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01/06/2021 | domtotal.com

Bolsonaro ignora pandemia e confirma Copa América sem público no Brasil

País, que vive o temor da terceira onda, tem 465.199 mortes por Covid-19

Presidente bateu o martelo nesta terça-feira
Presidente bateu o martelo nesta terça-feira (Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta terça-feira (1º) que o Brasil será sede da Copa América. Ele informou que os governadores do Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás aceitaram receber os jogos da competição. O país tem 465.199 mortes por Covid-19 e um total de 16.624.480 casos da doença desde o início da pandemia.

"Escolhemos as sedes em comum acordo, obviamente, com os governadores. Agora, já tivemos quatro governadores: aqui de Brasília, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás. E mais um agora, que chegou um pouco atrasado, também se prontificando a sediar a Copa América. Então, ao que tudo indica, prezado Queiroga (ministro da Saúde), seguindo os mesmos protocolos, o Brasil sediará a Copa América", disse Bolsonaro, durante evento no Ministério da Saúde, onde foi anunciada a transferência de tecnologia para o laboratório da Fiocruz fabricar a vacina da Astrazeneca contra o coronavírus.

Pelas redes sociais o ministro da Casa Civil, Luiz Ramos, endossou o que havia dito o presidente e corrigiu um dos Estados divulgados pelo presidente. A Copa América será no Mato Grosso, onde fica a Arena Pantanal, construída para a Copa do Mundo, e não Mato Grosso do Sul. "Confirmada a Copa América no Brasil. Venceu a coerência! O Brasil que sedia jogos da Libertadores, Sul-Americana, sem falar nos campeonatos estaduais e Brasileiro, não poderia virar as costas para um campeonato tradicional como este. As partidas serão em  MT, RJ, DF e GO, sem público", escreveu.

Pouco tempo depois do anúncio do presidente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que o estado não receberá jogos do campeonato. A declaração do tucano foi um recuo em relação à defesa que fez dos jogos mais cedo nesta terça (1º) e segunda (31).

"Comuniquei ao secretário-geral da CBF que SP não deverá sediar a Copa América. Após ampla consulta aos  membros do Centro de Contingência sobre os efeitos que a realização da Copa América  teria sobre a Pandemia de Covid-19 no estado de SP,  os cientistas apontaram que neste momento a realização do torneio  representaria uma má sinalização de arrefecimento no controle da transmissão do coronavírus, prioridade absoluta do Governo do Estado", publicou Doria.

A transferência do evento para o País foi anunciada após Colômbia e Argentina desistirem de receber o torneio. O Brasil foi escolhido com o argumento de possuir estádios em boas condições de uso, apesar de alguns estarem ociosos após a Copa do Mundo de 2014.

Recusas

O anúncio gerou críticas por acontecer em meio a pandemia de Covid-19. Ao longo do dia, governadores passaram a rejeitar a possibilidade de receber jogos do torneio em seus Estados. Rio Grande do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Norte já alegaram não ter condições de receber um evento desse porte em meio à pandemia do coronavírus. Nas redes sociais, o evento ganhou apelidos como "Corona Cup" e "Cepa América", além de memes críticos à competição.

Quando anunciou o Brasil como sede da Copa América, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, fez questão de agradecer nominalmente Bolsonaro. "Quero agradecer muito especialmente ao presidente  Jair Bolsonaro e a seu gabinete por receber o torneio de seleções mais antigo do mundo. Igualmente meus agradecimentos vão para o presidente da CBF, Rogério Caboclo, por sua colaboração", disse o dirigente máximo da Conmebol nas redes sociais.  

O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou um requerimento para que o colegiado convoque o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, para explicar sobre a realização do evento. A iniciativa é apoiada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, que afirmou que vai se esforçar para que ela seja aprovada.  

A Argentina abriu mão do torneio depois de a Conmebol não aceitar as exigências feitas pelas autoridades sanitárias, que inclusive eram muito parecidas com as feitas pelo Brasil. Entre as reivindicações do governo argentino estava a redução do número de integrantes das delegações. As dez seleções participantes do torneio levariam entre 1 mil e 1,2 pessoas ao país vizinho. Também foi pedido que as delegações vacinassem seus membros com ao menos uma dose, além da adoção de rígidos protocolos em meio a um aumento de casos de Covid-19 no país.  Antes, a possibilidade de a Colômbia receber os jogos foi descartada após o acirramento dos protestos contra o governo local.


Agência Estado/DomTotal



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