Meio Ambiente

17/06/2021 | domtotal.com

Temporada de incêndios põe em alerta sistema de saúde já sobrecarregado pela Covid

Sem fiscalização e planejamento, queimadas podem crescer e afetar a qualidade do ar

partículas que pairam no ar vindas de queimadas são responsáveis por várias doenças pulmonares
partículas que pairam no ar vindas de queimadas são responsáveis por várias doenças pulmonares (Victor Moriyama/Greenpeace/AFP)

Sobrecarregado há um ano e meio pela pandemia de Covid-19, o sistema de saúde das Regiões Norte e Centro-Oeste precisa se preparar para os efeitos da temporada de queimadas. As partículas em suspensão dos incêndios podem ser mais nocivas do que a poluição do ar urbano. O alerta é de um estudo da Global Climate and Health Alliance feito em Brasil, Canadá e Austrália.

Os incêndios provocados pela ação humana devem afetar a qualidade do ar até em cidades a milhares de quilômetros de distância, pois o material particulado, os metais vestigiais e gases de efeito estufa podem se dispersar para longe das florestas. O relatório adverte que, em todo o mundo, os governos devem preparar os sistemas de saúde para os impactos de incêndios causados pela aceleração da crise climática, pelo desmatamento e pelo manejo precário da terra.

Na Amazônia, as partículas emitidas pela queima de biomassa permanecem na atmosfera por, pelo menos, uma semana e podem ser transportadas a longas distâncias, alerta o documento. Segundo estudo de 2017 na revista Nature, a queima de biomassa na região amazônica causa danos ao DNA e a morte de células pulmonares humanas. No Brasil, Amazônia e Pantanal vêm sofrendo com queimadas recordes desde o início da gestão Jair Bolsonaro (sem partido), além do desmonte dos órgãos de fiscalização.

Em 2020, a Amazônia teve, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 103.161 focos de incêndio. Isso representa aumento de 15,5% em relação a 2019, quando eles somaram 89.176. A maioria desses focos de incêndios é registrada no Arco do Desmatamento que se estende do Pará a Mato Grosso, e até as fronteiras do Brasil com o Peru e a Bolívia.

Impactos na saúde

A fumaça dos incêndios florestais causa cerca de 339 mil mortes prematuras por ano em todo o mundo, muito mais do que aquelas por causa direta, estima um estudo de 2012 de pesquisadores de EUA, Canadá e Austrália. Os impactos no curto prazo da fumaça incluem tosse e falta de ar. Ela também é um gatilho para casos de asma e está associada a um aumento no atendimento hospitalar de emergência, particularmente em crianças.

No relatório da Human Rights Watch sobre a poluição do ar durante as queimadas de 2019 na Amazônia, constatou-se que muitas pessoas tinham acesso limitado às unidades de saúde. Estima-se que quase 3 milhões de pessoas foram expostas a níveis nocivos de material particulado fino durante os incêndios daquele ano.


Agência Estado/Dom Total



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