Religião

23/04/2021 | domtotal.com

O rei e eu

Roberto Carlos chega ao 80 anos ainda majestoso

Roberto é reverenciado por uma espécie de 'harém' que o acompanha em qualquer lugar
Roberto é reverenciado por uma espécie de 'harém' que o acompanha em qualquer lugar (Cica Neder/Brazil Photo Press/AFP)

Eleonora Santa Rosa*

Um pouco mais leve hoje, de altas da política nacional, nem que seja por uma semana.

Quando criança já quase adolescente, fã de televisão, assistia, com grande curiosidade e alegria, uma série inusitada, mas bastante afamada, chamada O rei e eu.

Yul Brynner e Deborah Kerr formavam o par-personagem do exitoso seriado americano, com locações e figurinos impecáveis, além de diálogos divertidíssimos. Acompanhava e curtia pacas! Já adulta nunca mais vi, nem sei mesmo se chegou a ser reprisado. Por causa dele, passei a admirar o russo Brynner e sua calva, em função do papel principal, mantida em outros sucessos do ator em faroestes históricos. 

O nome da série me veio à lembrança em função de outro rei, o nosso rei Roberto Carlos, que chega aos 80 anos, de cabeleira e tudo. Não tão vasta como antigamente por certo, remodelada, mas ainda presente assim como os traços, hábitos e estilo que o consagraram. RC, capixaba, morador da Urca, tem uma trajetória fundamental e única na MPB, sendo reconhecido e reverenciado não só por 'súditos' anônimos e consagrados, mas, sobretudo, por 'súditas', uma espécie de 'harém' que acompanha o ídolo em qualquer lugar que se apresente no Brasil ou mesmo no exterior.

Roberto não foi uma estrela primeira no meu céu musical. Na verdade, só mais tarde, depois dos 30 anos, alcancei a dimensão de seu papel, de seu lugar e de seu significado, para lá de leituras ou análises parciais que li e ouvi, muitas delas preconceituosas e de natureza limitadora. Tinha notícias de seus shows, do delírio da plateia feminina, do profissionalismo de sua banda, de seu timing perfeito e de seu repertório imbatível, antológico, composto por hits atemporais que marcaram profundamente a cultura brasileira desde a Jovem Guarda.

Tinha imensa vontade de assistir à sua performance e acabei conseguindo há alguns anos, graças à gentileza e diligência de uma querida amiga, a jornalista Léa Penteado, que viabilizou convites para que pudesse ir ao espetáculo do rei, já com bilheteria esgotada. Quis o destino que estivesse em Mato Grosso, em Campo Grande, participando de uma reunião do Fórum Nacional dos Secretários de Estado da Cultura do Brasil, em 2008. Quando cheguei à cidade, deparei-me com um outdoor anunciando naquela noite o show de RC. Não acreditei e não tive dúvidas, telefonei para Léa e pedi um par de convites. Súplica atendida, acompanhada do meu secretário-adjunto, Marcelo Braga, fomos entusiasmados ao ginásio da cidade. Maravilhada, cantei, chorei, aplaudi e me diverti à beça. Admirei a fidelidade do cantor aos músicos de sua banda, quase todos da mesma idade do rei, a escolha do repertório, quase irrepreensível, e a distribuição das rosas vermelhas. Testemunhei o delírio das fãs, o amor incondicional que devotam a ele e a sua generosa retribuição. Noite inesquecível, marcada para todo sempre – o Rei e eu!

Não poderia terminar esta saudação aos 80 anos do rei, sem mencionar algumas de suas canções que me fizeram a cabeça e ainda fazem: Detalhes, Como é grande o meu amor por você, O portão, Como vai você, Debaixo dos caracóis do seus cabelos, Sentado à beira do caminho, Fera ferida, and last but not least, Emoçõesquando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo, olhando pra você e as mesmas emoções sentindo, são tantas já vividas, são momentos que eu não esqueci, detalhes de uma vida, histórias que eu contei aqui....

Feliz aniversário, meu rei!

*Eleonora Santa Rosa - Jornalista, gestora e empreendedora cultural, foi Secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais. Ex-diretora do Centro de Estudos Históricos e Culturais da Fundação João Pinheiro, exerceu diversas funções públicas ao longo de sua trajetória de mais de 35 anos de trabalho. Recentemente, de novembro de 2017 a novembro de 2019, dirigiu o Museu de Arte do Rio - MAR. Estrategista Cultural, concebeu, coordenou e implantou diversos projetos, programas, iniciativas e equipamentos culturais de repercussão nacional. É fundadora e diretora do Santa Rosa Bureau Cultural, prestando assessoria e consultoria cultural nos mais diversos segmentos, tanto públicos como privados. Autora do livro Interstício

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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