Religião

18/06/2021 | domtotal.com

Coração de Jesus: fonte da ética cristã

Todo discípulo do Mestre de Nazaré é chamado a ter um coração semelhante ao d'Ele

Diante da constante tentação da esclerocardia, os cristãos e cristãs precisam revisitar o Evangelho
Diante da constante tentação da esclerocardia, os cristãos e cristãs precisam revisitar o Evangelho (Pixabay)

Felipe Magalhães Francisco*

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é bastante forte. Nas celebrações das liturgias católicas, sempre vemos pessoas com fitas vermelhas sobre o peito: é a marca da pertença ao Apostolado da Oração, cujos membros se reconhecem como missionários de Cristo, atuantes sobretudo por meio da oração. Toda devoção é fecunda, quando produz frutos: este é o critério evangélico para se saber se uma ação cristã é prenhe de Deus ou não. Espera-se, pois, que aquelas pessoas que vivem sua religiosidade, marcada pela devoção ao Coração de Jesus, que o exercício cotidiano de discipulado seja de conformar o próprio coração ao do Crucificado, do qual jorra sangue e água.

O fato de a festa constar no calendário litúrgico, mostra a importância para a pedagogia da fé, o defrontar-se, mistagogicamente, com o Coração de Jesus. Todo discípulo e discípula do Mestre de Nazaré é chamado a ter um coração semelhante ao d'Ele. O que a piedade popular insistentemente reza, nesse sentido, de que tenhamos o coração manso e humilde como o de Jesus, não deve cair numa mecânica oracional. É preciso fazer de nossa interioridade - à qual remete o símbolo do coração - aberta à ação do Espírito, a fim de que sejamos cada vez mais configurados à vida filial de Jesus.

Longe de toda e qualquer tentativa de romantizar o Coração de Jesus, que é manso e humilde, tal qual o nosso é chamado a ser, é preciso compreender o simbolismo profundo que a imagem do coração traz, sobretudo biblicamente. O coração é a sede das decisões mais profundas da vida. É por isso que Jesus disse que as coisas impuras não são as que entram pela boca, mas as que saem (cf. Mateus 15,11), pois elas foram gestadas em nossa interioridade. Ao observar as decisões tomadas pela pessoa de Jesus, demonstradas no modo como viveu e doou sua vida, encontramos a largueza de seu coração: radicalmente aberto para o Pai, demonstrou efetivamente essa abertura no modo como teceu relações com as pessoas, sobretudo aquelas às quais ninguém queria ter por perto.

O Coração de Jesus tem muito a nos ensinar. Diante da constante tentação da esclerocardia, os cristãos e cristãs precisam revisitar o Evangelho, para dele depreender o sentido profundo daquilo que Jesus anunciou e inaugurou. O cristianismo não pode se reduzir a uma religião, por mais valiosa que uma religião seja: é preciso se configurar como estilo de vida, segundo o Reinado de Deus. É neste sentido que os artigos de nosso Dom Especial nos interpelam. No primeiro, Atraídos ao seu Coração, César Thiago Alves nos conduz à história da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e sua riqueza, bem como às exigências éticas dessa devoção. Para vivermos esta ética, é preciso redescobrir O Evangelho do Coração de Jesus, tal como nos interpela Rodrigo Ferreira da Costa; a fim de que sejamos educados como verdadeiros discípulos e discípulas, por meio d’A pedagogia do Coração de Jesus, à qual somos apresentados por Francisco Thallys Rodrigues.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo e professor. Coordena os especiais de religião deste portal. É co-autor do livro Teologia no século 21: novos contextos e fronteiras (Saber Criativo, 2020). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!