Ciência e Tecnologia

15/05/2021 | domtotal.com

Idosos tem ganhando dinheiro e feito sucesso nas redes sociais na China

Vídeos de danças e contação de história tem atraído milhões de visualizações nas plataformas digitais

"Avós da moda" em trajes tradicionais durante um ensaio para uma apresentação em Pequim, em 14 de abril de 2021 (NOEL CELIS/afp)

"Idade é apenas um número", diz Sang Xiuzhu, de 76 anos, uma aposentada moderna que ganha dinheiro nas redes sociais chinesas graças a seus vídeos vistos por milhares de espectadores.

Usando óculos escuros, a septuagenária, que parece dez anos mais jovem em um elegante vestido preto, atravessa a pista de dança de uma sala de ensaios em Pequim. De grande elegância, seus movimentos estão perfeitamente sincronizados com os das demais aposentadas que a acompanham.

Juntas, elas formam o grupo "Avós da Moda", muito popular graças aos vídeos curtos que contam a vida dos idosos com originalidade. "Ao ver avós como nós que seguem a moda e que se sentem bem com elas mesmas, nossos fãs mais jovens não têm medo de envelhecer", afirma Sang, em um vestido tradicional longo e elegante.

As "Avós da Moda" têm 23 membros. A mais jovem está na casa dos cinquenta anos. A fama do grupo despertou o interesse de marcas, que o consideram uma forma de atingir um público mais velho.

Quando essas avós 2.0 testam produtos online e se filmam ao vivo nas redes sociais, "elas podem vender 200 em um minuto", diz seu agente, He Daling. Em troca, recebem uma comissão sobre as vendas. Também transmitem valores positivos, como "os jovens não têm o monopólio da beleza". O que não as impede de abordar assuntos de maior substância.

Canto, dança, kung-fu

Em um vídeo que mostra um homem levantando a mão para sua companheira, uma mulher de certa idade intervém para denunciar a violência familiar. À medida que a China envelhece e a expectativa de vida aumenta, os maiores de 60 anos representarão um terço da população chinesa em 2050.

Uma ótima situação para Bian Changyong, executivo de uma empresa que ajuda idosos a se valorizarem nas redes sociais. Na China, "o setor da internet ganhou dinheiro com todos os grupos": homens, mulheres, jovens e famílias, diz Bian. "Mas não com os idosos", afirma, farejando uma "oportunidade". Os "cabelos grisalhos" representam um mercado considerável que já responde por centenas de bilhões de dólares.

A empresa de Bian oferece cursos online de música, dança e até kung-fu. E com a pandemia, os aposentados têm passado mais tempo online para se divertir ou fazer compras, entusiasma-se Bian. Essa geração é a primeira a ter se beneficiado do ensino superior, após o caos da Revolução Cultural (1966-1976).

 "Muito instruídos"

Durante a dolorosa década, o presidente Mao Tsé-Tung enviou milhões de "jovens intelectuais" para instruir-se com os camponeses, às vezes em condições difíceis. As universidades do país ficaram fechadas por 10 anos.

Atualmente, os idosos "são mais ricos" do que as gerações anteriores e "altamente instruídos", garante Bian, dono da Beijing Dama Technology, uma empresa que gerencia a imagem de influenciadores digitais mais velhos.

Como Ruan Yaqing, de 58 anos, que tem sua própria rede de vídeo, seguida por mais de 6 milhões de pessoas. Seu segredo? Contar a história e a cultura de Pequim. A sua apresentação é bem pensada, as imagens gravadas com o telefone são montadas por um profissional.

Uma nova paixão que permite a sra. Ruan não ser muito "invasiva" em casa, ela brinca. Aparecer nas redes sociais também é para ela uma pequena vingança contra a juventude. "Muitas vezes, os jovens pensam que os mais velhos não sabem de nada", reclama.



AFP



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