Cultura

30/04/2021 | domtotal.com

A esperança é sempre uma grande vitória

É preciso sobreviver, teimar em viver, repetir em silêncio, em voz interior: vai passar

Momento de sintonia com as energias de vibração positiva e bênçãos, amenizando a toxidade dos sentimentos e desafetos
Momento de sintonia com as energias de vibração positiva e bênçãos, amenizando a toxidade dos sentimentos e desafetos (Unsplash/Conscious Design)

Eleonora Santa Rosa*

A esperança é sempre uma grande vitória, me lembrei desta frase de Béjart (Maurice) que me tem servido de consolo em meio a uma semana nada amena, com notícias recebidas da passagem de duas pessoas queridas, uma delas muito estimada, e relatos da situação dificílima vivida por gente muito próxima de sangue e amizade.

Não está fácil, não estará por algum tempo ainda, mas é preciso sobreviver, teimar em viver, repetir em silêncio, em voz interior: vai passar. Meditar como possível, lembrar que nada é imutável, que essas figuras que tanto nos atordoam e enojam serão encaminhadas rumo à responsabilização implacável de seus malfeitos e ao destino impiedoso que lhes aguarda.  Aos poucos, com doses de alegria, mesmo que tímida, no meio de tanta dor e melancolia, celebrar o dia, a cor da vida, o cheiro e a força da chuva que nos encharca limpando a barra pesada, o sopro da ventania que carrega os maus presságios, a lua cheia de Buda que renova a crença no amor e na compaixão, curadora das feridas do corpo e do amor, de conexão com a sabedoria divina e da luz. Momento de sintonia com as energias de vibração positiva e bênçãos, amenizando a toxidade dos sentimentos e desafetos.

Limpar os olhos, enxugar as lágrimas e honrar os valores que nos distinguem das bestas-feras, das criaturas hediondas, atormentadas, que tanto mal causam, que tanta crueldade promovem e que odeiam tudo que possa significar liberdade, sensibilidade, beleza, generosidade, misericórdia, respeito e delicadeza. Não permanecerão, não conseguirão seu intento, por mais que tentem ferir de morte a produção da arte, a cultura, territórios sem jurisdição, de livre arbítrio e emoção. Brotaremos, renasceremos, do nada, das cinzas, do lixo, da desmemória, da censura, da dizimação. Doídos, moídos, atordoados, mas vivos e com enorme sede de criação, de vida que pulsa mudança e transformação, de renovação, tal a qual a bela intradução de Augusto (de Campos), arco de poesia: Renovar (Confúcio/Pound).

Este artigo é dedicado a Paulo Ribeiro e a Júlio Felicio, que estejam em paz e sob um manto de luz.

*Eleonora Santa Rosa - Jornalista, gestora e empreendedora cultural, foi Secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais. Ex-diretora do Centro de Estudos Históricos e Culturais da Fundação João Pinheiro, exerceu diversas funções públicas ao longo de sua trajetória de mais de 35 anos de trabalho. Recentemente, de novembro de 2017 a novembro de 2019, dirigiu o Museu de Arte do Rio - MAR. Estrategista Cultural, concebeu, coordenou e implantou diversos projetos, programas, iniciativas e equipamentos culturais de repercussão nacional. É fundadora e diretora do Santa Rosa Bureau Cultural, prestando assessoria e consultoria cultural nos mais diversos segmentos, tanto públicos como privados. Autora do livro Interstício

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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