Religião

11/06/2021 | domtotal.com

Dom Total e Faje celebram parceria pela popularização do conhecimento

'A perversão do conhecimento é a morte da sociedade', diz doutor em Filosofia

Reflexão filosófica e teológica são urgentes para os nossos tempos
Reflexão filosófica e teológica são urgentes para os nossos tempos (NeONBRAND/Unsplash)

Muitos estudiosos ao tratar da contemporaneidade retratam os problemas decorrentes do excesso do fluxo de informações advindos dos avanços tecnológicos e suas manipulações. É nesse cenário de aceleração e desinformação que a reflexão profunda encontra sua urgência, evidencia o professor e padre jesuíta Elton Vitoriano, que, em entrevista, fala da importância da disseminação da reflexão filosófica e teológica.

Tendo em consideração a relevância da Filosofia e da Teologia, o Dom Total passa a publicar o material de popularização de conhecimento produzido pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje) no projeto Faje Online, que além de textos, inclui vídeos e podcasts. Desse modo, a revista eletrônica, pertencente a EMGE e a Dom Helder, une-se também a mais esta instituição de ensino jesuíta na colaboração da disseminação da reflexão e do aprofundamento de temas candentes em nossa sociedade.

Alertando sobre a pertinência dessa parceria, o professor Elton Vitoriano Ribeiro diz que "a perversão do conhecimento, não é apenas a morte da filosofia, mas da própria sociedade". Além de padre, Elton é graduado em Filosofia e Teologia pela Faje, mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Atualmente é reitor e professor adjunto da Faje, trabalhando nas áreas de filosofia social, política e ética filosófica,  bem como na de hermenêutica filosófica e teológica. É membro da Equipe Jesuítica Latino-americana de Reflexão Filosófica e do Catholic Theological Ethics in the World Church.

Professor Elton VitorianoProfessor Elton Vitoriano

Na tentativa de compreender determinada época, busca-se caracterizar os períodos históricos seja por suas práticas, seja por suas artes, economia ou ideias. Como podemos caracterizar o tempo que vivemos? O que é a contemporaneidade?

O tempo presente é sempre difícil de ser caracterizado. Pensadores de correntes diferentes, apresentam caracterizações diferentes. Por contemporâneo podemos entender o tempo presente, aquele que nos toca viver. Nesse tempo, várias características nos identificam, quero ressaltar apenas a exacerbação da dimensão tecnológica que transforma toda a nossa vida, nossas realizações e nossa forma de pensar. Talvez, para acrescentar algo, podemos destacar o individualismo nosso de cada dia e a fragilidade da política como dimensão do bem comum para a sociedade.

Temos assistido a um fluxo sem precedente de informação com as tecnologias e, com isso, desinformação ou superficialidade. Qual o lugar da Filosofia e da Teologia nesses tempos? Como demandam tempo de reflexão, a palavra dessas áreas chegaria atrasada?

Sim, as palavras nessas áreas chegam atrasadas. Hegel definiu a filosofia como a Coruja da Deusa Minerva, que levantava voo ao entardecer, depois das lutas diárias dos humanos. No entanto, apesar de chegar atrasada, ele aponta para o futuro e, criticando o passado, sonha com uma realidade melhor, essa é sua força.

Apesar de todo o avanço do pensamento e das ciências, a religiosidade e as crenças ainda comportam um lugar grande na nossa sociedade, principalmente quando vemos uma crescente influência das igrejas na política. Como a Teologia pode aportar para nossa sociedade?

A Teologia tem a função de criticar modelos problemáticos de se pensar e viver a fé, e recolher bons modelos e propô-los como caminhos de realização. A dificuldade, evidentemente, é fazer essa primeira distinção. Mas, nesse caso, o Evangelho e a Tradição da Igreja são princípio e fundamento da reflexão teológica. Acredito que a grande tradição de reflexão teológica, em todos os âmbitos da vida humana, possui um valor fundamental na construção de uma sociedade mais humana.

Tendo em vista o declínio ou perversão do conhecimento, quando vemos o retorno de teorias conspiratórias ou superadas (terraplanismo, fascismo etc.) ou mesmo uma manipulação do discurso para a criação de "verdades particulares", ainda é possível o diálogo entre a Filosofia e a sociedade em geral? Isto é, a Filosofia, como área densa, consegue dialogar com a pessoa de hoje?

Essa pergunta apresenta todo o desafio. A perversão do conhecimento não é apenas a morte da filosofia, mas da própria sociedade. "Verdades particulares", além de ser uma contradição em termos, são opiniões perigosas porque não levam em consideração a dimensão política e relacional da existência humana. Assim, parte do trabalho filosófico é o de criticar essas "verdades particulares" em prol de uma "verdadeira verdade", quer dizer a "verdade" que é construtora e fundadora de um sociedade mais humana, mais acolhedora e mais preocupada com o bem comum.

Leia os textos da parceria Faje-Dom Total:



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