Religião

14/05/2021 | domtotal.com

Ministério da catequista

Catequese tem como missão ajudar as pessoas a descobrir a beleza do evangelho que leva a crer

A catequista tem competências educacionais e na docilidade à ação do Espírito, em processo de formação, ajuda os irmãos a amadurecer na vida cristã e a caminhar em direção a Deus
A catequista tem competências educacionais e na docilidade à ação do Espírito, em processo de formação, ajuda os irmãos a amadurecer na vida cristã e a caminhar em direção a Deus (Unsplash/Monika Kozub)

Neuza Silveira*

Neste início do mês de maio de 2021 concretiza-se um grande sonho de todos e todas nós catequistas: a esperança de um reconhecimento especial e oficial por parte da Igreja institucional. Reconhecida como uma verdadeira ação evangelizadora, a catequese vem fazendo seu caminho entremeada à história da Igreja, desde as experiências das primeiras comunidades que, acolhendo os ensinamentos de Jesus, através dos Apóstolos, continuaram a anunciar a Palavra de Deus.

E qual foi o mandato de Jesus Cristo?

Jesus disse aos seus discípulos: "Ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16,15); "Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei" (Mt 28, 19-20); "Recebereis uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas até os confins da terra" (At 1,8). Este é o mandato de Jesus que os discípulos e discípulas catequistas continuam atendendo até hoje.

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A Igreja, que há muito tempo tem manifestado seu desejo de oficializar a atividade catequética, por considerá-la, não apenas uma tarefa da instituição, ou uma simples função pastoral, mas uma vocação, uma ação evangelizadora, surpreendeu as paróquias do mundo todo com a notícia de que o ofício de catequista passararia a ser um ministério instituído. O decreto entrou em vigor dia 11 de maio através da publicação do motu proprio Antiquum Ministerium. Mas o que muda?

A catequese na missão evangelizadora da Igreja

O diretório para a catequese afirma: "A Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela. Em toda a sua história, o povo de Deus encontrou sempre nela a sua força, e também hoje, a comunidade eclesial cresce na escuta, na celebração e no estudo da Palavra de Deus. O ministério da Palavra, portanto, nasce da escuta e educa a arte da escuta, porque somente quem escuta pode também anunciar: A evangelização está fundada sobre a Palavra de Deus escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada". (DPA, n. 283.

A Sagrada Escritura é fonte (EG, n. 174). No processo de evangelização são utilizados todos os elementos que a constitui, todos eles conectados com o mandato missionário de Jesus: proclamar, fazer discípulos e ensinar, ser testemunha, batizar, fazer in memória, amar-vos uns aos outros, sacramentos, amor ao próximo. Todos esses aspectos são vias e meios para a transmissão do único Evangelho de Jesus Cristo.

Partindo dessas considerações, quando falamos de catequese, estamos falando de um ato de natureza eclesial, evangelizador, que confere à mensagem evangélica transmitida um intrínseco carácter eclesial. No exercício de seu ministério, a catequese coloca-se a serviço da Iniciação à Vida Cristã, fazendo ressoar no coração de cada pessoa a Palavra de Deus, através do anúncio da fé, na missão de ajudar as pessoas a descobrir a beleza do evangelho que leva a crer.

Sua finalidade é a de fazer discípulos seguidores de Jesus. Sua ação é evangelizadora, abrange toda a Igreja e renova a vida da comunidade despertando seu caráter missionário. "Ela atinge diretamente as pessoas, sua experiência de vida, suas buscas profundas. Por isso, ela é espaço de acolhida, de diálogo, de clima fraterno, de respeito ao diferente, de ternura e de confiança, pois o 'testemunho de vida' fala mais alto do que as normas e as exigências rígidas" (DNC, n. 235).

A edificação da Igreja decorre da pregação do Evangelho, da catequese e da liturgia, tendo como centro a Celebração da Eucaristia. Assim, "o ministério da Palavra exige o ministério da catequese" (DGAE 23). Considerando a importância da catequese, necessário se faz ter catequistas, religiosos e leigos estáveis e reconhecidos publicamente, os quais, em comunhão com os presbíteros e o bispo, possam contribuir para dar a esse serviço diocesano a configuração eclesial que lhe é própria (DGC, n. 231).

O ministério da Palavra é indispensável ao ministério dos sacramentos

O sujeito da evangelização é o povo de Deus "peregrino e evangelizador". A unção do Espírito faz dele partícipe do múnus profético de Cristo, fornecendo-lhes dons, para que seja capaz de discernir, testemunhar e proclamar a palavra de Deus. A responsabilidade de evangelização diz respeito a todos. E nesse sentido, a catequese também é uma ação pela qual toda a Igreja se sente responsável.

Colocando-se a serviço da Iniciação à vida Cristã, e sempre atenta às diversas dimensões do ser humano, a catequese se realiza em suas diversas características:

  1. Querigmática – Tem como centro o primeiro anúncio: testemunhal, explícito, direto, alegre e incisivo do Cristo vivo.
  2. Mistagógica – que conduz para dentro do mistério Pascal. O "mistério" é uma pessoa: Jesus de   Nazaré, sua pessoa, sua mensagem e sua missão, cujo momento culminante se dá com sua morte e ressurreição, o mistério pascal. 
  3. Experiencial – Introduz a pessoa em um novo tipo de vida diferente da anterior. Acompanha a pessoa em todas as suas dimensões.
  4. Bíblica e litúrgica – A Bíblia é a principal fonte da catequese. A Palavra de Deus precisa ser narrada, dialogada, celebrada e vivencial.
  5. Catequese na vida: adultos, crianças e jovens, idosos, com pessoas com deficiência, marginalizados...

Se todos são responsáveis no processo evangelizador, nem todos, porém, são responsáveis do mesmo modo, pois diversos são os dons e carismas. Cada um contribui conforme o estado de vida e a graça recebida de Cristo (Ef 4, 11-12). Na tradição carismática dos Evangelhos pode-se reconhecer a presença ativa dos batizados no exercício do ministério de transmitir a palavra. A Igreja tem desejado reconhecer este serviço como expressão concreta do carisma pessoal que tem favorecido muito o exercício de sua missão evangelizadora, diz o papa Francisco em sua carta apostólica em forma de motu próprio. Vê que a Igreja de hoje, assim como foram as primeiras comunidades, pode também compreender quais as novas expressões com as quais seguir sendo fiéis à Palavra do Senhor, para fazer chegar o Evangelho a toda a criatura.

Sem perder de vista o processo histórico da evangelização, desde o princípio até hoje, que mostra com grande evidência quanto eficaz tem sido a missão dos ministros ordenados: os bispos, sacerdotes e diáconos, juntos com tantos homens e mulheres religiosos e religiosas, homens e mulheres consagrados e consagradas, tantos homens e mulheres, leigos e leigas que tem trabalhado na difusão do Evangelho, através dos ensinamentos catequéticos, muitos e muitas catequistas  capazes trabalhando à frente da comunidade em diversas regiões, todos desempenhando uma missão insubstituível na transmissão e na preparação da fé, o papa Francisco torna-se presente o reconhecimento do trabalho das catequistas e institui o ministério da catequista.

Mas quem é o(a) catequista?

No exercício do ministério catequético a catequista é aquela pessoa que recebe o chamado de Deus e acolhendo-o, responde esse chamado passando a participar do exercício da missão do próprio Cristo. Seu trabalho realizado, à luz do Espírito Santo, tem como finalidade a edificação da Igreja. Ela testemunha a fé, é mestra e mistagoga, é um acompanhador e educador daqueles que lhes foram confiados pela Igreja. "É um especialista na arte do acompanhamento (EG, n. 169-173). Assumindo seu chamado, vive-o com entusiasmo e como realização de sua vocação batismal.

A catequista tem competências educacionais e na docilidade à ação do Espírito, em processo de formação, ajuda os irmãos a amadurecer na vida cristã e a caminhar em direção a Deus. Ela é especialista em humanidade, conhece as alegrias e as esperanças de cada pessoa, suas tristezas e angústias (GS, n. 1) e sabe colocá-las em relação com o Evangelho de Jesus.


Obs.: Sem desconsiderar a importância fundamental de todos e todas catequistas, optei por usar a expressão "a catequista" no decorrer do texto.

Siglas

DGAE – Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora

DGC – Diretório Geral de Catequese

DPA – Diretório para a Catequese

DNC – Diretório Nacional de Catequese

EG – Evangelho Gaudium

GS – Gaudium et Spes

*Neuza Silveira de Souza é coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte



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