Meio Ambiente

19/05/2021 | domtotal.com

Relatório da ONU elogia avanço na proteção de áreas naturais, mas cobra mais ações

Pnuma e IUCN acreditam que maior participação dos povos indígenas é essencial

Metade das áreas preservadas têm boa gestão, mas outras são ineficazes, segundo relatório
Metade das áreas preservadas têm boa gestão, mas outras são ineficazes, segundo relatório (Florian Plaucheur/AFP)

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) alerta que a comunidade internacional praticamente atingiu as metas definidas em 2020 de aumentar as áreas naturais protegidas no mundo, mas é preciso melhorar sua gestão e levar em conta as populações locais.

Em 2010, a comunidade internacional adotou 20 metas para 2020 para deter o declínio dramático da biodiversidade, os chamados AICHIs. O relatório divulgado nesta quarta-feira examinou as metas relacionadas à proteção de áreas naturais.

"Hoje, 22,5 milhões de quilômetros quadrados de áreas terrestres e de águas interiores (16,64% do total mundial) e 28,1 milhões de quilômetros quadrados de áreas marinhas e costeiras (7,74%) estão em áreas protegidas documentadas, um aumento de mais de 21 milhões de quilômetros quadrados desde 2010", de acordo com um comunicado.

A comunidade internacional estabeleceu metas para atingir 17% das áreas terrestres e 10% das áreas marinhas. O primeiro foi plenamente alcançado, se consideradas as últimas unidades de conservação não incluídas no relatório.

A qualidade da proteção

Segundo Trevor Sandwith, diretor do programa de áreas protegidas da IUCN, que relata um "grande esforço por parte dos países" ao informar que 42% das unidades de conservação foram criadas na última década. O Pnuma e a IUCN saudaram esses avanços, mas enfatizaram que é necessário "melhorar a qualidade das áreas existentes e futuras".

No entanto, atualmente não há padrões globais para medir esse fator, segundo Sandwith. De acordo com algumas avaliações, "metade faz as coisas bem e a outra metade, em absoluto". A IUCN desenvolveu uma lista de fatores para definir o bom funcionamento dessas zonas, como tamanho suficiente, regulamentação eficaz, finanças e conhecimentos necessários.

Por outro lado, o relatório destaca que cerca de um terço das áreas essenciais para a biodiversidade permanecem desprotegidas. Além disso, "as áreas protegidas devem estar melhor conectadas entre si para permitir que as espécies se movam e os processos ecológicos funcionem." Mas atualmente "apenas 8% das terras são protegidas e conectadas ao mesmo tempo".

A publicação do relatório ocorre menos de seis meses antes da planejada COP15 sobre biodiversidade na China, que estabelecerá um novo quadro de ação até 2030. Nesse encontro, a Coalizão de Alta Ambição pela Natureza e Pessoas (HAC), inicialmente promovida pela Costa Rica e pela França, defenderá que pelo menos 30% das áreas naturais terrestres e marinhas sejam protegidas.

Essa proteção também requer maior participação dos povos indígenas, segundo a IUCN e o Pnuma. De fato. Esses grupos temem que a criação de áreas protegidas seja um pretexto para expulsá-los de suas terras, como já aconteceu em muitos países. Proteger a natureza não significa acabar com as atividades humanas, segundo Sandwith, mas sim promover práticas sustentáveis, da agricultura e pesca ao turismo, acrescenta.


AFP/Dom Total



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