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09/06/2021 | domtotal.com

Elcio Franco mente na CPI da Covid sobre recomendação para o 'tratamento precoce'

Ex-secretário-executivo também passou informações enganosas sobre cloroquina

Elcio Franco fez declarações falsas e enganosas na CPI da Covid
Elcio Franco fez declarações falsas e enganosas na CPI da Covid (Marcos Oliveira/Agência Senado)

Em depoimento na CPI da Covid nesta quarta-feira (9), o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco mentiu sobre orientação da pasta quanto ao chamado “tratamento precoce” contra Covid-19. A checagem do depoimento foi feita pelo Estadão Verifica.

Elcio Franco disse que “não era orientação do ministério” da Saúde o uso de medicamentos sem eficácia comprovada que ficaram conhecidos como kit de tratamento precoce ou kit covid — cloroquina, ivermectina e outros. O ex-secretário argumentou que a pasta recomendava o “atendimento precoce”, e não o uso desses remédios.

No entanto, a checagem que alegação do ex-número 2 do Ministério da Saúde é falsa. Em maio de 2020, o ministério publicou uma nota informativa com o título “Orientações para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19”, em que recomendava o uso de difosfato de cloroquina, sulfato de hidroxicloroquina e azitromicina para todos os pacientes infectados com o coronavírus.

Em ofício de junho do ano passado, o coronel Luiz Otávio Franco Duarte, então secretário de Atenção especializada à Saúde do ministério, pediu que fosse considerada a prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina. O nome do ofício é “tratamento precoce da Covid-19”.

O ministério criou ainda um aplicativo, chamado TrateCov, que recomendava o uso de cloroquina contra Covid-19 até para pacientes bebês. Criticado, o órgão tirou o sistema do ar e culpou um hacker por seu conteúdo.

Estudos científicos de qualidade indicaram que a cloroquina e derivados não têm eficácia no tratamento da Covid-19.

É verdade que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello recomendou que pessoas com sintomas de Covid-19 procurassem atendimento médico rapidamente. Nesse sentido, a pasta lançou a campanha #NãoEspere em setembro.

Cloroquina

Elcio disse também que o Ministério da Saúde não comprou cloroquina em 2020 para o combate à Covid-19. O ex-secretário disse que fez contrato de R$ 50 mil com a Fiocruz. “Enfatizo que é para o programa antimalária”, afirmou. Porém, o Estadão Verifica investigou e concluiu que a fala é enganosa.

O governo Bolsonaro estava empenhado em usar a cloroquina como tratamento para Covid-19. O Ministério da Defesa informou à CPI da Covid que o Exército gastou R$ 1,14 milhão na produção de 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina em 2020, por ordem do presidente Bolsonaro. Para fins de comparação, a última vez que a instituição militar havia promovido a produção do medicamento foi em março de 2017, quando gastou R$ 43,4 mil para 259.470 comprimidos, quantidade que foi suficiente para a demanda de 2018 e 2019, segundo o Exército. O remédio é recomendado para doenças como malária, lúpus e artrite reumatoide.

A intensificação da produção de cloroquina foi anunciada pelo Exército em março de 2020. A decisão levou em conta o então “cenário de aumento do número de casos de infecção pela Covid-19″. Os militares informaram estar “combatendo a disseminação do novo vírus e focando na produção de possíveis medicamentos para o tratamento, ainda que permaneçam em fase de estudos para a comprovação de sua segurança e sua eficácia”.

Pfizer

Elcio Franco atualizou versão que havia dado mais cedo e afirmou que a falta de consenso sobre cláusulas apresentadas pela Pfizer para o fornecimento de vacinas partiu do Ministério da Economia.

Diante do pedido do vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para que fosse convocado à comissão o ministro da Economia, Paulo Guedes, Franco esclareceu que não tratou do assunto com o ministro, mas sim com auxiliares e técnicos da pasta.

Mais cedo, durante depoimento, Élcio havia afirmado que a falta de consenso se dava, em especial, sobre os dispositivos do contrato que tratavam de quem deveria partir a iniciativa uma vez que deveria ser convertida em lei, se do Executivo federal ou do Legislativo.

Franco disse também não ter conhecimento dos primeiros contatos da farmacêutica Pfizer com o governo brasileiro para o fornecimento de vacinas contra a Covid-19. Segundo Randolfe, 90% - das 81 correspondências da farmacêutica ao governo brasileiro enviadas desde 17 de março - não tiveram resposta.

Segundo Franco, seu primeiro contato com a empresa aconteceu em 6 de agosto. De acordo com documentos entregues pela farmacêutica ao colegiado, até essa data haviam sido encaminhados 25 e-mails para o Ministério da Saúde.

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Agência Estado/DomTotal



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