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14/06/2021 | domtotal.com

Cúpula da Otan aponta Rússia e China como os principais desafios para a aliança militar

Biden diz não querer conflito com Rússia, mas que responder a 'ações danosas'

O presidente dos EUA Joe Biden e o secretário-geral da aliança militar ocidental Jens Stoltenberg
O presidente dos EUA Joe Biden e o secretário-geral da aliança militar ocidental Jens Stoltenberg (Patrick Semansky/Pool/AFP)

A primeira cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – aliança militar entre os EUA e países europeus – com a participação do presidente dos Estados Unidos Joe Biden marcou uma mudança da relação diante a postura de cobrança e desgaste com o ex-presidente Donald Trump.

Biden reafirmou seu compromisso com a aliança e destacou os "desafios sistêmicos" apresentados pela China e pediu à Rússia que respeite as normas internacionais. "Quero ser muito claro: a Otan é de suma importância para os nossos interesses e em si mesma", expressou Biden nesta segunda-feira, voltando a se referir a uma "obrigação sagrada" de seu país com a aliança militar.

Em uma extensa declaração final de dezenas de páginas, os líderes reafirmaram sua "unidade, solidariedade e coesão" para abrir "um novo capítulo nas relações transatlânticas", enquanto definiram a Otan como "a base da nossa defesa coletiva".

Embora fontes diplomáticas tenham afirmado que a declaração se referiria à China sem uma linguagem "incendiária", a nota apontou categoricamente que "as ambições da China" e seu comportamento representam "desafios sistêmicos para a ordem internacional baseada em regras". "Pedimos à China que respeite seus compromissos internacionais e que atue com responsabilidade no sistema internacional, incluindo nos domínios espacial, cibernético e marítimo", expressou a Otan na declaração.

A "crescente influência da China pode representar desafios que precisamos enfrentar juntos, como uma aliança. Nós enfrentamos cada vez mais ameaças cibernéticas, híbridas e assimétricas", afirmam os líderes. "A China expande rapidamente seu arsenal nuclear, com mais bombas e vetores mais sofisticados", diz a declaração comum, além de destacar que "está cooperando militarmente com a Rússia".

Ao chegar à sede da Aliança Atlântica para a cúpula, o secretário-geral Jens Stoltenberg disse que "não haverá uma nova Guerra Fria com a China", mas que devem "enfrentar os desafios impostos pela China à segurança".

Relação com a Rússia

Quanto à Rússia, os aliados expressaram que o reforço de sua capacidade militar e de atividades provocadoras nas fronteiras da aliança militar "ameaçam cada vez mais a segurança da área euro-atlântica". "Continuaremos trabalhando juntos para tratar todas essas ameaças e desafios apresentados pela Rússia", apontaram os países da Otan. "Até que a Rússia demonstre respeito pela lei internacional e suas obrigações e compromissos internacionais, não poderá haver um retorno à normalidade", acrescentaram.

Biden afirmou que "não quer conflito" com a Rússia, mas garantiu que seu país responderá, caso o governo russo mantenha "ações danosas". Durante entrevista coletiva, ele disse Otan defenderá a "integridade territorial" da Ucrânia, reafirmando seu apoio "à soberania" desse país. A Rússia ocupou a Crimeia e agora controla a península no sul ucraniano.

Biden se reúne nesta semana com o presidente russo, Vladimir Putin. Ele disse que "deixará claro" a Putin que há áreas em que é possível cooperar, como Putin já fez no passado, em questões de cibersegurança e "algumas outras atividades". Biden ainda afirmou que deixará claro o que ele considera os limites que não podem ser cruzados, no comportamento russo. O presidente americano disse que vários líderes de países da Otan elogiaram o fato de que ele pretende falar com Putin.

"O crescente reforço militar da Rússia, sua postura mais firme, as novas capacidades militares e as atividades provocativas, inclusive perto das fronteiras da Otan ameaçam cada vez mais a segurança da região euroatlântica e contribuem para a instabilidade ao longo das fronteiras da Otan e além", apontaram os líderes.

Na declaração, a Otan também mencionou a "intensificação de ações híbridas", particularmente as "tentativas de interferir nas eleições e nos processos democráticos" de países aliados e "campanhas de desinformação em grande escala".

Novas ameaças e Afeganistão

A declaração também destaca que "o terrorismo, em todas as suas formas e manifestações, continua sendo uma ameaça persistente para todos nós. Os atores estatais e não estatais desafiam a ordem internacional com base em regras e buscam arruinar a democracia em todo o mundo". "Nós enfrentamos cada vez mais ameaças cibernéticas, híbridas e assimétricas de outro tipo, incluindo campanhas de desinformação, e o uso malicioso de tecnologias emergentes e disruptivas cada vez mais sofisticadas", acrescenta o texto.

Em sua declaração, os líderes também reafirmaram que a retirada de suas tropas do Afeganistão depois de duas décadas "não significa o fim" de sua relação com esse país. Os líderes da aliança afirmaram que a Otan continuará fornecendo "capacitação e apoio financeiro às forças de segurança e defesa nacional afegãs" e que manterão "um escritório do Alto Representante Civil em Cabul para continuar o compromisso diplomático e fortalecer nossa associação". A Otan está particularmente disposta a fornecer recursos para "garantir o funcionamento contínuo" do aeroporto internacional de Cabul.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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