Brasil Política

06/05/2021 | domtotal.com

Pesquisas apontam que vacina contra Covid-19 e economia abalam Bolsonaro nas redes sociais

Desemprego tem peso significativo na avaliação do presidente no mundo digital

Presidente está perdendo apoio também no mundo virtual
Presidente está perdendo apoio também no mundo virtual (Alan Santos/PR)

A confiança depositada por aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas redes sociais sofreu abalo significativo. Pesquisas indicam que o desgaste de Bolsonaro vem crescendo desde o fim do ano passado não apenas pela demora na vacinação contra a Covid-19, mas também por causa da crise econômica, com o aumento do desemprego. Além disso, uma forte onda negativa avançou sobre o presidente nas mídias digitais desde a noite de terça-feira (4), por causa da morte do ator e humorista Paulo Gustavo, vítima do novo coronavírus.

A comoção, misturada à indignação com a falta de vacina e o desrespeito a medidas sanitárias, levaram o presidente a ser alvo de insultos nas redes, com xingamentos como "verme", "monstro", "cínico", hipócrita" e "desgraçado". Bolsonaro usou as redes para expressar "pesar" pela morte do ator Paulo Gustavo em rara manifestação de solidariedade.

Nem isso, porém, fez com que o coro de "Fora Bolsonaro" diminuísse. Levantamento feito pela consultoria AP Exata mostra que, nos últimos meses, a pandemia afetou a percepção dos internautas sobre o presidente, mas foi o cenário econômico que causou os maiores prejuízos à sua imagem. Até agosto do ano passado, as publicações que manifestaram confiança em Bolsonaro eram cerca de 24%, de acordo com o estudo. A partir de setembro, o índice começou a registrar queda. Em novembro, ficou em 20%. Em dezembro, quando foram pagas as últimas parcelas do auxílio emergencial de R$ 300, caiu para 16%.

O índice de confiança, no entanto, começou a oscilar negativamente em setembro, quando a alta dos preços se tornou mais visível. Naquele mês, a variação mensal da inflação havia saltado de 0,24% para 0,64%. A sequência continuou até dezembro, com o pico de 1,35%.

A tendência de enfraquecimento de Bolsonaro nas redes também foi captada por outros levantamentos. Um estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP-FGV) indica que o presidente vem perdendo força nessas mídias. "O presidente Jair Bolsonaro apresenta o melhor desempenho entre os presidenciáveis em todas as plataformas analisadas, mas Facebook, Instagram e YouTube, registram queda no engajamento em torno do presidente ao longo de 2020", diz o relatório.

Para o sociólogo Marco Aurélio Ruediger, coordenador do estudo, é importante destacar que, mesmo assim, Bolsonaro ainda mantém resiliência. As sucessivas crises, no entanto, ameaçam mudar o quadro. "Ainda tem presença nas redes maior que a dos demais players de oposição individualmente. Talvez pandemia, CPI e desemprego estejam mudando isso. Hoje há uma guerra de narrativas", disse. "Essa luta de narrativas é central para uma projeção mais ou menos auspiciosa das possibilidades na campanha de 2022".

Guia

Bolsonaro costuma guiar o seu comportamento político por avaliações de usuários nas redes sociais, deixando em segundo plano as tradicionais pesquisas de opinião. Quem cuida de suas mídias digitais é o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), seu filho, que comanda o chamado "gabinete do ódio" - núcleo de auxiliares que desempenha papel de 'milícia digital' contra opositores do governo. "É o gabinete da liberdade, da seriedade" afirmou Bolsonaro nesta quarta-feira.

A pedido da reportagem, a Bites Consultoria avaliou o desempenho de Bolsonaro em suas quatro principais redes sociais - Twitter, Instagram, Facebook e YouTube - de 2019 até hoje. Quatro variáveis foram analisadas: número de seguidores; número de postagens; interações totais e média de interações a cada postagem. Cada "like", comentário ou compartilhamento conta como uma interação.

A análise da Bites mostra uma desaceleração de Bolsonaro nas redes, ao longo dos anos: em 2019, cada "post" dele tinha, em média 129 mil interações. Em 2020, este número caiu para 113 mil e finalmente para 95 mil neste ano. "Minha percepção é a de que uma pessoa que consegue manter um patamar tão grande de interações nas redes não está 'derretendo'. Está havendo mais uma desaceleração do que uma perda de popularidade. A curva de Bolsonaro não é a de que alguém que 'despenca' nas redes", ressaltou o diretor da Bites, Manoel Fernandes.


Agência Estado



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