Religião

08/05/2021 | domtotal.com

Em Gana, as igrejas apostam no digital para enfrentar a pandemia

Cerca de 71% da população de Gana é cristã, principalmente pentecostal ou evangélica

Um padre se dirige a seus fiéis pela Internet, em Adenta, Gana, em 18 de abril de 2021
Um padre se dirige a seus fiéis pela Internet, em Adenta, Gana, em 18 de abril de 2021 (AFP)

Missa online, arrecadação por meio de pagamento móvel ou funerais em 'streaming'. Em Gana, um país da África Ocidental tão jovem quanto religioso, a pandemia mudou as práticas das igrejas, cada vez mais numerosas nas apostas no digital.

Cerca de 71% da população de Gana é cristã, principalmente pentecostal ou evangélica.

"Seguimos estritamente as medidas" contra a pandemia, "mas a Covid-19 afetou muito o movimento na nossa paróquia", lamenta o reverendo Kofi Oduro Agyeman-Prempeh.

O país registrou oficialmente pouco menos de 100 mil casos de coronavírus e 779 mortes.

"Os números nacionais são baixos, mas o medo de contágio ainda é muito presente. Durante a missa, os fiéis hesitam antes de se levantar, dançar e cantar", explica.

Para tranquilizar os fiéis, o reverendo registrou seu centro religioso no Asoriba, um aplicativo que conecta os fiéis e sua igreja. Cerca de 2.500 estabelecimentos estão cadastrados nesta plataforma.

Desde 2015, oferece aos pastores e reverendos instrumentos para organizar eventos paroquiais, controlar a assistência à missa e comunicar-se com os fiéis. Desde a chegada da Covid-19, em março de 2020, os registros aumentaram 30%.

"É inegável que o futuro será digital, incluindo o futuro das práticas religiosas", disse Savior Kwaku Dzage, um dos co-fundadores do Asoriba.

Para os fiéis conectados, o Asoriba permite oferecer contribuições online.

"Mesmo em tempos de Covid, a igreja precisa de dinheiro para se desenvolver e ajudar os mais necessitados. E como o dinheiro é considerado um potencial vetor de contágio, o pagamento online é a solução perfeita", explica o empresário.

Funerais em streaming

Embora a maioria dos ganenses não tenha acesso à internet, grande parte da população tem menos de 30 anos e a taxa de acesso digital acelerou nos últimos anos, de 23,5% em 2015 para 55,6% em 2020.

É por isso que o reverendo Banister Tay, chefe de operações da empresa de funerais Transitions, não quer perder a digitalização.

Os enterros ganenses são famosos em todo o mundo por suas cerimônias suntuosas, apresentando música, canto e dança tradicionais. Mas, com a pandemia, tiveram que ser reduzidos ao mínimo, com uma presença limitada primeiro a 100, depois a 25.

"Foi muito difícil para nós", diz Banister Tay. "Era preciso oferecer uma solução, atendê-los virtualmente". Assim, desde 2018, a Transitions propõe um serviço de 'streaming' para funerais.

"Quando a Covid chegou, já tínhamos uma vantagem", diz Banister Tay. "Antes da pandemia, apenas 1% de nossos clientes usavam nossos serviços de streaming, mas agora eles estão perto de 90%", explica ele.

Durante o funeral, três câmeras filmam a cerimônia, enquanto uma quarta fica do lado de fora para capturar imagens dos recém-chegados.

Banister Tay está otimista sobre o futuro e acredita que os funerais online perdurarão depois que as restrições contra a pandemia forem suspensas.

"Uma parte importante do nosso público são membros da diáspora. Muitos ganenses vivem no exterior e não podem voltar sempre que perdem um parente. Também pensamos nessa solução para eles", afirma.


AFP



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