mas uma pessoa viva".

O papa destacou a importância das refeições de Jesus com os seus discípulos, "ao ponto de o banquete eucarístico se ter tornado o sinal emblemático da comunidade cristã". "Comer juntos o Corpo de Cristo: isto é o centro da vida cristã", observou.

Francisco evocou, a este respeito, o testemunho de seis religiosos da congregação cisterciense de Casamari, na Itália, que foram beatificados este sábado. Os mártires Simone, Domenico, Albertino, Modesto, Zosimo e Maturino foram mortos em 1799, num saque de soldados franceses, quando "resistiram com coragem heroica, até à morte, para defender a Eucaristia da profanação".

"Que o seu exemplo nos leve a um maior empenho de fidelidade a Deus, capaz também de transformar a sociedade e de a tornar mais justa e fraterna", disse o papa, que pediu um aplauso para os novos beatos. 


AFP/Ecclesia/Dom Total



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