Economia

07/05/2021 | domtotal.com

Banco Central anuncia que Selic deve sofrer novo aumento em junho para conter inflação

Taxa chegou a 3,5% após ser aprovada por unanimidade dos nove membros do Comitê de Política Monetária

Taxa básica de juros subiu em 0,75 ponto percentual em maio
Taxa básica de juros subiu em 0,75 ponto percentual em maio (ABr)

O Banco Central do Brasil (BCB) elevou nesta quarta-feira (05) pela segunda vez consecutiva sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, a 3,5%, e informou que prevê elevá-la novamente em junho para conter a inflação, em alta apesar da desaceleração econômica provocada pela pandemia.

A decisão, aprovada por unanimidade dos nove membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do BCB, coincide com o esperado pelos analistas. O BCB elevou em março pela primeira vez em seis anos a taxa Selic, de seu mínimo histórico de 2% a 2,75%; e informou que abria um ciclo de "normalização parcial" a fim de evitar que a inflação, em alta pronunciada nos últimos meses, saia de controle.

Em seu comunicado, o Copom informou que "prevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude" em sua próxima reunião dos dias 15 e 16 de junho.

E advertiu que poderia apertar ainda mais os parafusos de sua política monetária, visto que "os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação".

A meta inflacionária do BCB para 2021 é de 3,75% com margem de tolerância que pode chegar a 5,25%. Mas o aumento de preços acumulado em doze meses chegou em março a 6,10%.

A previsão de inflação para este ano passou, assim, de 3,34% em janeiro, para 5,04%, segundo a pesquisa semanal Focus de expectativas de mercado, realizada pelo BCB.

afpafp

Aumento agressivo

Ao "contratar" mais um aumento de 0,75 ponto porcentual em sua próxima reunião, marcada para os dias 15 e 16 de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) indica que vai seguir agressivo nos movimentos da Selic, mais do que dobrando, em pouco tempo, a taxa que entrou o ano em 2%.

A avaliação é do economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, que, por outro lado, observa que o comunicado do Copom também foi pontuado por inesperadas mensagens "dovish" - ou seja, que sugerem alguma suavização no ritmo de aumento dos juros.

"O comunicado traz aspectos dovish (menos agresivo) e hawkish (mais agressivo). Nossa avaliação, era de que só haveria a parte hawkish", comenta Camargo ao tratar do teor do texto que anunciou o aumento da Selic para 3,5% ao ano.

Na avaliação dele, ao apontar medidas de inflação subjacente no "topo" do intervalo de meta inflacionária, e não "acima" do intervalo como no comunicado da reunião anterior, o Copom transmite a visão de que a inflação subjacente teve certa redução de um encontro para o outro.

O BC resolveu abrir mão de certo grau de liberdade para atuar no próximo Copom e optou por indicar no comunicado da reunião de ontem que poderá promover outra alta de juro de 0,75 ponto porcentual. A avaliação é da economista sênior da LCA Consultores, Thais Zara.

"Imaginávamos que ele fosse deixar algum grau de liberdade para o próximo Copom, mas preferiu já indicar que poderá elevar a Selic em mais 0,75 ponto porcentual na próxima reunião", observou Thais.


AFP



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