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23/05/2021 | domtotal.com

Após 50 anos, tribunais da Irlanda do Norte condenam exército britânico por uma série de tiroteios

Caso ocorreu em 1971, durante um conflito na Irlanda que deixou 10 mortos em Belfast

Philomena Morrison e sua irmã Joan Connolly seguram uma foto de sua mãe, também Joan Connolly, vítima dos tiroteios em Ballymurphy
Philomena Morrison e sua irmã Joan Connolly seguram uma foto de sua mãe, também Joan Connolly, vítima dos tiroteios em Ballymurphy (Paul Faith/AFP)

Os tribunais da Irlanda do Norte condenaram nesta terça-feira(11) o uso excessivo da força pelo exército britânico em uma série de tiroteios em 1971 durante o conflito na Irlanda do Norte que deixou 10 mortos em Belfast.

"Todos os mortos nesta série de investigações eram totalmente inocentes de qualquer crime", disse a juíza Siobhan Keegan, após investigar os tiroteios de Ballymurphy, a oeste de Belfast, em agosto de 1971 em um processo civil que não designa ou julga responsabilidade criminal.

As 10 vítimas - incluindo um padre e uma mãe de oito filhos - morreram no auge do conflito separatista que durante três décadas, até 1998, opôs católicos republicanos e protestantes sindicalistas na região britânica da Irlanda do Norte.

A investigação de Keegan determinou que todos, exceto um, foram mortos por soldados britânicos, enviados à província em uma missão de paz em 1969. No caso restante, a magistrada não conseguiu chegar a uma "conclusão definitiva" sobre quem disparou o tiro fatal, de acordo com o resumo de sua investigação.

Keegan dividiu as 10 mortes em cinco investigações e emitiu vários veredictos, incluindo que não havia "nenhuma evidência convincente (...) para justificar o tiroteio" e que "os militares não forneceram qualquer justificativa" para esse uso "claramente desproporcional" de força.

No caso de um dos homens, o juiz também denunciou "como escandalosa a inadequação da investigação inicial", segundo o sumário. As famílias das vítimas presentes no tribunal explodiram em aplausos após cada um dos cinco veredictos, proferidos em três horas.

Dezenas de parentes chegaram ao tribunal mais cedo, exibindo fotos de seus entes queridos e vestindo camisetas com seus retratos. "Já se passaram 50 anos", Joan Connolly, 63, filha de um dos mortos, disse com lágrimas nos olhos. "Isso destruiu nossas vidas, realmente destruiu. Mas hoje temos justiça, temos paz. Limpamos o nome de minha mãe", disse ela.


AFP



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