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16/06/2021 | domtotal.com

Biden e Putin se reúnem em Genebra para demarcar limites, mas tensão permanece

Os dois líderes falam de ciberataques, direitos humanos e arsenais nucleares

O russo Vladimir Putin e o americano Joe Biden se cumprimentam na Villa La Grange, em Genebra
O russo Vladimir Putin e o americano Joe Biden se cumprimentam na Villa La Grange, em Genebra (Denis BalibouseAFP)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o colega russo Vladimir Putin se reuniram em Genebra em encontro marcado pela tensão entre os dois países. Biden e Putin se encontraram na 'Villa La Grange', um edifício do século 18, localizado no centro da cidade e de seu maior parque, com uma vista impressionante do Lago Leman. Primeiro ocorreu um encontro em formato reduzido, que inclui Biden, Putin e os chefes da diplomacia americana e russa, Antony Blinken e Serguei Lavrov. Depois ocorreu uma sessão de trabalho mais ampla. Foram cerca de 4 horas de reuniões.

O presidente da Suíça, Guy Parmelin, por sua vez, mostrou-se otimista com este encontro. "O mundo está há 18 meses em uma pandemia que atingiu terrivelmente. A reunião de Genebra representa uma oportunidade para os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia inspirarem um pouco mais de otimismo, um pouco mais de esperança na política mundial", disse ele.

Não houve coletiva de imprensa conjunta, mas Biden falou com a imprensa após o encontro. Aos jornalistas, o presidente americano vai promover retaliações cibernéticas caso a Rússia siga com ciberataques a setores chave da infraestrutura americana. O russo negou promover ataques e disse que a maior parte dos ataques cibernéticos é promovido pelos EUA e pelos países ocidentais. "Não busco um conflito com a Rússia, mas responderemos se a Rússia continuar com suas atividades prejudiciais", afirmou o presidente americano.

As relações diplomáticas entre Moscou e Washington estavam muito abaladas desde que o atual presidente dos Estados Unidos chegou ao poder em janeiro. Depois que Biden comparou Putin a um "assassino", a Rússia convocou o seu embaixador Anatoli Antonov para os EUA para uma conversa em março, e anunciou que o homólogo americano em Moscou, John Sullivan, deveria retornar a Washington.

Biden listou 16 áreas da infraestrutura americana que devem ficar "fora dos limites" dos ataques russos, disse o presidente. Os especialistas trabalharão em "entendimentos específicos sobre o que está fora dos limites e acompanharão casos específicos, desde o nosso setor de energia até nossos sistemas de água", esclareceu Biden, que acrescentou: "não vamos tolerar ameaças da Rússia à nossa soberania".

O presidente americano ainda disse ter deixado claro a Putin que os EUA continuarão se opondo a ações da Rússia que, na visão dele, ferem os direitos humanos. Biden citou o caso da prisão do ativista Alexei Navalny, e afirmou que as consequências contra o Kremlin serão "devastadoras" caso o opositor de Putin morra.

Por sua vez, Putin classificou o encontro como "construtivo" e garantiu que "não houve hostilidade". "Pelo contrário. Foi uma reunião construtiva. Tivemos sinais de confiança e esperança", disse. "Foi uma conversa franca, sem evitar temas", afirmou. "Biden é uma pessoa equilibrada, construtiva e experiente", disse. "Ele tem valores morais, falamos a mesma língua. Não vamos prometer amor eterno. Países têm suas relações baseadas em pragmatismo", insistiu Putin.

Em 15 de abril, Biden assinou sanções contra a Rússia "se continuar interferindo na nossa democracia", uma referência ao gigantesco ciberataque de 2020. As sanções, as mais duras desde o governo de Barack Obama, se juntam às medidas adotadas em março após o caso de Navalny. "Chegou a hora da desescalada", disse, ao propor um encontro de cúpula bilateral "este verão na Europa" para "iniciar um diálogo estratégico sobre a estabilidade" em questão de desarmamento e segurança.

Quanto a pontos de concordância entre as duas nações, Biden disse que Putin concordou em trabalhar para garantir que o Irã não tenha acesso a armas nucleares. Além disso, os presidentes acordaram em iniciar conversas sobre controle bélico.

Os dois líderes também concordaram em dar sequência ao diálogo sobre armas nucleares, já que as duas potências detêm os maiores arsenais atômicos do planeta. A reunião terminou com um acordo para restabelecer a presença diplomática nas respectivas capitais e a criação de um processo de consultas sobre ataques cibernéticos. Mas, fora questões pontuais, o diálogo permanece limitado, com desconfiança mútua e é pouco provável que haja grandes mudanças.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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