Religião

29/04/2021 | domtotal.com

As possíveis viagens do papa Francisco em 2021

Francisco é o segundo papa que mais viajou na história: 33 vezes ao exterior, visitando 52 países desde sua eleição

Papa Francisco chega em 12 de maio à base aérea de Monte Real, em Leiria, Portugal
Papa Francisco chega em 12 de maio à base aérea de Monte Real, em Leiria, Portugal (CNS / Paul Haring)

Gerard O'Connell*
America

O papa Francisco está planejando viajar para o exterior novamente no segundo semestre deste ano, começando com visitas à Hungria e Eslováquia em setembro. Francisco também espera visitar a Grécia e o Chipre em novembro e pode até ir a Glasgow nesse mesmo mês para o encontro internacional sobre mudanças climáticas, conhecido como COP26. Tudo isso, é claro, depende da situação da pandemia de coronavírus estar sob controle.

Francisco já fez 33 viagens ao exterior e visitou 52 países desde sua eleição como papa em 13 de março de 2013. Ele é o segundo papa que mais viajou na história depois de São João Paulo II, que fez 104 viagens ao exterior e visitou 129 países em seu pontificado de mais de 26 anos. Mas Francisco está se movendo em um ritmo mais rápido do que seu antecessor polonês.

No dia 8 de fevereiro deste ano, explicou o propósito dessas visitas ao exterior, quando se dirigiu a embaixadores dos 183 países que mantêm relações diplomáticas com a Santa Sé. "Estas visitas são um sinal importante do empenho do sucessor de Pedro pelo povo de Deus difundido em todo o mundo e do diálogo da Santa Sé com os Estados", disse o papa. "Frequentemente, também oferecem a oportunidade de promover, em espírito de partilha e diálogo, boas relações entre as diferentes religiões".

O primeiro papa jesuíta deve começar suas viagens no outono do hemisfério Norte com uma visita a Budapeste, capital da Hungria, para a missa de encerramento do Congresso Eucarístico Internacional na Praça dos Heróis da cidade, em 12 de setembro. O santo padre confirmou isso em uma conferência de imprensa sobre o avião voltando do Iraque em 8 de março, mas esclareceu que a missa seria a única parada nesta breve viagem. Ao mesmo tempo, indicou que também poderia visitar a vizinha Eslováquia. "Budapeste fica a duas horas de carro de Bratislava", apontou. "Por que não fazer uma visita à Eslováquia?".

A conferência episcopal húngara respondeu com alegria à notícia e em uma declaração naquele mesmo dia disse: "Estamos felizes em saber que o santo padre anunciou sua decisão de vir a Budapeste para a Missa de encerramento do 52º Congresso Eucarístico Internacional".

"Esperamos que sua visita seja um grande encorajamento e reforço espiritual para todos nós e para os futuros participantes do Congresso Eucarístico", cardeal Peter Erdo, arcebispo de Esztergom-Budapeste e primaz da Hungria, e bispo Andras Veres de Gyor, o presidente da conferência, falou no comunicado.

O evento foi originalmente agendado para 2020, mas teve que ser adiado devido à pandemia do coronavírus. Todavia, mesmo agora, parece que bispos de muitos países não poderão comparecer por causa das restrições à pandemia.

Muitas pessoas na Hungria, um país sem litoral com 10 milhões de habitantes, dos quais mais de 50% são católicos, gostariam que o papa permanecesse mais de um dia, mas não está claro se isso acontecerá. Uma razão parece ser que as políticas anti-imigração do primeiro-ministro Viktor Orbán e o "governo por decreto" que ameaça minar a democracia geraram muita controvérsia na União Europeia e também uma grande preocupação em Roma.

O papa Francisco vinculou sua visita à Hungria a uma viagem à vizinha Eslováquia, mas ainda não está claro para onde irá primeiro. A Eslováquia, outro país sem litoral, é uma democracia estável na Europa central com uma população de 5,5 milhões de habitantes, fazendo fronteira com a Polônia, a Ucrânia, a Hungria, a Áustria e a República Tcheca, da qual se separou em 1993.

Sua presidenta, Zuzana Caputova, advogada e ativista anticorrupção, disse à agência de notícias local Tasr em março: "Estou muito satisfeita por podermos receber o santo padre na Eslováquia". Caputova visitou Francisco no Vaticano em dezembro passado e o convidou para visitar sua terra natal. "A visita dele será um símbolo de esperança, que precisamos desesperadamente", disse. São João Paulo II visitou a Eslováquia três vezes; sua última visita foi em setembro de 2003.

O Vaticano ainda não confirmou as visitas aos dois países; a confirmação normalmente vem cerca de três meses antes da viagem.

Além dessas visitas, fontes em Roma disseram aos Estados Unidos que o papa de 84 anos também espera viajar para a Grécia e o Chipre em novembro, mas novamente não há confirmação oficial do Vaticano.

Francisco foi à ilha grega de Lesbos em 16 de abril de 2016 para visitar o campo de refugiados de Mòria. Doze refugiados sírios, todos muçulmanos, voltaram com ele para se estabelecer em Roma, um gesto que teve um enorme impacto internacional e especialmente no mundo muçulmano. Ele foi acompanhado na visita do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I e do primaz da Grécia, arcebispo Ieronymous II. Francisco disse para todos: "Viemos para chamar a atenção do mundo para esta grave crise humanitária e implorar por sua resolução".

Em uma cena emocionante em meio a 2.500 refugiados, o papa falou: "Eu queria estar com vocês hoje. Eu quero lhes dizer que vocês não estão sozinhos."

Francisco pode muito bem querer visitar aquele acampamento ou outros acampamentos na ilha, bem como Atenas, a capital. Em 2020, um incêndio começou no campo de Moria, deixando quase 13 mil migrantes sem abrigo.

O sumo pontífice deve viajar da Grécia para a dividida ilha mediterrânea oriental de Chipre, que planejava visitar em 2020. A ilha foi dividida desde 1974 após a invasão das forças turcas, e há uma zona-tampão protegida pela ONU entre as duas partes da ilha. A parte norte (cerca de 36 por cento do território) é habitada por cipriotas turcos e, de acordo com o direito internacional, está ilegalmente ocupada pelas forças turcas; a outra parte é habitada por cipriotas gregos.

O presidente cipriota Nicos Anastasiades visitou Francisco no Vaticano em novembro de 2019 e depois anunciou a visita do papa, que, segundo ele, coincidiria com o 60º aniversário da república (quando se tornou independente da Grã-Bretanha) e o 10º aniversário da visita do papa Bento XVI à ilha em 2010. Chipre foi a primeira parada nas viagens missionárias de São Paulo para espalhar o cristianismo no primeiro século, e o apostolo converteu o governador romano da ilha, Sérgio Paulo, à fé. Hoje, a maioria dos cristãos em Chipre são ortodoxos gregos.

Desde o início de seu pontificado, Francisco enfatizou a necessidade urgente de abordar as mudanças climáticas e cuidar do nosso planeta. Em junho de 2015, lançou a encíclica Laudato si, sobre o cuidado de nossa casa comum, poucos meses antes da cúpula do clima em Paris (COP21). O documento teria ajudado a construir apoio para o acordo climático que foi aprovado naquela cúpula. Na semana passada, o papa também deu uma breve mensagem em vídeo de encorajamento na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, organizada pelo presidente Joe Biden em 22 de abril.

No avião voltando do Iraque em 8 de março, Francisco disse a jornalistas que gostaria de visitar o Líbano assim que as condições permitirem. Ele repetiu seu desejo em 22 de abril, quando se encontrou com Saad Hariri, o primeiro-ministro designado do país, em uma audiência privada no Vaticano. Depois disso, o sr. Hariri, que tem lutado para formar um governo por seis meses, disse a repórteres que leu as palavras do papa como "uma mensagem para todos os libaneses e todos os partidos de que temos que nos apressar na formação de um governo".

Resta saber se essa visita pode ocorrer este ano.

Além das viagens acima mencionadas, Francisco declarou várias vezes seu desejo de visitar o Sudão do Sul com o arcebispo Justin Welby de Canterbury assim que o processo de paz da nação for consolidado. Mas é improvável que isso aconteça em 2021 por causa de que o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Ajuda Humanitária descreve a situação do país como "terrível", agravada pela "falta de uma paz duradoura" e "a pandemia de coronavírus", que deixaram dois terços da população e cerca de 300 mil refugiados e requerentes de asilo com necessidade de alguma forma de assistência humanitária e proteção.

Publicado originalmente por America


Tradução: Ramón Lara

*Gerard O'Connell é correspondente do Vaticano na América. @gerryorome



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