Religião

03/05/2021 | domtotal.com

Oração pela paz e justiça no Mianmar ganha reforço do papa

Iniciativa propõe 'uma Ave Maria por dia para' para o país onde 759 pessoas morreram desde a revolta de 1º de fevereiro

Muitas comunidades católicas aceitaram o apelo da Igreja birmanesa e se uniram em comunhão de oração
Muitas comunidades católicas aceitaram o apelo da Igreja birmanesa e se uniram em comunhão de oração (Vatican News)

O papa fez uma apelo neste domingo (3) à oração dos católicos pela paz em Myanmar, unindo-se a uma iniciativa lançada pelos bispos do país asiático.

"Há uma iniciativa que tenho no meu coração, a da Igreja birmanesa, que convida a rezar pela paz, reservando para Myanmar uma Ave-Maria do terço diário", disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do Regina Coeli com peregrinos, na Praça de São Pedro.

"Todos nos dirigimos à Mãe, quando estamos em necessidade ou dificuldade. Neste mês, pedimos à nossa Mãe do Céu que fale ao coração de todos os responsáveis de Myanmar, para que encontrem a coragem de percorrer o caminho do encontro, da reconciliação e da paz", acrescentou.

Pelo menos 759 pessoas morreram desde a revolta de 1 de fevereiro, na repressão das forças de segurança contra o comando militar, segundo números da Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP) em Myanmar.

Francisco destacou que o mês de maio é particularmente marcado, nas comunidades católicas, pela devoção à Virgem Maria. "Este ano, será caraterizado por uma maratona de oração, através de importantes santuários marianos, para implorar o fim da pandemia", apontou. A primeira etapa decorreuna Basílica de São Pedro, este sábado, sob presidência do próprio papa, e passa, a 13 de maio, pelo Santuário de Fátima.

No Regina Coeli deste 5º Domingo de Páscoa, o papa Francisco recordou mais uma vez que não podemos viver como cristãos sem permanecer unidos ao Senhor. Ao falar sobre o Evangelho do dia, no qual lê-se: "Não há videira sem ramos" e que "os ramos não são autossuficientes, mas dependem totalmente da videira, que é a fonte de sua existência", analisou o verbo "permanecer".

O pontífice sublinhou que "uma vida verdadeiramente cristã dá testemunho de Cristo". "O fruto a dar é o amor. Ligados a Cristo, recebemos os dons do Espírito Santo, e assim podemos fazer o bem ao próximo e à sociedade, à Igreja", indicou. Francisco desafiou os peregrinos a pensar e agir como Jesus, "começando pelos mais pobres e sofredores, como Ele".

A campanha

Este mês de maio é marcado – em Mianmar e no exterior – pela fervorosa oração mariana pela paz e pela justiça em Mianmar. A campanha internacional começou a pedido do cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Yangon, que encorajou padres, religiosos e fiéis a rezar o rosário diariamente durante todo o mês de maio, em profunda devoção mariana, e a participar de uma hora de adoração eucarística diária. Na mensagem enviada aos fiéis, o purpurado ressalta que é possível participar de casa, nas paróquias ou nas comunidades religiosas, em todos os cantos do mundo.

Muitas comunidades de religiosos consagrados em Mynamar, como as Irmãs de São José da Aparição, as Irmãs da Caridade, numerosas congregações diocesanas como as Irmãs de São Francisco Xavier, mas também comunidades religiosas masculinas, grupos paroquiais e associações leigas de todo o país respondeu à chamada.

Segundo informações da Agência Fides, no exterior muitas comunidades católicas aceitaram o apelo da Igreja birmanesa e se uniram em comunhão de oração. Na Itália, entre os mosteiros de clausura que quiseram garantir a oração estão as Irmãs Franciscanas do Mosteiro da Via Vitélia de Roma, as Beneditinas de Santa Maria de Rosano (FI), as Carmelitas do Mosteiro "Janua Coeli", no Santuário de Nossa Senhora das Dores em Cerreto de Sorano (GR).

Além disso, está programado um encontro especial de oração com a comunidade birmanesa – para que cesse a violência no país asiático e se abra o caminho de diálogo – no sábado, 29 de maio, às 12h30, na Catedral de Milão, com a participação do dom Mario Enrico Delpini, arcebispo. O comunicado foi divulgado por dom Luca Bressan, Vigário Episcopal para a cultura, a caridade, a missão e a ação social na diocese ambrosiana. A decisão responde a um pedido da comunidade birmanesa na Itália que, depois de escrever ao arcebispo, se reuniu na semana passada com Bressan para estruturar o encontro e a oração. Participam não apenas birmaneses de toda a Itália, mas também padres e freiras que estiveram em Milão e outras partes do país por muitos anos.

À frente da pequena delegação que foi ao palácio arquiepiscopal estava Thuzar Linn, que foi um dos organizadores do dia 2 de maio, quando vários birmaneses residentes na Itália participaram de uma manifestação em Milão a favor do Governo de Unidade Nacional que foi formado após o golpe militar de 1º de fevereiro. "Sou budista, mas terei prazer em participar da oração no Duomo", disse Thuzar, um dos membros da comunidade birmanesa na Itália. "A oração é um encontro entre culturas e civilizações, entre o Ocidente e a Ásia, especialmente com Mianmar. Rezar juntos – continua Thuzar – significa que valores fundamentais são compartilhados e nutridos: tudo isso ajuda o diálogo a se compreender melhor, seja qual for sua religião".



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