Religião

20/05/2021 | domtotal.com

Papa deverá participar Cúpula do Clima

O enviado presidencial especial dos EUA para o clima, no Vaticano, confirma visita do papa a Glasgow

Papa Francisco troca presentes com John Kerry, enviado presidencial especial dos EUA para o clima, no Vaticano
Papa Francisco troca presentes com John Kerry, enviado presidencial especial dos EUA para o clima, no Vaticano (Vatican News)

Cindy Wooden

O papa Francisco pretende visitar Glasgow no final deste ano para participar das negociações climáticas da COP26, de acordo com o enviado do presidente Joe Biden para o clima, John Kerry.

Kerry disse à sua equipe que o papa Francisco estará nas conversações junto com outros chefes de Estado para o primeiro dia da Convenção sobre Mudança Climática, em novembro.

A possibilidade da visita foi revelada por Christopher Lamb em The Tablet. O jornalista escreveu: "Proteger o meio ambiente e encorajar urgentemente os líderes mundiais a agirem para combater a mudança climática foram marcas registradas do papado de Francisco. O papa Francisco cronometrou a publicação de sua encíclica ecológica histórica, Laudato si, para influenciar a cúpula do clima em Paris em 2015, a COP21, que levou a um acordo histórico para reduzir as emissões globais de carbono.

Na sexta-feira da semana passada, Kerry se encontrou em particular com o papa Francisco, um dia depois de fazer um discurso em uma reunião, a portas fechadas, da Pontifícia Academia para as Ciências e da Pontifícia Academia para as Ciências Sociais.

Como Kerry não é chefe de estado, o Vaticano não emitiu nenhuma declaração sobre o encontro, embora a mídia do Vaticano tenha divulgado fotos e um vídeo do encontro na biblioteca papal.

O vídeo mostra Kerry dando ao papa Francisco sua autobiografia, Every day is extra, e o romance ambiental vencedor do Pulitzer, The overstory, de Richard Powers. O papa Francisco deu a Kerry uma cópia assinada de sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, uma coleção de suas encíclicas, incluindo Laudato Si, e uma escultura de uma videira.

Em um dos vídeos parciais divulgados pelo Vaticano, Kerry diz à sua equipe: "No primeiro dia, Francisco estará lá com os chefes de estado". Alguém respondeu: "Isso é ótimo. Temos ouvido isso, por isso é bom termos a confirmação". Kerry então disse: "Será incrível. Estou dizendo que terá um impacto profundo."

Na entrevista às Vatican News, Kerry destacou que a autoridade moral do papa Francisco e o ensino sobre a necessidade de abordar as mudanças climáticas e a pobreza podem reunir mais pessoas para se comprometerem com o meio ambiente.

As pessoas precisam saber, disse o enviado presidencial, que fazer uma diferença positiva é possível e que a mudança climática pode ser desacelerada enquanto são criados milhões de novos empregos.

A "nota conceitual" para a reunião das academias pontifícias, Sonhando um melhor reinício, descreveu "a crise atual e o estado de confusão global" como resultado da "globalização do egoísmo, da exclusão e da cultura do descarte. A desigualdade e a fome estão aumentando, apresentando grandes desafios éticos, econômicos e políticos aos quais os formuladores de políticas e a sociedade civil devem reagir".

"Mudanças extensas na política internacional e na arquitetura financeira são necessárias para lidar com a desigualdade", apontou Kerry, e planos abrangentes devem ser desenvolvidos para combater as mudanças climáticas e transformar o sistema global de produção e distribuição de alimentos. A primeira metade da reunião da tarde, que foi conduzida online e pessoalmente na sede das academias nos jardins do Vaticano, teve como foco o alívio da dívida para os países em desenvolvimento e para a arquitetura internacional e fiscal".

Janet Yellen, secretária do Tesouro dos EUA, participou da discussão online e Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, fez o discurso principal. Os ministros de finanças e economia do México, Alemanha, Espanha, Itália e Argentina também devem falar.

"Muitos países de baixa renda não têm recursos para pagar as vacinas, apoiar as famílias e empresas afetadas pela crise econômica e cumprir com o pagamento de suas dívidas. Estou preocupada com um aumento persistente na pobreza global e uma divergência global duradoura na prosperidade", disse Yellen na reunião, de acordo com um texto postado no site do departamento do tesouro.

Embora tenha havido progresso na suspensão do pagamento do serviço da dívida dos países mais pobres, apontou Yellen, mais do que isso deve ser feito.

Temas como tributação corporativa e mudança climática são duas outras questões globais prioritárias para o departamento do tesouro dos EUA, disse Yellen.

Atualmente, parece haver uma "corrida para o fundo das taxas de impostos corporativos", o que pode atrair empresas para os países que oferecem estas iscas, mas os deixa sem "sistemas fiscais estáveis que levantem receitas suficientes para investir em bens públicos essenciais e responder a crises" e cria desigualdade entre os cidadãos no que diz respeito à divisão do ônus do financiamento do governo.

"Estamos trabalhando com os países do G20 para concordar com uma alíquota mínima global de impostos corporativos que possa impedir a corrida para o fundo do poço", disse a secretária do tesouro. "Juntos, podemos usar um imposto mínimo global para garantir que a economia global prospere com base em um campo de jogo mais equitativo na tributação de empresas multinacionais e estimule a inovação, o crescimento e a prosperidade".

Sobre a questão do clima, Yellen disse na conferência: "O custo da inação é muito alto. Devemos alimentar uma revolução de energia limpa que crie bons empregos, alcance a justiça, reduza as emissões e a poluição e enfrente a crise climática no país e no exterior. Simplificando, o Tesouro está focado em mobilizar financiamento para a mitigação e a adaptação climática e apoiar o alinhamento mais amplo do sistema financeiro com metas de emissões líquidas zero.

O segundo painel, do qual Kerry foi o palestrante principal, foi sobre mudança climática e energia sustentável e justa e transformação do sistema alimentar. As academias disseram que incluiria uma discussão sobre como "mobilizar o financiamento dos setores público e privado para impulsionar a rede de transição e para ajudar os países vulneráveis a lidar com os impactos do clima na saúde de suas pessoas".

O escritório de Kerry não divulgou o texto de suas observações.

O enviado estava viajando para Roma, Londres e Berlim, de 13 a 19 de maio para discutir maneiras de acelerar a ação para conter as mudanças climáticas antes mesmo de os líderes mundiais se reunirem na COP26.

Em encontro com funcionários do governo italiano em 13 de maio, Kerry disse que todos os países devem começar a cortar emissões imediatamente se quiserem ter esperança de cumprir a meta de manter o aquecimento global abaixo de 1,5 graus Celsius.

"Não é suficiente dizer emissões zero até 2050", disse Kerry, de acordo com a ANSA, a agência de notícias italiana. "Devemos fazer as coisas agora que permitirão chegar ao que precisamos até 2050."

Publicado originalmente por The Tablet


Tradução: Ramón Lara



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