Meio Ambiente

01/05/2021 | domtotal.com

Guerras e conflitos militares ameaçam mais de 200 espécies no mundo, alerta UICN

Várias espécies como o gorila estão ameaçados na República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda, onde os conflitos são frequentes

Um gorila bebê, nas montanhas Sabyinyo de Ruanda
Um gorila bebê, nas montanhas Sabyinyo de Ruanda (Ivan Lieman/afp)

As guerras, conflitos e exercícios militares ameaçam mais de 200 espécies em todo o mundo, como elefantes e gorilas, alertou a União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). Em relatório publicado nesta quarta-feira (28), a UICN - cujos 1,4 mil membros incluem Estados, ONGs e instituições científicas - denuncia o efeito devastador dos conflitos armados sobre o meio ambiente.

A organização com sede em Genebra pediu que a proteção do meio ambiente e o manejo sustentável dos recursos naturais sejam considerados instrumentos de paz. "A degradação da natureza aumenta o risco de conflito, enquanto as guerras devastam não apenas vidas, mas também o meio ambiente", afirmou o diretor-geral da UICN, Bruno Oberle, em um comunicado.

Este relatório, o primeiro de uma série dedicada à natureza em um mundo globalizado, conclui que os conflitos armados são particularmente frequentes em algumas das regiões mais ricas em biodiversidade do mundo.

Segundo a UICN, 219 espécies ameaçadas enfrentam "guerras, distúrbios civis e exercícios militares" e, enquanto algumas são exterminadas, outras testemunham seu ecossistema ser devastado.

Várias espécies emblemáticas estão ameaçadas de guerra, como o gorila (em perigo crítico), que vive na República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda, onde os conflitos são frequentes. O relatório destaca o impacto dramático de alguns conflitos em certas espécies.

Durante o genocídio de Ruanda, em 1994, 90% dos grandes mamíferos do Parque Nacional Akagera foram mortos para uso como alimento por pessoas que fugiam dos massacres.

Outro exemplo mencionado é o conflito no Sudão, onde nada menos que 2 mil elefantes foram mortos por milícias sudanesas somente em 2007, de acordo com o relatório.

Depois de examinar mais de 85 mil confrontos armados nos últimos 30 anos, que mataram mais de dois milhões de pessoas, a UICN concluiu que a violência era mais provável em países onde as terras agrícolas eram menos produtivas e as secas eram frequentes.

Segundo Juha Siikamaki, economista da UICN, "esses resultados sugerem que a proteção e o manejo sustentável dos recursos naturais podem ajudar a reduzir as pressões que alimentam os conflitos". O relatório também observa que os conflitos são menos frequentes dentro de reservas naturais e áreas protegidas.

A UICN lista várias recomendações de políticas para mitigar e prevenir conflitos armados, incluindo a adoção de medidas de proteção para o pessoal que trabalha em áreas de risco e outros defensores da natureza. Também pede "sanções contra aqueles que cometem crimes de guerra ambientais".


AFP



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