Brasil

29/04/2021 | domtotal.com

Minas, o paraíso possível

O dia em que Minas Gerais ajeitou seus caminhos

(Crônicas utópicas 3)

Casa do Baile, na Lagoa da Pampulha, Belo Horizonte
Casa do Baile, na Lagoa da Pampulha, Belo Horizonte (Unsplash/Nathalia Segato)

Ricardo Soares*

Mesmo no dia em que o ex-senador Aócio Neves saiu da prisão, após permanecer sete anos engaiolado, ele não perdeu a empáfia. Minas Gerais estava bem melhor sem a nefasta atuação política dele, principalmente após ter sido eleita a primeira governadora do estado que acabou por colocar ordem na casa das "geraes".

Fabricantes de queijos e de cachaças receberam ainda mais isenções de impostos, o que foi bom para bebedores e abstêmios. Uma campanha feroz de conscientização no trânsito e punições severas tiraram o estado do topo dos acidentes automobilísticos do país e, apesar de uma coisa nada ter a ver com a outra, quase não foram registrados confrontos entre as torcidas do Cruzeiro e do Atlético.

Talvez por reflexo das mudanças profundas, o estado passou a cultuar mais a memória de Tiradentes, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos e muito menos do "doutor" Tranquedo, aquele que foi sem nunca ter sido. Aureliano Charques de Mendonça ninguém mais lembrava quem foi, assim como o tal Fransceslino Pereira, todos políticos questionáveis de outras eras.

Os Bias continuaram fortes, mas inexpressivos, e a serra do Curral foi totalmente revigorada, assim como todas as serras onde a mineração predou por décadas, mas agora estavam sendo obrigados a sanar os danos que fizeram. Barragens não romperam mais e, por isso, também não foram mais criadas fundações para limpar a barra dos gananciosos, fazendo crer que se redimiam, quando, na verdade, só escalpelavam ainda mais os sobreviventes.

Minas, na verdade,  passou a fazer cada vez mais bons tratos e costumes com seus viventes e seus visitantes e cada curva de suas serras agora deixavam vislumbrar paisagens cada vez mais exuberantes. O sanfoneiro da serra de Piranga, o pessoal do bairro dos Macacos, a turma do torresmo em Conselheiro Lafaiete e os que plantavam rosas em Ressaquinha se juntaram aos sorrisos de tantos outros cidadãos das centenas de munícipios, que é bom lembrar, deixaram de ter vereadores pagos com dinheiro público, pois todos se conscientizaram que era preciso trabalho voluntário para melhor servir sem interesses.

Por fim, Minas ajeitou seus caminhos, contribuiu para que o mar ficasse mais perto dos mineiros e se juntou ao plano quinquenal de ajuda aos demais brasileiros. Minas inventou seu paraíso possível. E plausível.

*Ricardo Soares é escritor e cronista. Publicou 9 livros.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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