Coronavírus

14/05/2021 | domtotal.com

Sem IFA da China, produção de vacinas contra Covid-19 no Brasil pode parar 100% nos próximos dias

Ataques do presidente Bolsonaro podem ter relação com atrasos de entregas de insumos

Produção da Coronavac já está suspensa pelo Butantan
Produção da Coronavac já está suspensa pelo Butantan (Mauro Nascimento/ Palácio Piratini)

A dependência de insumos vindos da China pode deixar o Brasil totalmente sem produção de vacinas contra Covid-19 já na próxima semana. A fabricação da Coronavac, feita pelo Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, já foi interrompida por falta de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA). Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pela produção da vacina desenvolvida pela AstraZeneca, sustentará a produção até a próxima semana.

O anúncio sobre a paralisação da Coronavc foi feito pelo governador João Doria (PSDB) nesta sexta-feira (14), durante a entrega do último lote da primeira etapa do contrato de 46 milhões de doses da vacina para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

A situação também vai impactar na previsão de entrega de doses para o mês de maio. De acordo com o instituto, o número seria de 12 milhões de doses, mas o repasse deve ser de pouco mais de 5 milhões. Segundo a gestão estadual, o cronograma de vacinação anunciado será cumprido, mas é possível que o ritmo seja desacelerado para que não ocorram interrupções.

"Não temos mais insumos, mais IFA, para a produção de vacinas Coronavac, que até aqui abasteceram 70% de todo o sistema vacinal do País. Não temos porque o governo da China ainda não liberou o embarque de 10 mil litros de insumos que estão prontos destinados ao Instituto Butantan pelo laboratório Sinovac, que correspondem a aproximadamente 18 milhões de doses da vacina, absolutamente necessários para manter a frequência do sistema vacinal, acelerar e, principalmente, atender aqueles que precisam tomar a segunda dose da vacina", disse o governador de São Paulo.

Ofensas de Bolsonaro à China

Doria voltou a afirmar que o atraso para a liberação está ligado a ofensas que o presidente da República, Jair Bolsonaro, e membros do governo federal fizeram ao governo chinês e à China, algo que acabou interferindo nas negociações.

"Todos sabem que temos um entrave diplomático, fruto de declarações inadequadas, desastrosas feitas pelo governo federal contra a China, contra o governo da China e a própria vacina. Isso gerou um bloqueio por parte do governo chinês para a liberação do embarque desses insumos", disse Doria.

Fiocruz

A quantidade de IFA já disponível na Fiocruz sustentará a produção até a próxima semana e garante as entregas até a primeira semana de junho. Com as novas remessas, as entregas das três primeiras semanas de junho também estarão asseguradas.

Até a chegada do IFA "haverá uma interrupção na produção de alguns dias na próxima semana", segundo a Fiocruz. É possível que isso provoque algum impacto na entrega das doses, informa a instituição. O cronograma de entregas permanece semanal, sempre às sextas-feiras, conforme pactuado com o Ministério da Saúde, seguindo a logística de distribuição definida pela pasta.


Agência Estado/DomTotal



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