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04/06/2021 | domtotal.com

Morte de animais de estimação em ataques é outro trauma para crianças de Gaza

De 10 a 21 de maio, 66 crianças foram mortas por bombardeios israelenses contra Gaza

Funcionário de abrigo de cães na Faixa de Gaza em 24 de maio de 2021
Funcionário de abrigo de cães na Faixa de Gaza em 24 de maio de 2021 (MOHAMMED ABED/Afp)

Quando as bombas israelenses caíram, Nerimane abandonou seus periquitos e dois peixinhos. Para ela e para o povo da Faixa de Gaza, o sofrimento e a morte de animais domésticos e de estimação são mais uma fonte de dor.

O último conflito de 11 dias entre Israel e a Faixa de Gaza, governada pelo movimento islâmico Hamas, foi uma tragédia humana principalmente para os palestinos.

De 10 a 21 de maio, 254 palestinos, incluindo 66 crianças, foram mortos por bombardeios israelenses contra Gaza, segundo autoridades locais. Mais de 1,9 mil pessoas ficaram feridas no enclave palestino.

Em Israel, o lançamento de foguetes deixou 12 mortos, incluindo uma criança e uma adolescente, segundo relatórios da polícia.

Mas as bombas israelenses também mataram muitos animais de estimação, sendo outra fonte de dor e angústia.

Nerimane, de nove anos, está inconsolável depois da morte de um de seus dois peixinhos dourados.

"Fiquei tão triste quando Hooriya ('Sereia' em árabe) morreu que chorei ao enterrá-la no campo", conta a garota.

Em 13 de maio, seus vizinhos receberam uma ligação de um oficial israelense para informá-los sobre um ataque iminente a um banco perto de sua casa em Gaza.

A família fugiu e, enquanto as bombas caíam, Nerimane não parou de se preocupar com Alloosh e Malloosh, dois periquitos que ganhou de presente de seu pai quando tinha seis anos de idade, e seus peixes Hooriya e Hoor ("Beleza" em árabe).

Ao voltar para casa, ela encontrou sua cama coberta de escombros e vidros quebrados.

"Eu ouvi Alloosh e Malloosh cantando sob os escombros e encontrei o aquário em pedaços", lembra.

Em um vídeo que se tornou viral nas redes sociais, ela é vista com seu primo resgatando Hoor.

"Enterrados"

Outros donos de animais de estimação tiveram que pedir ajuda à clínica veterinária de Mutassem Qaddoura na cidade de Gaza.

"Minha gata está apavorada desde a guerra. Ela se recusa a comer e seu pelo está caindo", relata Amani Abou Shaaban, segurando o animal contra o peito na sala de espera.

"Até o toque de telefone a assusta", acrescenta.

O veterinário Mutassem Qaddoura examina gatos com patas quebradas, desidratados, desnutridos.

"A situação dos cuidados veterinários é terrível em Gaza", ressalta o médico.

"Usamos máquinas de raio-X feitas para humanos e parafusos ortopédicos para ossos de crianças", acrescenta.

No sul da cidade, Adel al-Wadia, de 30 anos, tentava alimentar os animais no principal abrigo para cães do enclave.

"Eles gritam de medo e fome, isso me deixava triste, então arrisquei chegar o mais perto possível para lhes dar comida", conta ele.

Dezenas de animais escaparam durante o conflito e vários deles foram feridos ou mortos.


Afp



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