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24/05/2021 | domtotal.com

Líder opositora Aung San Suu Kyi comparece a tribunal e desafia generais em Mianmar

Militares continuam reprimindo a população e cogitam banir partido da vencedora do Nobel

Aung San Suu Kyi é acusada de incitação à desordem e quebra de segredo de Estado
Aung San Suu Kyi é acusada de incitação à desordem e quebra de segredo de Estado (Anônimo/AFP)

A ex-dirigente birmanesa Aung San Suu Kyi, que recebeu várias acusações da junta militar, compareceu nesta segunda-feira (24) pela primeira vez a uma audiência presencial em um tribunal desde o golpe de Estado e desafiou os generais que derrubaram seu governo. As forças de segurança foram mobilizadas ao redor do tribunal, especialmente instalado na capital, Naypyidaw, para julgar a ex-chefe de Governo.

Aung San Suu Kyi, de 75 anos, que está em prisão domiciliar e não é vista em público desde sua detenção no dia 1º de fevereiro, parece estar em "boa saúde", afirmou sua advogada Min Min Soe, que teve uma reunião de 30 minutos com a cliente ao lado de outros advogados.

Antes da audiência, ela expressou um tom desafiador com a junta, ao afirmar que seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), "existirá enquanto o povo existir, porque foi fundado para o povo", segundo a advogada.

Os generais ameaçam dissolver o partido, que venceu as eleições legislativas de 2020 por ampla maioria, alegando uma fraude na votação. A Comissão Eleitoral, muito próxima ao regime militar, afirmou que a investigação está quase concluída.

Aung San Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991 por sua longa luta contra as anteriores ditaduras militares, está entre as mais 4 mil pessoas detidas desde o golpe.

Acusada seis vezes desde sua detenção, ela enfrenta várias acusações, que vão de posse ilegal de walkie-talkies até incitação da desordem pública e violação de uma lei de segredo de Estado. Se for considerada culpada, ela pode ser banida da política e condenada a vários anos de prisão.

A próxima audiência está programada para 7 de junho, indicou Min Min Soe, que também se reuniu com o ex-presidente Win Myint, detido ao mesmo tempo que Aung San Suu Kyi.

Combates intensos

Mianmar enfrenta um cenário de caos desde o golpe de Estado, com manifestações e greves que paralisam a economia. A rebelião é reprimida com violência pelas forças de segurança, que nos últimos meses mataram pelo menos 818 civis, incluindo mulheres e menores de idade, segundo a Associação de Apoio aos Presos Políticos (AAPP). Dezenas de milhares de birmaneses também foram obrigados a fugir ante os confrontos entre o exército e as milícias étnicas, muito ativas no país.

No domingo foram registrados combates intensos entre os militares e uma facção, o Partido Nacional Progressista Karenni (KNPP), com sede no estado de Kayah (este). O Exército utilizou helicópteros e tanques contra os insurgentes, lançou morteiros e os combates prosseguiram até a noite, segundo uma fonte do KNPP. Quatro pessoas que estavam refugiadas em uma igreja morreram nos bombardeios, segundo um porta-voz de um grupo local que coordena as retiradas.

A violenta repressão do exército motivou os opositores da junta militar a formar a Força de Defesa do Povo (PDF), integrada por civis que usam armas de fabricação caseira. Ao menos 30 militares e policiais morreram no fim de semana em confrontos com as PDF no leste do país, de acordo com fontes do grupo que pediram anonimato.

Ao mesmo tempo, o líder da junta, Min Aung Hlaing, permanece à frente do país. Questionado sobre seus planos pelo canal Phoenix de Hong Kong, ele respondeu "não tenho ideia".

Mas a imprensa local afirmou que o regime suprimiu o limite de idade para a aposentadoria dos generais, o que significa que ele poderá continuar no cargo depois de completar 65 anos em julho. Min Aung Hlaing afirmou que desde o golpe morreram apenas 300 civis e 47 policiais.


AFP/Dom Total



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