Coronavírus

07/06/2021 | domtotal.com

OMS pede aos laboratórios para compartilhar 50% de suas vacinas com o Covax

Brasil vai receber novo lote de 4 milhões de doses da AstraZeneca no fim do mês

Funcionária comprova os documentos de um contêiner com o primeiro envio de doses de vacinas no aeroporto internacional de Noi Bai, Vietnã
Funcionária comprova os documentos de um contêiner com o primeiro envio de doses de vacinas no aeroporto internacional de Noi Bai, Vietnã (Nhac Nguyen/AFP)

Atualizada às 17h40

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu, nesta segunda-feira (7), aos fabricantes de vacinas contra a Covid-19 que disponibilizem metade de sua produção de doses este ano para o dispositivo internacional Covax.

Enquanto os países mais ricos acumulam vacinas rapidamente, o Covax, que fornece doses aos países pobres, quer garantir uma distribuição justa entre aqueles que podem pagar e aqueles que não podem, mas ainda não funciona a todo vapor. E isso quando a Índia, de onde o Covax recebe doses, bloqueou as exportações da vacina fabricada pelo Instituto Serum para combater a epidemia em seu território.

Até 4 de junho, o Covax havia fornecido mais de 80 milhões de doses para 129 países e territórios. Menos do que o esperado. Diante dessa situação, a OMS pediu mais uma vez aos países ricos, que já vacinaram parte de sua população, que compartilhem as vacinas. Mas a organização também pediu às empresas farmacêuticas que mostrassem solidariedade.

"Peço a todos os fabricantes que deem ao Covax o direito à primeira rejeição (ou seja, propor as doses como prioridade) sobre novos volumes de vacinas ou se comprometer a disponibilizar 50% de seus volumes para o Covax este ano, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva. "A vacinação desigual é uma ameaça para todas as nações, não apenas para aquelas com menos vacinas", afirmou.

O Covax foi criado pela Vaccine Alliance (Gavi), a OMS e a Coalizão para inovações de preparação para epidemias (Cepi).

Chamado ao G7

Apesar das promessas de doações de vacinas contra o coronavírus para a Covax, o dispositivo tem poucas para junho e julho. Em maio, durante a Assembleia Mundial da Saúde, Tedros pediu à comunidade internacional que, até setembro, pelo menos 10% da população de cada país fosse vacinada contra a Covid-19 e que 30% fosse vacinada até o final do ano.

"Para atingir essas metas, precisamos de 250 milhões de doses adicionais até setembro e 100 milhões de doses somente em junho e julho", lembrou o chefe da OMS nesta segunda-feira. "Neste fim de semana, os líderes dos países do G7 se reunirão para sua cúpula anual. Essas sete nações têm o poder de atingir essas metas. Peço ao G7 que se comprometa não apenas em dividir as doses, mas também em compartilhá-las em junho e julho", declarou.

Além disso, ressaltou que os países de baixa renda não devem contar apenas com as importações de vacinas dos países ricos e reiterou seu apelo para que se invista na produção local de vacinas. Ele expressou esperança de que "alguns locais de produção sejam identificados e, pelo menos, se aproximem da fase de produção da vacina até o final do ano".

Remessa ao Brasil

A aliança Covax Facility vai enviar mais de 4 milhões de doses da vacina AstraZeneca ao Brasil em junho. O anúncio foi feito pelo governador do Piauí e presidente do Fórum de Governadores, Wellington Dias (PT). Segundo ele, a entrega está prevista para entre os dias 16 e 23 deste mês.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Dias agradeceu o esforço de integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU) pela viabilização dos lotes. Segundo o governador, serão 4,038 milhões de doses "para salvar vidas no Brasil".

Em abril, os governadores tiveram a primeira reunião com a ONU, solicitando a antecipação das doses para o Brasil, diante do elevado número de mortes e de contágio. No último dia 25, o Ministério da Saúde informou a antecipação das 4 milhões de doses, mas sem detalhes a respeito do calendário.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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