Coronavírus

16/06/2021 | domtotal.com

Variante Delta: resistência, eficácia das vacinas e a importância de duas doses

Conhecida como variante indiana, mutação da Covid-19 já chegou a 80 países, segundo a Organização Mundial da Saúde

Vacinação contra a covid-19 em centro comercial de Calcutá, Índia
Vacinação contra a covid-19 em centro comercial de Calcutá, Índia (Dibyangshu Sarkar/AFP)

Diante da variante Delta da Covid-19, cujo avanço no mundo é preocupante, as vacinas são menos eficazes, mas a proteção contra a doença continua sendo importante, desde que as duas doses sejam aplicadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante já foi identificada em mais de 80 países.

A líder técnica da resposta à pandemia da OMS, Maria Van Kerkhove, reforçou a necessidade de testes e sequenciamento para que se identifique a presença da variante.

 Eficácia reduzida

Vários estudos em laboratório mostram que a variante Delta (antes chamada "variante indiana") parece mais resistente às vacinas que outras mutações. É o que se conhece como "escape imunológico".

De acordo com um estudo, coordenado pelas autoridades britânicas e publicado no início de junho na revista The Lancet, nas pessoas vacinas com as duas doses da Pfizer/BioNTech o nível de anticorpos neutralizantes é quase seis vezes menos elevado na presença da variante Delta que com a cepa originária, que foi usada para desenvolver as vacinas.

Em comparação, esta redução é de 2,6 vezes a respeito da variante Alpha ("britânica") e 4,9 vezes ante a variante Beta ("sul-africana"). Outro estudo, do Instituto Pasteur na França, conclui que os anticorpos neutralizantes depois da aplicação da vacina Pfizer/BioNTech são de três a seis vezes menos eficazes contra a variante Delta que contra a Alpha.

Eficácia

Os níveis de anticorpos registrados em laboratório são um indicador essencial, mas não suficiente para determinar a eficácia de uma vacina. Não se leva em consideração a outra face da resposta imunológica, a imunidade celular. Por este motivo existe a importância de analisar o que acontece na vida real. E os resultados são bem mais tranquilizadores.

De acordo com dados apresentados na segunda-feira pelas autoridades britânicas, a vacinação com a Pfizer/BioNTech e com AstraZeneca são igualmente eficazes para impedir a hospitalização tanto para a variante Delta como para a Alpha.

Duas doses permitem evitar em 96% (para Pfizer/BioNTech) e 92% (para AstraZeneca) a internação pela variante Delta, segundo o estudo com 14 mil pessoas. Dados anteriores das autoridades britânicas apresentaram conclusões parecidas para formas menos graves da doença.

Duas semanas depois da segunda dose, a vacina Pfizer/BioNTech é 88% eficaz contra a forma sintomática da Covid-19 devido à variante Delta, contra 93% quando se trata da variante Alpha. A AstraZeneca demonstrou eficácia 60% e 66% contra estas mutações.

Os criadores da vacina russa Sputnik V afirmaram na terça-feira no Twitter que seu fármaco era "mais eficaz contra a variante Delta" que qualquer outro, mas não publicaram os dados.

Uma dose não é suficiente

Os estudos convergem em um ponto: apenas uma dose oferece uma proteção limitada contra a variante Delta. "Após uma dose da Pfizer/BioNTech, 79% das pessoas tinham uma resposta de anticorpos detectável contra a cepa original, mas esta caía a 50% para a variante Alpha, 32% para a variante Delta e 25% para a variante Beta", conclui o estudo em laboratório publicado na revista The Lancet.

A pesquisa do Instituto Pasteur indica que apenas uma dose da AstraZeneca seria "pouco ou nada eficaz" contra a variante Delta. Estas tendências são confirmadas na vida real: segundo as autoridades britânicas, apenas uma dose de qualquer uma das vacinas tem eficácia de 33% para impedir a forma sintomática da doença causada pela Delta (e 50% para a variante Alpha).

Entre todos os imunizantes autorizados, apenas o do laboratório Janssen é de dose única. No momento não há dados sobre sua proteção para a variante Delta.

 E depois?

Para frear a propagação desta variante, 60% mais transmissível que a Alpha segundo as autoridades britânicas, os cientistas insistem na importância da vacinação completa, com duas doses.

Criar este "bloco de vacinados", nas palavras do presidente do Conselho Científico francês Jean-François Delfraissy, tem um segundo objetivo: impedir o surgimento de outras variantes entre a população que está parcialmente ou nada protegida.

A perspectiva que preocupa mais é o surgimento de outras mutações do vírus, mais resistentes às vacinas. "Mas não se deve basear tudo na vacinação", declarou o epidemiologista Antoine Flahault.

Ele considera crucial "manter a circulação do vírus muito baixa", com outras medidas de controle (detecção de casos, medidas de restrição, etc), pois quanto mais circula o vírus, mais possibilidades de mutação e maior possibilidade de outras variantes.

Disparidade nas vacinas

De acordo com Michael Ryan, em países ricos, a cada 100 pessoas, cerca de 63 vacinas contra a Covid-19 foram entregues. Já em países pobres, o número cai para uma vacina entregue a cada 100 pessoas. Ryan reforçou a necessidade da pressão global para assegurar que as vacinas cheguem aos países nos quais ainda são necessárias. "Não podemos falar sobre variantes futuras se não conseguimos vacinar as pessoas agora (contra variantes que já existem)", disse. "As pessoas que morreram não deveriam ter morrido. Elas estavam vulneráveis pela sua situação social, por sua idade", acrescentou o diretor geral da OMS.


AFP/ Agência Estado



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