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15/05/2021 | domtotal.com

Tribunal dos EUA confirma condenação da Monsanto sobre efeitos do glifosato

Processo teve início por um aposentado com câncer que atribui a doença ao uso do herbicida Roundup

O herbicida Roundup, que é alvo de milhares de ações judiciais nos EUA, em uma loja de Los Angeles, Califórnia, em 1º de setembro de 2019
O herbicida Roundup, que é alvo de milhares de ações judiciais nos EUA, em uma loja de Los Angeles, Califórnia, em 1º de setembro de 2019 (AFP)

Uma corte de apelações da Califórnia confirmou nesta sexta-feira (14) a condenação da Monsanto, do grupo alemão Bayer, no processo iniciado por um aposentado com câncer que atribui a doença ao uso do herbicida Roundup.

O tribunal de San Francisco se recusou a revisar o caso de Edwin Hardeman, conforme solicitado pela Bayer, e manteve a sentença que determina que o grupo pague 25 milhões de dólares em danos e juros ao homem.

Hardeman, que foi diagnosticado com linfoma não-Hodgkins em 2015, afirma que o uso regular do herbicida a base de glifosato causou a doença.

Os juízes "mantiveram a sentença do tribunal distrital em favor de Edwin Hardeman em sua ação alegando que o pesticida Roundup da Monsanto causou seu linfoma", diz a decisão, que lembra que "desde 2015, milhares de vítimas de câncer levaram a Monsanto à justiça tanto estadual quanto federal".

A decisão desta sexta observa que o tribunal distrital negou corretamente o recurso da Monsanto "já que as evidências mostraram que o risco carcinogênico do glifosato era conhecido no momento da exposição de Hardeman" ao produto.

Em um primeiro recurso em julho de 2019, a indenização para o homem afetado foi revisada para baixo. Uma condenação inicial em março de 2019 concedeu a ele 80 milhões de dólares, quantia que foi reduzida para 25 milhões, sendo 5 milhões como indenização e 20 milhões em danos punitivos.

Edwin Hardeman foi um dos primeiros a processar a Monsanto, apontando para o herbicida que usou por 25 anos em sua propriedade como cancerígeno e acusando o grupo Monsanto de enganar os usuários ao alegar que o glifosato era inofensivo.

A Monsanto sempre argumentou que nenhum estudo indicou a periculosidade do glifosato e do Roundup, que chegaram ao mercado na década de 1970. O grupo Bayer comprou a Monsanto em 2018 por 63 bilhões de dólares.

O grupo afirmou que ficou "decepcionado" com a decisão desta sexta e disse que seguirá considerando "todas as opções legais, incluindo levar o caso à Suprema Corte".


AFP/Dom Total



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