Religião

09/06/2021 | domtotal.com

São José de Anchieta, o santo conciliador do Brasil

Que as belas pegadas que o Apóstolo do Brasil deixou no solo da nossa nação continue a ser sentinela de reconciliação e de paz para todos os brasileiros

Retrato do padre José de Anchieta
Retrato do padre José de Anchieta (Acervo do Museu Paulista da USP. Coleção Benedito Calixto de Jesus (CBCJ))

Bruno Franguelli, SJ 
Vatican News

Hoje, 9 de junho, celebramos São José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil. A incrível história do jovem nascido nas Ilhas Canárias que, com apenas 19 anos e enfermo, embarcou para o Brasil e tornou-se seu grande apóstolo surpreende desde os religiosos mais fervorosos até especialistas como sociólogos e historiadores. Tudo isso porque José de Anchieta foi um homem sem fronteiras que, com sua audácia abriu caminhos e, por onde passou, deixou a marca da fé, da paz e da reconciliação.

O serviço da reconciliação esteve presente em cada atitude do Apóstolo do Brasil. Por onde passava promovia a "cultura do encontro". Anchieta olhava para além de seus próprios conceitos e buscava ouvir antes de pronunciar-se, aprender antes de ensinar, orar antes de pregar. Anchieta uniu tribos, reconciliou inimigos, promoveu a paz. Uma das passagens mais surpreendentes sobre sua missão de reconciliador aconteceu durante um dos períodos mais difíceis de sua vida, no qual ele mesmo ofereceu-se como refém em favor da reconciliação.

Corria o ano de 1563. A numerosa nação dos índios tamoios - que habitava a região do atual litoral norte do estado de São Paulo e grande parte do estado do Rio de Janeiro - estava cheia de ira contra os portugueses e disposta a destruir tudo e todos que encontrarem pela frente. O padre Quiricio Caxa, que conheceu pessoalmente Anchieta e escreveu sua primeira biografia imediatamente após a morte do Apóstolo do Brasil, nos relata:

Padecia a capitania de São Vicente grandíssima opressão com os contínuos saltos que os tamoios nela faziam, levando-lhe seus escravos e algumas vezes as próprias mulheres, que estavam em suas fazendas, entre as quais houve algumas das doutrinadas pelos nossos, que fizeram finezas, deixando-se matar por não perderem a castidade. Sabia bem o padre Nóbrega que a justiça estava da parte dos tamoios pelos muitos agravos que tinham recebidos dos portugueses, e posto que com muitas missas, orações, disciplinas e outras penitências, procurava aplacar a ira de Deus contra seu povo: vendo que isso não bastava, determinou de procurar se fizessem as pazes com eles com condições honestas e justas, porque concluindo-se, ficava a capitania livre.

Diante de tanto horror que ainda estava por vir, Nobrega e Anchieta se colocaram à disposição para serem reféns, oferecendo suas próprias vidas como penhor de um possível acordo de paz. É importante notar que Nóbrega e Anchieta não tinham se oferecido como reféns para defenderem os interesses dos portugueses e nem acreditavam em sua inocência. Neste sentido o padre Quirício Caxa deixa bem claro esta realidade quando afirma: "Sabia bem o padre Nóbrega que a justiça estava da parte dos tamoios pelos muitos agravos que tinham recebido dos portugueses". Deste modo, os dois jesuítas tinham por único objetivo alcançar a paz para ambos os lados e seguir realizando sua missão em paz.

Deste modo, Anchieta, com sua inabalável esperança, perseverou na sua entrega. Naquela ocasião escreveu o Poema da Bem-Aventurada Virgem Maria a quem tinha por companheira fiel naqueles dias difíceis. O jovem pensou que seria mártir, mas Deus ainda esperava muito daquele jesuíta. Morreu aos 63 anos, em Reritiba, atual Anchieta (ES). Seus filhos prediletos, os nativos indígenas, o amavam como pai. Ser amado era o prêmio daquele que ofereceu sua própria vida pela reconciliação da jovem nação.

Que as belas pegadas que o Apóstolo do Brasil deixou no solo da nossa Nação continue a ser sentinela de reconciliação e de paz para todos os brasileiros.

São José de Anchieta, rogai por nós!


Vatican News/Dom Total



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