Brasil Política

04/05/2021 | domtotal.com

PT ganhou quatro eleições 'merecidamente' após criar o Bolsa Família, diz Paulo Guedes

'Belíssima iniciativa de fazer um programa de transferência de renda'

Paulo Guedes avalia que não é momento para CPI da Covid
Paulo Guedes avalia que não é momento para CPI da Covid (Isac Nóbrega/PR)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira (4) que o PT ganhou quatro eleições "merecidamente" após criar o Bolsa Família.

"O PT teve realmente a belíssima iniciativa de fazer um programa de transferência de renda importante. Ganhou quatro eleições seguidas merecidamente porque fez a transferência de renda para os mais frágeis. Um bom programa, que envolvia poucos recursos e que tinha altíssimo impacto social, e que foi até inspiração para fazermos o dinheiro chegar na base", afirmou, em audiência pública na Câmara dos Deputados.

O ministro ressaltou, porém, que o valor do Bolsa Família não foi de R$ 600,como o auxílio emergencial no ano passado, porque não havia recursos disponíveis. "Na democracia, você dá mérito ao que for bem feito, mas explica porque não foi feito antes. O auxílio de R$600 não foi feito antes porque exige bases de financiamento sustentáveis no longo prazo. O próprio PT, que esteve no governo tanto tempo, não botou o Bolsa Família de R$ 600. Era R$ 170 porque o dinheiro tem que ser apanhado em outro lugar", completou.

CPI

Enquanto ex-ministros da Saúde foram convocados para depor aos senadores, Guedes avaliou a CPI da Covid no Senado pode prejudicar o próprio combate à pandemia.

"É claro que queremos saber quem errou e quem não errou na CPI. Mas não podemos no meio da guerra julgar os crimes de guerra, você cria o tribunal da guerra depois da guerra", afirmou. "O que vai acontecer é que um prefeito não vai soltar um dinheiro, vai querer a garantia do Ministério da Saúde, que não vai mandar uma vacina sem um documento mais explicadinho. O meio receio é que ao criar um tribunal de guerra no meio da guerra você dificulte o combate. Ninguém para no meio da guerra para prender general que atuou errado", completou.

Ainda assim, o ministro da Economia disse que a CPI irá mostrar que os governos estaduais aumentaram salários com recursos da União carimbados para a Saúde. "Vai ter de tudo na CPI da Covid, vão ver que recursos foram para pagamento de salário e não para a Saúde", afirmou, em audiência pública conjunta das comissões de Finanças e Tributação; Educação; Trabalho, Administração e Serviço Público; e Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.

Guedes aproveitou para se explicar sobre uma fala sua na reunião ministerial de 22 de abril do ano passado, de que a proposta de suspender por dois anos os reajustes salariais de servidores públicos seria uma "granada" colocada pelo governo "no bolso do inimigo".

"Mais uma vez as pessoas deformam o sentido do que eu falei. Aquilo não era uma guerra contra o funcionário público. Eu queria dizer que as transferências para saúde não poderiam ser usados para fazer política e dar reajustes. Nunca foi granada no bolso do povo brasileiro", completou o ministro.

Guedes acrescentou que a guerra seria com os governos estaduais, alinhados ao então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "A guerra era dos governadores contra a União, disputando recursos. Isso voltou na reforma tributária, coma sugestão de criar um fundo de R$ 400 bilhões bancados pela união. Nós não podemos quebrar a União", complementou.

Veto à vacina

O ministro explicou também que os recursos para o desenvolvimento de uma vacina nacional contra a Covid-19 precisaram ser vetados no Orçamento de 2021 para obedecer à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Os recursos faziam parte do orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia. "O ministro Marcos Pontes acaba de receber R$ 5 bilhões a mais no orçamento dele, não é por falta de dinheiro. O veto aos R$ 200 milhões da vacina brasileira ocorreu porque não é gasto emergencial", afirmou.

E acrescentou: "Botamos R$ 20 bilhões na compra de vacinas já, para combater a pandemia. Já a despesa para fabricar uma vacina nacional que talvez fique pronta daqui a um ou dois anos, como um gasto recorrente de pesquisa, pela LRF precisa ser vetado."

Guedes disse ainda que brincou com Marcos Pontes sobre as reclamações do ministro astronauta sobre a falta de recursos. "Eu até falei. Faz menos foguete e faz mais vacina. Se tem prioridade, a prioridade é a vacina e não o foguete", completou.


Agência Estado



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!



Outras Notícias