Brasil Política

15/06/2021 | domtotal.com

Campêlo relata falta de profissionais, de UTIs e logística como gargalos no AM

Amazonas viveu momentos dramáticos na pandemia, com pacientes morrendo por falta de oxigênio hospitalar

Pacientes morreram no estado por falta de oxigênio hospitalar
Pacientes morreram no estado por falta de oxigênio hospitalar (Afp)

Em depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (15), o ex-secretário de Saúde do estado do Amazonas Marcellus Campêlo relatou que a empresa fornecedora de oxigênio White Martins chegou a pedir que o estado paralisasse momentaneamente a ativação de mais leitos de UTI até que a companhia pudesse ampliar o fornecimento do oxigênio. A conversa, segundo ele, ocorreu no dia 7 de janeiro.

"Estavam preocupados com aumento de consumo e precisariam fazer uma programação do fornecimento. Então a White Martins pediu que não ativássemos mais nenhum leito de UTI até o sinal da empresa que poderia ter segurança para a ampliação do fornecimento de oxigênio, e assim fizemos, ativar somente na anuência da empresa com segurança. Aí nesse dia informamos que tínhamos capacidade de aumentar em 150 leitos", disse ele.

O ex-secretário foi então questionado pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), de como o Estado poderia ter parado de ativar leitos em razão do pedido de uma empresa privada. Campêlo respondeu que a paralisação não foi necessária porque, no mesmo dia (uma quinta-feira), a White Martins apresentou uma programação de fornecimento de oxigênio, em que novas cargas no insumo começariam a chegar no sábado.

Por sua vez, num terceiro contato da empresa com o ex-secretário no dia 7, a White Martins também pediu apoio do governo estadual para realizar uma requisição administrativa, porque estava enfrentando dificuldades para comprar um estoque de 20 mil metros cúbicos de oxigênio disponíveis em uma outra empresa, a Carbox. "Consultei o setor jurídico (do governo) e foi orientado que White Martins formalizasse pedido para fazermos esse processo", disse Campêlo.

Tratamento precoce

Durante a fala inicial à CPI, o ex-secretário também relembrou que, no dia 31 de dezembro, diante da alta de casos, o governo estadual enviou ofício ao Ministério da Saúde pedindo a presença da Força Nacional no Amazonas. Campêlo destacou também a viagem da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, que chegou em Manaus no dia 4 de janeiro. Segundo o ex-secretário, a "ênfase" da visita de Mayra foi no chamado tratamento precoce da Covid-19, composto por medicamentos sem eficácia comprovada, como cloroquina.

"E vimos uma ênfase da Dr. Mayra em relação ao tratamento precoce e disponibilização, relatando novo sistema que poderia ser usado e seria apresentado, o TrateCov. Viagem dela se deu com mais ênfase na atenção primária, para trabalhar com as prefeituras", relatou ele.

Escassez de profissionais, de UTIs e logística como gargalos

Marcellus Campêlo citou como "gargalos" no enfrentamento à pandemia no estado a escassez de profissionais de saúde, a falta de UTIs e problemas de logística. Ele também afirmou que existe historicamente um "desequilíbrio" na conta de repasses federais para o Amazonas. "Recursos do governo federal chegam em momento de diminuição de taxas de Covid", disse o ex-secretário.

A declaração provocou uma reação do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), que declarou nunca ter faltado dinheiro federal para o Amazonas tomar as providências necessárias no enfrentamento à Covid-19. "Em agosto de 2020, havia saldo R$ 459 milhões, em dezembro, saldo de R$ 478 milhões e em março de 2021, saldo de R$ 553 milhões", disse Bezerra.

Campêlo, alvo de operação da Polícia Federal que investiga a aplicação de recursos públicos na pandemia, também respondeu que o Amazonas aplicou os repasses do governo federal no combate à Covid-19. "Fizemos tudo que era possível fazer com os recursos que tínhamos", afirmou. O Amazonas viveu momentos dramáticos na pandemia, com pacientes morrendo por falta de oxigênio hospitalar.

O ex-secretário relembrou sobre a alta de casos que começou a ser identificada no estado a partir da segunda quinzena de setembro. "Fui alertado sobre crescimento de internação na rede privada. Após alerta de setembro, fizemos plano para conter segunda onda no Amazonas. Só no fim de dezembro, começamos a notar contaminação rápida e agravamento", disse ele, que não respondeu a questionamentos sobre leitos fechados em um hospital público no início da pandemia.


Agência Estado



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