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09/06/2021 | domtotal.com

Nicarágua aumenta repressão a opositores de Daniel Ortega a cinco meses das eleições

Três pré-candidatos à Presidência estão em prisão domiciliar acusados de terrorismo

A OEA e os EUA condenaram o governo do 'ditador' Daniel Ortega
A OEA e os EUA condenaram o governo do 'ditador' Daniel Ortega (Inti Ocon/AFP)

A polícia da Nicarágua prendeu quatro opositores nos últimos 10 dias, três deles pré-candidatos e possíveis rivais do presidente Daniel Ortega nas eleições de novembro. A última detenção, a de Juan Sebastián Chamorro García - primo de outra pré-candidata detida, Cristiana Chamorro Barrios -, aconteceu por acusações de "incitar a interferência estrangeira em assuntos internos, organizar com financiamento de potências estrangeiras para executar atos de terrorismo", entre outras, informou um comunicado da Polícia Nacional.

Na terça-feira (8), Félix Maradiaga foi detido sob acusações de corrupção e terrorismo. Segundo a polícia da Nicarágua, Maradiaga está sendo investigado por terrorismo, violar a soberania do país e incitar a interferência estrangeira em assuntos internos. As acusações contra o pré-candidato estão circunscritas dentro de uma lei aprovada no ano passado que prevê punição a quem se alie a entidades estrangeiras para conspirar contra o governo.

A ofensiva contra os opositores começou há uma semana contra Cristiana Chamorro Barrios, que está em prisão domiciliar e não pertence a nenhum partido, mas que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do presidente Ortega, que segundo os adversários buscará um quarto mandato sucessivo em novembro, embora ainda não tenha oficializado a candidatura.

Na semana passada, o diplomata Arturo Cruz também foi detido, em um movimento que indica um aumento da repressão política no país centro-americano, governado há 15 anos pelo ex-guerrilheiro sandinista. A prisão ocorre ainda durante a visita da vice-presidente americana, Kamala Harris, à Guatemala e ao México.

As operações contra opositores prosseguiram na terça-feira à noite, quando foram detidos o empresário José Aguerri e a líder da sociedade civil Violeta Granera, investigados pelas mesmas acusações que Maradiaga e Chamorro García, segundo a polícia.

Além das denúncias feitas pela polícia, a Procuradoria também investiga Maradiaga por descumprir "gravemente" e "desvirtuar" as finalidades e objetivos do Instituto de Estudos Estratégicos e Políticas Públicas (IEEPP). Esta ONG foi encerrada no final de 2018 pelo Parlamento, junto com outras organizações críticas ao governo.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu a libertação de Chamorro García "e de todos os demais presos políticos". E pediu a Managua "o fim da perseguição e da opressão da ditadura do patricida Daniel Ortega".

O governo americano há anos impõe sanções à Nicarágua, especialmente contra os aliados mais próximos de Ortega, entre os quais sua mulher, Rosario Murillo. OS EUA acusam os sandinistas de desmantelar as instituições democráticas no país, mas essa política tem tido poucos resultados práticos. "A prisão do terceiro opositor em dez dias não deixa dúvidas de que Ortega é um ditador", disse a chefe do Departamento de Estado para as Américas, Julie Chung. "A comunidade internacional não tem outra opção que não tratá-lo como tal."


AFP/Agência Estado/Dom Total



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