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05/06/2021 | domtotal.com

Autoridades traçam cenário de riscos e retrocessos ambientais

Evento abriu as comemorações da Semana do Meio Ambiente na Dom Helder

Ex-ministra Marina Silva participa de live promovida pela Dom Helder nesta sexta-feira (4)
Ex-ministra Marina Silva participa de live promovida pela Dom Helder nesta sexta-feira (4) Foto (Necom)
Professor Sébastien Kiwonghi Bizawu, da Dom Helder
Professor Sébastien Kiwonghi Bizawu, da Dom Helder Foto (Necom)
Professor Olivier Le Bot, da Faculdade de Direito de Aix-Marseille
Professor Olivier Le Bot, da Faculdade de Direito de Aix-Marseille Foto (Necom)
Palestra do professor Olivier Le Bot, da Faculdade de Direito de Aix-Marseille
Palestra do professor Olivier Le Bot, da Faculdade de Direito de Aix-Marseille Foto (Necom)
Julieth Matosinhos, doutoranda na Dom Helder
Julieth Matosinhos, doutoranda na Dom Helder Foto (Necom)
Professor Paulo Stumpf, reitor da Dom Helder
Professor Paulo Stumpf, reitor da Dom Helder Foto (Necom)
Professores Olivier Le Bot e José Claudio Junqueira Ribeiro
Professores Olivier Le Bot e José Claudio Junqueira Ribeiro Foto (Necom)
José Carlos Carvalho, ex-ministro do Meio Ambiente
José Carlos Carvalho, ex-ministro do Meio Ambiente Foto (Necom)
Debates já alcançaram mais de mil visualizações
Debates já alcançaram mais de mil visualizações Foto (Necom)

Um cenário de grandes riscos e retrocessos ambientais foi traçado pelos participantes da live “Política Ambiental na Semana Mundial do Meio Ambiente”, realizada nesta sexta-feira (4) pelo canal da Dom Helder no YouTube. O evento, coordenado pelo Programa de Pós-Graduação e pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Escola, contou com palestras do professor Olivier Le Bot, da Faculdade de Direito de Aix-Marseille (França), e dos ex-ministros Marina Silva e José Carlos Carvalho, que comandaram a pasta do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, e em 2002, respectivamente.

“Não há o que celebrar, muito pelo contrário. É um luto que não passa, em muitas frentes. Não bastava a crise econômica, milhões de desempregados, pessoas passando fome, crianças, adolescentes e jovens sem acesso à escola, vamos caminhando para 500 mil vidas perdidas em função do desastre da saúde pública. Nós temos, na agenda ambiental, uma política de ‘terra arrasada’”, apontou Marina Silva.

Política essa que, segundo a ex-ministra, pode ser observada em três frentes principais. A primeira ocorre no campo da narrativa, com a substituição do discurso da preservação, da sustentabilidade e do respeito a populações, por um discurso que estimula o uso predatório dos recursos e a expansão de empreendimentos que operam conforme a ‘nova lógica’ do governo. “A estratégia é não ter política ambiental. A intenção é ser nefasto para o meio ambiente”, ressaltou Marina.

A segunda frente atua para desconstruir a legislação, ‘dando tiros de morte’ no licenciamento ambiental e na demarcação de terras indígenas, estimulando o garimpo ilegal e a redução de unidades de conservação, entre outras ações citadas pela ex-ministra. Por fim, a terceira frente atrai os piores investimentos para o Brasil, com uma visão predatória de desenvolvimento, na ‘contramão de tudo o que está acontecendo’, completou Marina Silva.

Resultado: o Brasil virou chacota no mundo inteiro, infelizmente, de acordo com a avaliação do ex-ministro José Carlos Carvalho. “Em vez de darmos continuidade para fazer uma evolução positiva da nossa inserção no plano internacional, nós vamos ter que fazer um grande esforço para reinserir o Brasil em um patamar que ele já tinha ocupado num passado recente”, afirmou. Para o ex-ministro, é preciso alertar a sociedade sobre a gravidade da situação ambiental, assim como para a proteção dos Direitos Humanos e outras questões fundamentais.

Outro exemplo das constantes ameaças ao meio ambiente foi levantado pelo reitor da Dom Helder, professor Paulo Stumpf, ao comentar dados alarmantes divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta semana. O desmatamento na Amazônia Legal em maio foi o maior registrado desde 2016, quando a série histórica teve início. Foi o terceiro mês seguido de recorde de destruição da floresta em 2021. “Em 28 dias a região atingiu o aumento de 41% em relação ao mesmo mês de 2020. Nós vivemos sim um período de grandes riscos e retrocessos ambientais”, reforçou Stumpf.

Por outro lado, o reitor lembrou algumas das iniciativas da Dom Helder em prol da preservação ambiental, como um programa de pós-graduação dedicado à temática e com produções citadas pelos mais importantes tribunais; o Movimento Ecos, cada vez mais forte e atuante; e o credenciamento de professores da Escola para a participação em audiências públicas de defesa ao meio ambiente. “Precisamos promover esses debates, suscitar na consciência coletiva a certeza de que não poderemos admitir tamanhos retrocessos”, convocou.

Para Marina Silva, é totalmente possível promover uma política de desenvolvimento sustentável para o Brasil, que aposte na bioeconomia e em energias renováveis, enfrente a desertificação e a perda da biodiversidade, proteja os recursos hídricos, entre outras iniciativas. “Nós sabemos como fazer. O governo que não quer fazer. (...) O Brasil não é o lugar do problema, é o lugar da solução. Podemos dobrar a produção agrícola sem derrubar nenhuma árvore”, afirmou.

Dom Helder

Também participaram dos debates os professores Sébastien Kiwonghi Bizawu, José Claudio Junqueira Ribeiro, Magno Federici Gomes, e a professora Julieth Matosinhos, doutoranda na Dom Helder.

Confira a live completa:



Patrícia Azevedo/Necom Dom Helder e EMGE



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