Religião

13/05/2021 | domtotal.com

Santuário de Fátima celebra sua padroeira presencialmente e ganha mensagem do papa

Meses de pandemia 'não foram em vão', diz cardeal Tolentino

Fiéis carregam a imagem de Nossa Senhora de Fátima, durante o 104º aniversário das aparições da Virgem Maria aos pastorinhos, em seu santuário em Portugal
Fiéis carregam a imagem de Nossa Senhora de Fátima, durante o 104º aniversário das aparições da Virgem Maria aos pastorinhos, em seu santuário em Portugal (Santuário de Fátima/Vatican News)

O cardeal José Tolentino Mendonça presidiu em Fátima na noite de quarta-feira (12) às celebrações da Peregrinação Internacional Aniversária. Devido às normas anti-Covid, o número de fiéis ficou limitado a 7500. Às 21h30 teve início a oração do Rosário, seguida pela procissão com velas e a Celebração da Palavra.

O site do Santuário de Fátima traz as palavras do purpurado português, que dirigindo-se aos peregrinos começou afirmando que "a atual pandemia tem disseminado sofrimento: condicionou sociabilidades, isolou-nos uns dos outros, acentuou solidões".

"A crise sanitária ativou outras crises, no campo social, na precarização do trabalho, no agravamento das dificuldades econômicas, na pobreza que cresce e não só entre os segmentos considerados mais frágeis, na debilitação do campo escolar, na diminuição de presenças nas comunidades cristãs e na incerteza que pesa sobre a vida de tantos" sublinhou na homilia da Celebração da Palavra que, desde o ano passado, juntamente com a recitação do Rosário e a icônica Procissão das Velas preenche o programa da noite dos dias 12.

"De maio passado a este vivemos um ano difícil. Experimentamos uma vulnerabilidade que desconhecíamos. A pandemia em curso ceifou vidas e alastrou lutos. De repente, sentimo-nos reportados à época dos santos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, quando a pandemia da febre espanhola fazia milhões de vítimas", lembrou dirigindo um conjunto de preces a Nossa Senhora de Fátima, "Mãe da consolação", a quem "colocamos os nossos corações nesta hora".

"Em especial te rogamos, Senhora de Fátima, para que a crise que vivemos não se torne numa crise da esperança", invocou ao salientar que a esperança é necessária "para olhar para diante, para ganhar confiança e repartir. Precisamos da esperança para transformar os obstáculos em caminhos e os caminhos em novas oportunidades. Precisamos da esperança para nos unirmos mais, para construirmos sociedades eticamente qualificadas, sociedades que concretizem a justiça social e a fraternidade entre todos os homens".

"Queremos hoje pedir, Senhora de Fátima, que ilumines a dor de todos, sem fronteiras nem distinções, que ilumines a dor de próximos e distantes, de crentes e não-crentes, como se fosse uma só. Que escutes no silêncio desta noite a fadiga e o esforço, a solidão e as lágrimas, o cansaço e as necessidades de todos. Que veles pela grande família humana ferida. E nos mobilizes a todos para o desafio urgente de consolar, de cuidar e de reconstruir", salientou.

"Tu, Mãe da Esperança, fortalece a nossa esperança. Tu que em momentos tão tormentosos da história do século 20 foste um pilar de esperança, ajuda-nos a atravessar este século 21 movidos pela esperança" afirmou ainda ao fazer memória do diálogo entre Lúcia e Nossa Senhora na segunda aparição.

"Lembra-te, Senhora de Fátima, que hoje especialmente precisamos de encontrar, no teu Imaculado Coração, refúgio e caminho!", sublinhou.

Por outro lado, destacou que apesar do sofrimento há "histórias para contar e agradecer", entre elas "histórias de amor, de reencontro, de interajuda e solidariedade e essas histórias constituem um património que não podemos esquecer". Deixou, também uma palavra para a família, que "foi colocada à prova", mas que, para muitos, "foi uma oportunidade para redescobrir o que significa estar em família e o tesouro humano insubstituível que a família representa". E, acrescentou: "não esquecemos o testemunho de quantos colocaram o bem dos outros acima do seu próprio bem. A generosidade de tantos que deram um passo em frente quando era mais cômodo permanecer no seu lugar. É verdade: de quantas histórias de amor cada um de nós tem sido testemunha!".

O cardeal português, que presidiu pela primeira vez a uma Peregrinação Internacional Aniversária em Fátima, concluiu que apesar das dificuldades estes meses "não foram em vão".

"A turbulência da pandemia também nos desinstalou e nos ajudou a identificar o essencial com mais clareza", afirmou.

"Queremos confiar-te, Mãe de Jesus e nossa Mãe, o caminho histórico e interior que estamos a percorrer e pedir-te que esta dor sirva para alguma coisa, que todo este sofrimento nos torne melhores: mais espirituais, mais humanos e mais fraternos", concluiu.

A Peregrinação Internacional Aniversária de maio é a primeira deste segundo ano de pandemia e volta a ter um número limitado de peregrinos, que foi alcançado, antes ainda do inicio da celebração..

Sob o tema "Louvai o Senhor, que levanta os fracos" esta peregrinação está ainda fortemente condicionada pela pandemia.

Esta quinta-feira, dia 13, o programa começou às 9h locais com a recitação do Rosário, prosseguindo com a Missa Internacional no Recinto, com a tradicional Palavra ao Doente e termina com a Procissão do Adeus.

No dia em que se faz memória da primeira Aparição e do 40º aniversário do atentado a João Paulo II, na Praça de São Pedro, o Santuário estará unido ao papa Francisco, a partir das 17h (horário de Portugal), com a recitação do Rosário pelo fim da pandemia, com uma intenção especial pelos reclusos que se encontram detidos nas prisões de todo o mundo. Este terço terá transmissão mundial a partir da Cova da Iria, inserindo-se na "maratona" de oração proposta pelo papa este mês de maio a 30 santuários.

Mensagem do papa

O papa enviou nesta quinta-feira uma mensagem aos peregrinos que participam nas celebrações do 13 de maio, em Fátima, pedindo orações pelas vítimas da pandemia.

"Por todas as pessoas que estão a sofrer com esta pandemia de Covid-19, por tantas pessoas que perderam o seu trabalho, os seus entes queridos… Por tanta pobreza e miséria que esta pandemia está a provocar", recordou Francisco, num vídeo transmitido no início da Eucaristia desta manhã.

Os 7500 peregrinos que lotaram o espaço que lhes estava reservado para esta celebração aplaudiram a "surpresa" que lhes foi apresentada, no recinto de oração da Cova da Iria.

O papa disse que este é "o momento de pedir à Mãe por todo o mundo".

"E por cada um de nós, pelas famílias, pela pátria, por Portugal. Este é o momento da oração e Ela, com o seu coração de Mãe, vai acompanhar-nos. Nunca se esqueçam de temos uma Mãe e Ela gosta muito de nós", acrescentou.

Francisco começou por saudar os peregrinos, "de forma especial".

"Obrigado por se lembrarem de Nossa Senhora e por irem visitá-la. Obrigado por manterem no coração este desejo de estar junto da Mãe", disse.

"Que Deus os abençoe e Ela cuide de vocês, como cuida sempre dos seus filhos", referiu, antes de se despedir com uma bênção e o tradicional pedido de orações por si.


Vatican News/ Dom Total/Ecclesia/Santuário de Fátima



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