Cultura

14/05/2021 | domtotal.com

alguma coisa está na merda

vivemos sob a égide de um governo contra qualquer tipo de humanidade

Não tenho esperança
Não tenho esperança (Unsplash/Verne Ho)

eleonora santa rosa*

não há adjetivos que deem conta de qualificar o que assistimos, o que estamos vivendo sob a égide de um governo contra qualquer tipo de humanidade, respeito, condoimento, responsabilidade, zelo, ética e empatia. zero, absolutamente nada. tipos horrorosos, cínicos, que exalam seus 'valores' malcheirosos, assentados sob a mortandade de norte a sul. responsáveis diretos e indiretos pela morte de concidadãos, irmãos de pátria, conceito usurpado por slogans, retórica barata entremeada a atitudes grotescas da patriotada sem noção do que é uma nação, contumazes chupins do erário público. ervanário que irriga asfalto, tratora orçamento oficial de universidades à míngua, de ciência e tecnológica esquálida e cultura desfalecida.

centrão de apátridas, mercenários, useiros e vezeiros. resumo do drama barroco do país tropical cada vez mais esmaecido e entristecido: tudo por dinheiro, dinheiro, dinheiro, das emendas, do caixa 2, dos bombons recheados de dinheiro sujo, dos gabinetes de rachadinhas, das milícias e de seu padrinho instalado na casa de vidro. debochados, mal-educados, ignorantes, bravateiros calvos, ricos plastificados, mulheres tenebrosas, assustadoras, atratoras das piores espécies. percevejos.

Brecht (Bertolt), leitura obrigatória nesses dias de Brasil encalacrado, malbaratado, enauseado com o desenrolar da CPI da Covid, bueiro destampado, esgoto a céu aberto:

Este é o ano sobre o qual vai se falar
Este é o ano sobre o qual vai se calar.
Os velhos veem os jovens morrendo.
Os tolos veem os sábios morrendo.
A terra não dá mais nada, contudo engole.
O céu não jorra chuva, apenas ferro.

******

Aos pósteros

Confesso: eu
Não tenho esperança.
Cegos falam de uma escapatória. Eu
Enxergo.
Quando os erros já se esgotaram
Senta-se (derradeira companhia)
O nada à nossa frente.

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Parágrafo 1

5
O poder do Estado vê: algo está na merda.
Alguma coisa está na merda!
O que é que está na merda?
Algo está lá, mortinho da silva.
Ora, mas é o povo!
Será que é mesmo o povo?
Sim, é mesmo o povo.

*Poemas extraídos de Bertolt Brecht – Poesia. Introdução & Tradução André Vallias – Editora Perspectiva / Coleção Signos – dirigida por Augusto de Campos.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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