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06/05/2021 | domtotal.com

CPI da Covid: Queiroga deixa clima tenso ao se esquivar sobre uso da cloroquina

Ministro foi confrontado por senadores ao tentar não responder questionamentos

Ministro tentou não se posicionar sobre temas polêmicos
Ministro tentou não se posicionar sobre temas polêmicos (Jefferson Rudy/Agência Senado)

Em uma sessão com momentos tensos, o ministro da ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se esquivou nesta quinta-feira (6) das perguntas dos senadores sobre questões envolvendo o uso da cloroquina. O auxiliar do presidente Bolsonaro é o terceiro a depor CPI da Covid e, além da polêmica sobre a cloroquina, reconheceu que governadores e prefeitos podem adotar medidas de isolamento, como têm feito. Ele também desconversou quando questionado sobre a recusa do governo federal para compra de milhões de doses da vacina Pfizer em outubro de 2020.

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O clima tenso ocorreu diante da resistência de Queiroga em responder qual sua posição sobre o uso da cloroquina em pacientes da Covid-19, medida defendida pelo presidente da República, mesmo sem eficácia comprovada do medicamento contra a doença.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), e o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), elevaram o tom e as cobranças para que Queiroga se manifestasse objetivamente sobre o tópico, enquanto que o ministro afirmou não ser esse o momento apropriado para dar sua opinião sobre o medicamento.

"Não faço juízo de valor acerca da opinião do presidente. É uma questão de natureza técnica. No começo, o uso compassivo (do remédio) foi feito em diversas instituições e já existem (estudos) controlados que mostram que naqueles pacientes mais graves esse medicamento não tem efeito; no intermediário, o medicamento não tem efeito", disse Queiroga, que, no entanto, foi interrompido por Renan, segundo quem o ministro não estava respondendo à sua pergunta.

A justificativa dada por Queiroga para não expor sua posição sobre a cloroquina foi de que, como ministro da Saúde, ele terá de dar a última palavra sobre o uso do medicamento durante a elaboração do protocolo de tratamento da Covid. "Questão técnica que tem que ser enfrentada pela Conitec. Eu posso ter que dar posicionamento sobre protocolo da cloroquina quando for elaborado", respondeu Queiroga, o que despertou forte insatisfação em Renan e Aziz.

"Acho que o senhor não entendeu sua posição aqui. O senhor está aqui como ministro e médico. Senão, vamos encerrar sessão agora" afirmou Aziz. "É questão de natureza técnica, não de opinião pessoal", insistiu o ministro, segundo quem não recebeu nenhuma orientação do presidente no sentido de incentivar o uso da cloroquina contra Covid-19.

O senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) reclamou das reações do presidente e do relator da comissão diante das respostas de Queiroga. "Está tentando induzir a testemunha", disse. "Tem que ser uma resposta de sim ou não", rebateu Aziz.

Estados e municípios

Apesar das reclamações públicas frequentes do presidente Jair Bolsonaro sobre medidas adotadas pelos estados e municípios para enfrentamento da pandemia, Queiroga concordou que governadores e prefeitos podem adotar medidas de isolamento para conter o avanço do vírus.

"O senhor acha que estados e municípios devem ter o direito de fazer essa política de distanciamento social ou de lockdown até, se for o caso, conforme a características e o momento epidemiológico de cada um desses estados e municípios? O senhor concorda?", questionou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). "Isso tem sido feito no Brasil", respondeu Queiroga.

Jereissati quis uma posição mais clara. "Tem, mas o senhor concorda?", questionou. "Claro que concordo, senador", disse enfim o ministro.

Queiroga reconheceu que medidas mais extremas possam ser colocadas em prática "dentro de cenários específicos". "Um município onde o estado epidemiológico está muito grave pode eventualmente se ter um fechamento maior. Mas, como uma medida nacional, nós temos um país continental, senador, é uma medida como essa, ela não vai surtir o efeito desejado até porque existe uma dificuldade muito forte de adesão da nossa população", disse o ministro.

"O presidente da República em nenhum momento falou dessa questão pra mim, até porque essa é uma matéria que já foi disciplinada pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF). Ministério da Saúde vai elaborar um protocolo sobre esse tema e aí vai ser descrito de maneira muito clara acerca dessas questões de mobilidade. O objetivo é que as medidas sanitárias, elas impeçam que nós tenhamos uma situação extrema", afirmou o ministro.

'Guerra química'

Marcelo Queiroga afirmou que "desconhece" indícios de uma "guerra química", que foi mencionada nessa quarta-feira (5) em declaração do presidente Jair Bolsonaro. Sem citar a China, Bolsonaro insinuou que a pandemia seria um instrumento de guerra para garantir maior crescimento econômico. Questionado por Tasso Jereissati sobre os prejuízos de tal fala do presidente nas relações com a China, Queiroga disse que Bolsonaro não citou o país asiático e que espera não haver impacto no programa de imunização.

A observação do médico sobre Bolsonaro não ter citado nominalmente a China não agradou Jereissati. "Uma das declarações mais graves - e eu tenho repetido isso porque tem acontecido coisas nesse país totalmente inusitadas -, mais graves que eu já vi de um presidente da República no nosso país. Em circunstância normal essa declaração seria gravíssima", afirmou o senador.

Durante a resposta a Jereissati, Queiroga disse ainda que as relações com a China são "excelentes". "O que eu posso dizer pro senhor em relação a China, como eu já aqui reiterei para os demais senadores presencialmente é que a nossa relação com o embaixador da China é a melhor possível", afirmou.

Vacinas

Queiroga disse que a prestação de informações repassadas por um técnico da pasta ao Congresso sobre doses de vacinas contratadas foi feita de maneira "imprecisa". O dado correto, segundo ele, é que estão efetivamente contratadas 430 milhões de doses de imunizantes contra o novo coronavírus.

Peças de propaganda e declarações públicas do ministro garantiam que a pasta comprou mais de 560 milhões de doses. Ao responder a um questionamento oficial formulado pelo Congresso, porém, o ministério informou que o número realmente contratado era a metade disso: 280 milhões de doses. Mesmo assim, o número atualizado pelo ministro é menor que o anunciado.

"Na realidade, nessa informação que foi feita de maneira imprecisa para o deputado Gustavo Fruet (PDT-PR), não se considera as vacinas da Fiocruz, porque esse acordo é feito através de transferência de TED, então não há um contrato entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde, e essas doses da Fiocruz não foram ali consideradas, de tal maneira que o Ministério da Saúde vai fazer uma retificação dessa informação que foi prestada de maneira imprecisa a Câmara dos Deputados", respondeu Queiroga, segundo quem as responsabilidades pela informação incorreta serão apuradas pela pasta.

Pfizer

No depoimento o ministro da Saúde também disse que a pasta está em fase de "finalização" do contrato para a compra de mais de 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19. "Em relação a Pfizer, foi feito um contrato de 100 milhões de doses, e nós conseguimos uma antecipação dessas doses, e estamos aqui, já adianto, estamos na iminência de fechar um novo acordo com a Pfizer de 100 milhões de doses. Isso já está só nas finalizações legais, então o que seria um aporte adicional muito importante para o nosso programa de vacinação", disse Queiroga.

Queiroga foi questionado por Calheiros (MDB-AL) sobre as negociações não concretizadas com a Pfizer no ano passado. Mas Queiroga evitou respondeu sobre o assunto, lembrando que não estava à frente da pasta na ocasião. "Não tenho como precisar se houve demora porque não participei dessas discussões, dessas tratativas que foram feitas no ano passado", se esquivando mais uma vez dar sua opinião sobre a gestão do seu antecessor Eduardo Pazuello.


Agência Estado/DomTotal



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