Meio Ambiente

10/06/2021 | domtotal.com

AIE pode apoiar países em desenvolvimento no uso de energias limpas

'As regiões em desenvolvimento, onde estão dois terços da população mundial, causam 90% do aumento nas emissões, mas recebem apenas 20% dos recursos dedicados à energia limpa'

Aerogeradores na Alemanha, em 11 de agosto de 2020
Aerogeradores na Alemanha, em 11 de agosto de 2020 (Christof Stache/AFP)

O mundo deve apoiar o uso de energias limpas nos países em desenvolvimento ou não conseguirá conter as mudanças climáticas globais, anunciou a Agência Internacional de Energia (AIE) em relatório publicado nesta quarta-feira (9).

O investimento em energia verde vem caindo há vários anos em países emergentes e em desenvolvimento (excluindo a China), e a pandemia da Covid-19 não ajudou, de acordo com a AIE.

Por isso, seria necessário multiplicar o investimento atual por sete, para que passe de cerca de US$ 150 bilhões por ano para mais de US$ 1 trilhão por ano em 2030 e, assim, colocar o planeta no caminho da neutralidade de carbono em 2050, calcula a instituição.

"Estamos imersos em uma corrida para a neutralidade de carbono: não é uma corrida entre países, mas contra o tempo", disse à reportagem o diretor da AIE, Fatih Birol.

"Não haverá vencedor se todos não estiverem na linha de chegada".

No entanto, "as regiões em desenvolvimento, onde estão dois terços da população mundial, causam 90% do aumento nas emissões, mas recebem apenas 20% dos recursos dedicados à energia limpa", acrescentou.

"Se não agirmos rapidamente para acelerar esse investimento, essa questão se tornará a lacuna mais crítica na luta contra o aquecimento global", ressaltou.

Convite ao G7

Segundo planos energéticos conhecidos, as emissões de CO2 das economias de Ásia, África ou América Latina deverão crescer nos próximos 20 anos, enquanto as das economias avançadas cairão e as da China se estabilizarão.

O relatório da AIE, publicado em colaboração com o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial, destaca a importância do financiamento privado, mas acrescenta que a ação internacional e os fundos públicos terão que atuar como catalisadores.

"Em nível mundial, não há falta de dinheiro, mas não vai acabar onde é mais necessário", informou Birol.

"Os governos devem dar às instituições financeiras internacionais um mandato estratégico para financiar as transições de energia nos países em desenvolvimento".

O economista solicitou aos dirigentes do G7, que se reunirão por três dias a partir de sexta-feira, para tratar do tema: "o G7 pode dar a largada, mandar um sinal".

Da mesma forma, a AIE lembra que reduzir as emissões em um país desenvolvido custa o dobro do que em uma região em desenvolvimento, onde normalmente não é necessário transformar setores inteiros.

Além disso, os preços das energias renováveis também caíram. O custo das instalações fotovoltaicas caiu de 40% a 55% entre 2015 e 2019 em Brasil, México, Índia e África do Sul, e entre 15% e 30% no caso dos equipamentos para energia eólica.

Ainda assim, os custos permanecem altos em outros lugares, como a Indonésia ou a África Subsaariana, embora sejam compensados a longo prazo.

"A colaboração público-privada deve ser fortalecida", defendeu Borge Brende, do Fórum Econômico Mundial, anunciando a criação de "coalizões" para favorecer investimentos, métodos de financiamento inovadores ou colaborações diretas entre o setor de energia e clientes privados.


Afp



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