Cultura Artes Visuais

14/05/2021 | domtotal.com

Morre Carlito Carvalhosa, um dos grandes expoentes da arte contemporânea do Brasil

Obra do artista paulista explora materiais sempre em diálogo com o espaço expositivo

'Sala de espera', trabalho de 2011, cria obstáculos entre o espectador e o espaço
'Sala de espera', trabalho de 2011, cria obstáculos entre o espectador e o espaço (Nara Roesler Galeria/Reprodução)

Carlito Carvalhosa, um dos artistas contemporâneos brasileiros mais renomados, morreu na quinta-feira (13) no Hospital Nova Star, em São Paulo, aos 59 anos, em decorrência de um câncer contra o qual lutou por mais de oito anos. O velório do artista ocorreu nesta sexta-feira (14). Seu corpo será cremado em cerimônia no Horto da Paz, às 16h. As informações foram fornecidas pela irmã do artista, Zita Carvalhosa. Carlito deixa esposa e duas filhas, Maria e Cecília.

Carlito Carvalhosa foi um dos maiores fenômenos da arte brasileira contemporânea, tendo conquistado curadores e colecionadores internacionais com sua obra. Há dois dias, o Museu Guggenheim de Nova York comprou um trabalho do artista, que participou de várias bienais, entre elas a 18ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1985, a Bienal de Havana, no ano seguinte, e a Bienal do Mercosul, em 2001 e 2009. É um dos poucos brasileiros que expôs no Museu de Arte Moderna de Nova York - sua exposição, em 2011, foi um marco histórico.

O início de sua carreira foi nitidamente marcado pela influência do construtivismo. Seus primeiros trabalhos, dos anos 1980, usam a cera sobre tela, criando peças translúcidas. O processo de construção dessas peças revela as etapas de sua produção, assim como, nos anos 1990, suas esculturas tornam evidentes as formas dos cilindros que as moldavam.

Carlito estudou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), de 1980 a 1984. Fez um curso de gravura em metal no ateliê de Sérgio Fingermann (1953), entre 1980 e 1982, década em que integrou o grupo Casa 7, com Rodrigo Andrade (1962), Fábio Miguez (1962), Nuno Ramos (1960) e Paulo Monteiro (1961). Eles produziam, na época, pinturas gestuais de grandes dimensões, como era comum entre os neoexpressionistas alemães e a transvanguarda italiana.

´Regra de dois´, de Carlito Carvalhosa'Regra de dois', de Carlito Carvalhosa

O artista morou na Alemanha entre 1989 e 1992 com uma bolsa do Deutscher Akademischer Austauch Dienst (Daad), o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico, trabalhando em Colônia. A extinta editora Cosac Naify publicou uma monografia a respeito de seu trabalho em 2000, com textos de Alberto Tassinari, Rodrigo Naves e Lorenzo Mammì.

A obra de Carvalhosa é realizada, sobretudo, em pintura e escultura. As tendências do neoexpressionismo eram visíveis emseu trabalho, principalmente no uso de suportes inusitados e experimentos com materiais influindo no espaço. Carvalhosa fez experimentos com quadros com cera pura ou misturada a pigmentos. Nos anos 1990, dedicou-se à produção de esculturas de aparência orgânica e maleável, utilizando materiais diversos, assim como usou porcelana em vários trabalhos.


Agência Estado/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!