Religião

19/04/2021 | domtotal.com

Sequestradores libertam uma pessoa e mantêm religiosos cativos no Haiti

Conferência Episcopal do Haiti havia denuncia o que chama de 'ditadura do sequestro'

Policiais em Porto Príncipe (fevereiro)
Policiais em Porto Príncipe (fevereiro) (Valerie Baeriswyl/AFP)

Uma das dez pessoas sequestradas nas proximidades de Porto Príncipe no domingo, 11 de abril, teria sido libertada, informou em seu site na noite de sábado o jornal Le Telegramme. Ainda estão nas mãos dos sequestradores 5 sacerdotes, 2 religiosas e 2 parentes de um dos sacerdotes.

"Neste sábado, 17 de abril, uma fonte haitiana nos informou que um dos reféns havia sido libertado. De acordo com elementos em nosso poder, um resgate de $ 50 mil teria sido pago aos sequestradores pela libertação do grupo. Contra todas as previsões, a quadrilha, chamada 400 Mawozo, libertou apenas um refém. Trata-se da mãe do padre Jean Anel Joseph, que no último domingo deveria assumir sua nova paróquia", escreve o jornal, acrescentando que "a haitiana, de cerca de 70 anos, era a mais vulnerável do grupo e sua saúde estava se tornando preocupante".

Após a libertação, os sequestradores não teriam mais entrado em contato com os padres de Saint-Jacques, a quem as autoridades confiaram a tarefa de conduzir as negociações.

Na quinta-feira, 15 de abril, escolas haitianas, públicas e privadas, bem como muitas atividades comerciais permaneceram fechadas em sinal de solidariedade aos reféns, mas também em protesto contra a insegurança que atinge o país há muitos meses.

Os sacerdotes sequestrados pertencem à Sociedade dos Padres de Saint Jacques. Entre as duas religiosas e dois fiéis leigos encontram-se Michel Briand, missionário bretão de 67 anos de Messac – que vive na ilha há muitos anos – e Agnès Bordeau, religiosa de Sarthe.

Jornada dos bispos

Na última quinta-feira, a Conferência Episcopal do Haiti organizou uma jornada nacional de sensibilização contra a "ditadura do sequestro", com suspensão de atividades das instituições católicas, que se traduziu em celebrações, repique de sinos e missas (incluindo de comunidades de haitianos em países como a República Dominicana, os Estados Unidos e a França). A celebração principal decorreu numa igreja da cidade de Porto Príncipe, com a presença de 11 bispos.

Esta assim designada "missa pela mudança no Haiti" não apenas lotou o espaço de culto como reuniu uma pequena multidão à volta dele. Relatos de testemunhas indicam que grupos de jovens entoaram slogans de repúdio pela violência ("Estamos fartos! Estamos fartos!") e de crítica aos governantes ("Abaixo Jovenel!", referindo-se ao presidente do Haiti), em alguns momentos do ato.

No final da missa, quando o cortejo dos celebrantes descia pelo meio do tempo, a tensão degenerou em caos, quando se ouviram gritos de que estavam a lançando lacrimogêneo, levando a que uma parte dos presentes tivesse de ser socorrida. A outra parte, que veio para a rua, foi objeto de violência de forças policiais que se encontravam no exterior da igreja.

 O presidente da República do Haiti procurou acalmar a situação ao demitir o governo e prometendo convocar finalmente novas eleições em setembro próximo (deveriam ter ocorrido em 2019). A instabilidade política (meia dúzia de governos nos últimos cinco anos), a insegurança e o medo têm pautado a vida deste país de maioria católica, com uma área de um terço da de Portugal e perto de 12 milhões de habitantes.


Vatican News/Dom Total/ Sete Margens



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